Publicidade
Adubos e Fertilizantes

Entregas de fertilizantes caem 5,4% no Brasil e somam 19 milhões de toneladas no primeiro semestre

Juros elevados, crédito restrito, conflitos internacionais e piora das relações de troca reduziram os negócios; produção nacional e importações também recuaram antes da safra 2026/2027


Publicado em: 09/09/2026 às 10:30hs

Entregas de fertilizantes caem 5,4% no Brasil e somam 19 milhões de toneladas no primeiro semestre
Foto: Cláudio Neves

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro alcançaram 19,02 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa queda de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas registradas entre janeiro e junho de 2025.

Apesar da retração, a entidade informa que a demanda do agronegócio nacional foi atendida durante o período. O desempenho mais fraco reflete a combinação de juros elevados, restrição de crédito, piora das relações de troca, riscos de recuperação judicial entre empresas e produtores, ameaças climáticas e instabilidade geopolítica.

O cenário merece atenção porque o mercado já está direcionando parte das negociações para a safra de grãos 2026/2027. A postergação das compras pode concentrar a demanda nos próximos meses, elevar a pressão sobre a logística e aumentar a exposição dos produtores às oscilações internacionais dos preços e do câmbio.

Entregas de fertilizantes caem 17,2% em junho

Somente em junho, as entregas de adubos totalizaram 3,55 milhões de toneladas, queda de 17,2% em comparação com as 4,29 milhões de toneladas distribuídas no mesmo mês de 2025.

De acordo com a ANDA, as compras ocorreram normalmente no início do ano, apoiadas pelo desempenho da segunda safra de milho. O ritmo dos negócios perdeu força posteriormente, sobretudo após o agravamento dos conflitos envolvendo o Irã.

Os reflexos desse ambiente começaram a aparecer com maior intensidade nos dados de maio e junho. A instabilidade internacional afeta especialmente o setor de fertilizantes devido à concentração global da oferta e à importância de insumos como gás natural, enxofre, fosfato e potássio na formação dos preços.

A entidade também aponta as relações de troca acima das médias históricas como um fator de cautela. Quando o produtor precisa comprometer uma quantidade maior de grãos para comprar a mesma tonelada de fertilizante, a tendência é reduzir, parcelar ou adiar as aquisições.

Mato Grosso concentra mais de 25% das entregas

Mato Grosso permaneceu como o principal destino dos fertilizantes comercializados no país. Entre janeiro e junho, o Estado recebeu 4,90 milhões de toneladas, correspondentes a 25,8% do volume nacional.

Na sequência aparecem:

  • Paraná, com 2,15 milhões de toneladas;
  • Goiás, com 2,01 milhões de toneladas;
  • São Paulo, com 2 milhões de toneladas;
  • Minas Gerais, com 1,33 milhão de toneladas.

A liderança mato-grossense está relacionada à dimensão da área cultivada com soja, milho e algodão, culturas que demandam grandes volumes de nutrientes. O Estado também responde por parcela relevante da expansão agrícola brasileira e da produção nacional de grãos.

Produção nacional recua 16,3%

A produção brasileira de fertilizantes intermediários encerrou junho em 533 mil toneladas, redução de 12,5% na comparação anual.

No acumulado do primeiro semestre, foram produzidas 2,94 milhões de toneladas, queda de 16,3% diante das 3,51 milhões de toneladas registradas entre janeiro e junho de 2025.

Um dos principais fatores apontados para o recuo foi o encarecimento do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados, segmento que ocupa posição relevante na indústria instalada no Brasil.

A ANDA ressalva que os dados não capturaram toda a produção nacional. Mudanças societárias e retomadas de atividades em alguns ativos dificultaram a consolidação das informações, especialmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio.

Por essa razão, o volume efetivamente produzido no país pode ser superior ao registrado pelo levantamento.

Importações diminuem 4,2% no semestre

As importações brasileiras de fertilizantes intermediários também recuaram. Em junho, os desembarques alcançaram 3,17 milhões de toneladas, redução de 10,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou 17,69 milhões de toneladas, queda de 4,2% diante das 18,47 milhões de toneladas adquiridas no primeiro semestre de 2025. Os indicadores oficiais da ANDA acompanham as entregas, a produção nacional e as importações de fertilizantes utilizados pelo mercado agrícola brasileiro.

A diminuição das compras externas ocorreu em meio ao menor ritmo das negociações domésticas e ao aumento das incertezas. Mesmo com a retração, os produtos importados continuam representando a maior parcela do abastecimento nacional.

Essa exposição torna o mercado brasileiro sensível às variações do dólar, aos custos do frete marítimo, às sanções comerciais, aos conflitos internacionais e a possíveis restrições de oferta nos principais países fornecedores.

Porto de Paranaguá recebe 4,44 milhões de toneladas

Principal porta de entrada de fertilizantes no Brasil, o Porto de Paranaguá recebeu 4,44 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026.

O volume ficou 8,8% abaixo das 4,87 milhões de toneladas desembarcadas no mesmo período de 2025. Ainda assim, o terminal paranaense respondeu por 25,1% de todos os fertilizantes importados pelos portos brasileiros, conforme informações do Siacesp e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A concentração dos desembarques em Paranaguá reforça a importância da estrutura portuária e das rotas rodoviárias e ferroviárias utilizadas para levar os insumos às regiões produtoras, especialmente Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e áreas do Centro-Oeste.

Queda das compras exige atenção para a safra 2026/2027

A retração nas entregas não indica, necessariamente, redução equivalente na aplicação de fertilizantes. Parte dos produtores pode estar utilizando estoques adquiridos anteriormente ou aguardando condições comerciais mais favoráveis para fechar novos negócios.

O adiamento prolongado das compras, entretanto, aumenta os riscos para a safra 2026/2027. Uma retomada simultânea da demanda pode provocar concentração de pedidos, elevar os custos logísticos e dificultar a entrega dos produtos dentro da janela ideal de plantio.

Além disso, conflitos internacionais, valorização do dólar e eventuais problemas nas rotas marítimas podem alterar rapidamente os preços dos fertilizantes no mercado brasileiro.

Nesse ambiente, produtores e empresas devem acompanhar as relações de troca, a disponibilidade regional dos principais nutrientes e os prazos de entrega. O planejamento antecipado tende a reduzir a exposição às oscilações de preço e a evitar atrasos na implantação das lavouras.

Mesmo com a demanda atendida no primeiro semestre, a queda conjunta das entregas, da produção nacional e das importações coloca o abastecimento de fertilizantes entre os principais pontos de atenção para o agronegócio brasileiro nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias