Nova cultivar de gergelim combina sabor doce, alta produtividade e ciclo de 90 dias
Desenvolvida após sete anos de pesquisa, LCS Melgrão pode alcançar 1.600 quilos por hectare e atender aos mercados de óleo, alimentos e consumo direto
Publicado em: 25/08/2026 às 16:00hs
A expansão do cultivo de gergelim no Brasil está ampliando a demanda por materiais genéticos adaptados à segunda safra, produtivos e capazes de atender a diferentes segmentos do mercado. Nesse cenário, a cultivar LCS Melgrão chega ao campo reunindo rusticidade, sabor doce, ciclo de aproximadamente 90 dias e potencial produtivo de até 1.600 quilos por hectare.
Registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC) sob o número 60195, a novidade foi lançada no segundo semestre de 2026 pela LC Sementes, após mais de sete anos de pesquisa. É a primeira cultivar desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da empresa.
Além da produção de óleo, o novo material foi selecionado para atender à indústria alimentícia, ao segmento gourmet e ao consumo direto. A dupla aptidão pode ampliar as possibilidades de comercialização e reduzir a dependência do produtor em relação a um único destino para a produção.
Produção de gergelim avança em Mato Grosso
Mato Grosso ocupa posição central no crescimento da cultura no País. Na safra 2024/25, o estado produziu 288,9 mil toneladas de gergelim, aumento de 17,3% em comparação com as 246,1 mil toneladas registradas no ciclo anterior.
A produtividade média também avançou, passando de 579,06 para 720,09 quilos por hectare. O crescimento reflete a incorporação de tecnologias, a melhoria do manejo e a maior experiência dos agricultores com a oleaginosa.
Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a área cultivada com gergelim no estado aumentou 250% nos últimos cinco anos. Canarana consolidou-se como o principal polo produtor, concentrando aproximadamente 18% da área estadual e destinando praticamente toda a produção ao mercado externo.
Consumo interno ainda tem potencial de crescimento
Embora as exportações absorvam parcela importante da produção brasileira, o mercado doméstico ainda apresenta espaço para expansão. O consumo nacional de grãos é estimado entre 10 mil e 15 mil toneladas por ano.
A demanda interna está concentrada principalmente na panificação, na fabricação de tahine e na produção de doces. Cultivares com sabor mais suave podem favorecer a criação de novos produtos e ampliar a utilização do gergelim pela indústria de alimentos.
Essa característica ganha importância diante do interesse crescente dos consumidores por sementes, pastas, óleos e ingredientes associados a produtos naturais e de maior valor agregado.
Gergelim ganha espaço como alternativa ao milho safrinha
O gergelim vem se firmando como opção estratégica para a segunda safra, especialmente em regiões nas quais a redução antecipada das chuvas aumenta o risco de perdas no milho.
No Araguaia mato-grossense, por exemplo, a rusticidade e o ciclo mais curto da oleaginosa permitem diversificar o sistema produtivo e aproveitar janelas de plantio consideradas mais restritas para outras culturas.
A abertura de mercados internacionais, a adaptação às condições de clima e solo e o custo operacional relativamente baixo também contribuem para a expansão das lavouras.
A decisão de plantio, contudo, deve considerar fatores como disponibilidade de sementes, condições climáticas, estrutura de colheita, assistência técnica e contratos de comercialização.
Melgrão apresenta dupla aptidão comercial
De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro Lodea, a LCS Melgrão foi desenvolvida para oferecer alto teto produtivo e bom perfil sanitário, ampliando as alternativas disponíveis aos produtores brasileiros.
No campo, a cultivar apresenta desempenho semelhante ao da K3, um dos materiais mais plantados no Brasil. As duas possuem retenção placentária, característica que ajuda a manter os grãos nas cápsulas e reduz as perdas durante a colheita.
A principal diferença está no perfil de sabor. Enquanto a K3 apresenta característica mais amarga e é direcionada principalmente à extração de óleo, a Melgrão possui sabor doce e suave.
Esse atributo permite destinar os grãos tanto à indústria oleaginosa quanto aos mercados gourmet, alimentício e de consumo direto. A diversificação de usos pode agregar valor à produção e ampliar as possibilidades de negociação.
Cultivar pode produzir até 1.600 quilos por hectare
A janela de semeadura recomendada para a LCS Melgrão vai de 10 de fevereiro a 15 de março, período em que o regime de chuvas pode favorecer o estabelecimento e o desenvolvimento da cultura.
Com manejo populacional, nutricional e fitossanitário adequado, o material apresenta potencial produtivo de até 1.600 quilos por hectare. O ciclo varia de curto a médio e fica próximo de 90 dias.
O custo estimado de implantação está entre R$ 1.200 e R$ 1.600 por hectare, embora o valor possa variar conforme região, sistema de produção, preço dos insumos e nível tecnológico utilizado.
Segundo o pesquisador e engenheiro agrônomo Murilo Sampaio, a combinação entre ciclo reduzido, baixo custo operacional e potencial de produtividade torna o gergelim uma alternativa para agricultores interessados em diversificar a segunda safra.
China lidera destinos das exportações brasileiras
O mercado internacional representa um dos principais vetores de crescimento do gergelim brasileiro. Em 2025, a China ocupou a liderança entre os destinos do produto nacional, seguida por Índia, Turquia, Vietnã e Arábia Saudita.
Também estiveram entre os principais compradores Guatemala, Egito e Jordânia. A presença do grão brasileiro em diferentes mercados reforça a importância de padrões de qualidade, rastreabilidade, uniformidade e segurança dos alimentos.
Com a combinação de expansão da demanda externa, crescimento gradual do consumo doméstico e desenvolvimento de novas cultivares, o gergelim amplia sua relevância no planejamento agrícola brasileiro.
Nesse ambiente, a LCS Melgrão surge como mais uma alternativa para o produtor interessado em produtividade, ciclo curto e diversificação comercial, com possibilidade de atender tanto à indústria de óleo quanto aos segmentos de alimentação e consumo direto.
Fonte: Portal do Agronegócio
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