Porto do Açu importa enxofre pela primeira vez e reforça logística de fertilizantes no Brasil
Operação desembarcou 1,5 mil toneladas do insumo vindo dos Estados Unidos; complexo portuário pretende movimentar 300 mil toneladas por ano e atender 12% da demanda brasileira
Publicado em: 09/09/2026 às 10:45hs
O Porto do Açu realizou, na primeira semana de setembro, sua primeira operação de importação de enxofre, matéria-prima estratégica para a produção de fertilizantes agrícolas. A carga de 1,5 mil toneladas foi adquirida pela Minas Port nos Estados Unidos e será destinada ao abastecimento do mercado brasileiro.
A movimentação amplia a participação do complexo portuário na logística do agronegócio e ocorre em um momento de preocupação com a oferta internacional de enxofre. O Brasil importa mais de 90% do volume consumido, o que deixa a indústria nacional exposta às oscilações do comércio global e aos riscos nas principais rotas marítimas.
Crise global aumenta preocupação com fornecimento de enxofre
O desembarque ocorreu em meio à crise internacional de abastecimento provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota responsável por aproximadamente 30% do transporte marítimo mundial de enxofre.
As restrições nessa passagem estratégica pressionam o fluxo do produto e aumentam a preocupação dos países dependentes de importações. No Brasil, eventuais dificuldades de fornecimento podem afetar diretamente a indústria de fertilizantes e, consequentemente, os custos de produção agrícola.
A diversificação das rotas de entrada do enxofre torna-se, portanto, uma medida relevante para ampliar a segurança logística e reduzir riscos de desabastecimento.
Por que o enxofre é importante para os fertilizantes?
O enxofre é utilizado na fabricação de ácido sulfúrico, substância indispensável ao processamento da rocha fosfática. Esse procedimento permite a obtenção do ácido fosfórico, componente fundamental na produção de fertilizantes fosfatados.
Esses produtos fornecem fósforo às plantas, nutriente essencial para o desenvolvimento das raízes, a formação de grãos e o potencial produtivo das lavouras.
Diante da elevada dependência brasileira de fornecedores externos, a disponibilidade de enxofre influencia toda a cadeia de suprimentos dos adubos fosfatados, desde a indústria até o produtor rural.
Porto do Açu quer movimentar 300 mil toneladas por ano
Com a nova operação, o Porto do Açu pretende se consolidar como um polo de importação e distribuição de enxofre no Brasil. A projeção é receber aproximadamente 300 mil toneladas anuais do insumo, volume equivalente a cerca de 12% da demanda nacional.
Segundo o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, a movimentação está alinhada à estratégia de crescimento do complexo no agronegócio. O porto já atua como rota para a entrada de fertilizantes e para o escoamento de grãos brasileiros.
Após o desembarque no Terminal Multicargas, o T-Mult, o carregamento foi encaminhado para as instalações da Minas Port.
T-Mult amplia capacidade para atender novas cargas
A importação de enxofre continuará sendo realizada pelo T-Mult, terminal que opera durante 24 horas por dia e oferece contratos adaptados às necessidades de cada cliente.
Desde o início das atividades, em 2016, o terminal já movimentou 27 tipos de cargas, incluindo granéis sólidos, cargas gerais não conteinerizadas e equipamentos de projetos industriais.
Com a expansão recente, a capacidade inicial de movimentação do T-Mult deverá atingir 2,7 milhões de toneladas por ano. O cais operacional foi ampliado de 340 para 500 metros e conta com calado de 13,1 metros.
A estrutura permite a operação simultânea de dois navios Panamax, cada um com capacidade para transportar até 75 mil toneladas.
Nova rota pode fortalecer abastecimento de fertilizantes
A entrada do Porto do Açu na importação de enxofre amplia as alternativas logísticas disponíveis para a indústria brasileira de fertilizantes. A operação também pode contribuir para aumentar a competitividade no desembarque, na armazenagem e na distribuição do insumo.
Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica e elevada dependência externa, a criação de um novo corredor de abastecimento ganha importância estratégica para o agronegócio brasileiro e para a segurança da produção nacional de fertilizantes.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias