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Etanol de milho impulsiona demanda por biomassa florestal e abre novas oportunidades em Mato Grosso

Onze projetos de construção ou expansão de usinas podem elevar o consumo mato-grossense de biomassa de 9 milhões para 13,5 milhões de toneladas por ano


Publicado em: 09/09/2026 às 10:10hs

Etanol de milho impulsiona demanda por biomassa florestal e abre novas oportunidades em Mato Grosso

A expansão do etanol de milho está redesenhando o mercado de biomassa florestal no Centro-Oeste. Enquanto Mato Grosso do Sul mantém sua demanda vinculada principalmente à indústria de celulose, Mato Grosso ganha protagonismo com novos projetos de usinas que utilizam madeira e outros materiais vegetais como fontes de energia.

A avaliação é de Marcelo Schmid, especialista em Soluções Estratégicas para Florestas e Recursos Naturais. Segundo ele, os investimentos previstos nos dois estados apontam movimentos diferentes e exigem uma nova estratégia das empresas que atuam na produção e no fornecimento de biomassa.

Mato Grosso concentra expansão do etanol de milho

Mato Grosso reúne atualmente 11 projetos de implantação ou ampliação de usinas de etanol de milho, distribuídos por diferentes municípios. Grande parte dessas unidades utiliza biomassa florestal para gerar o calor e o vapor necessários ao processamento industrial.

O consumo estadual é estimado em aproximadamente 9 milhões de toneladas de biomassa por ano. Com a entrada em operação dos projetos anunciados, a demanda pode alcançar 13,5 milhões de toneladas anuais nos próximos anos.

Caso a projeção se confirme, o crescimento será de 4,5 milhões de toneladas, equivalente a uma expansão de 50% sobre o volume atual. O avanço tende a estimular investimentos em florestas plantadas, transporte, armazenamento e contratos de fornecimento de longo prazo.

Biomassa ganha importância na produção de biocombustíveis

Nas usinas de etanol de milho, a biomassa é empregada como fonte de energia térmica em diferentes etapas da produção. O abastecimento regular torna-se, portanto, essencial para assegurar a continuidade das operações e controlar os custos industriais.

O crescimento desse mercado pode beneficiar produtores florestais, empresas de silvicultura, transportadores e fornecedores de resíduos agrícolas e madeireiros. Ao mesmo tempo, a expansão exige planejamento para evitar desequilíbrios entre oferta e consumo nas regiões próximas às usinas.

Fatores como distância, disponibilidade regional, umidade, poder calorífico e regularidade das entregas influenciam diretamente o custo e a viabilidade da biomassa.

Mato Grosso do Sul mantém força na indústria de celulose

Em Mato Grosso do Sul, o mercado florestal continua fortemente ligado à produção de celulose. O estado possui uma cadeia consolidada, extensa área de florestas plantadas e grandes projetos industriais.

Entretanto, parte dos novos investimentos ainda não apresenta cronograma definido. Entre eles estão a expansão da Eldorado Brasil, em Três Lagoas, e a unidade anunciada pela Bracell em Bataguassu.

O empreendimento da Bracell recebeu licença prévia em julho, mas ainda não possui previsão para o início das obras. Suzano e Arauco, por sua vez, permanecem como referências entre as operações e os projetos que seguem os planejamentos anunciados.

Nova demanda florestal muda de direção no Centro-Oeste

O contraste entre os dois estados revela um deslocamento geográfico das oportunidades. Mato Grosso do Sul continua relevante pelo parque industrial instalado e pela escala da cadeia de celulose, enquanto Mato Grosso passa a concentrar novas demandas relacionadas à produção de etanol de milho.

Segundo Schmid, empresas do setor florestal devem acompanhar essa mudança e considerar o redirecionamento de parte de suas estratégias comerciais para o mercado mato-grossense.

Contratos das usinas têm perfil diferente

O especialista ressalta que as usinas de etanol de milho possuem características de compra distintas das fábricas de celulose. As diferenças envolvem o perfil dos fornecedores, as especificações do material, os volumes contratados e a organização logística das entregas.

Nas indústrias de celulose, a madeira é a principal matéria-prima do processo produtivo. Já nas usinas de etanol, a biomassa desempenha função energética, o que permite avaliar diferentes materiais conforme disponibilidade, eficiência térmica e custo.

Essa configuração pode ampliar a participação de fornecedores regionais, mas também exige capacidade para manter padrões técnicos e garantir entregas contínuas ao longo do ano.

Expansão exige planejamento florestal e logístico

A perspectiva de crescimento de 50% no consumo de biomassa em Mato Grosso representa uma oportunidade relevante para o setor de base florestal. No entanto, o aumento da demanda precisa ser acompanhado pela expansão planejada da oferta.

A implantação de novas áreas florestais exige vários anos até o momento da colheita. Por isso, decisões sobre plantio, contratos, infraestrutura e logística precisam ser tomadas antes que todas as novas usinas entrem em operação.

Com o avanço do etanol de milho, Mato Grosso fortalece a integração entre agricultura, energia renovável e produção florestal, criando uma nova frente de investimentos no Centro-Oeste brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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