Publicidade
Arroz

El Niño forte eleva alerta para safra de arroz 2026/27 no Mercosul

Previsões indicam chuvas acima da média na primavera e no início do verão, cenário que pode reduzir as janelas para preparo do solo, semeadura, manejo e colheita


Publicado em: 25/08/2026 às 17:30hs

El Niño forte eleva alerta para safra de arroz 2026/27 no Mercosul

A possível intensificação do El Niño aumentou a atenção dos produtores e agentes do mercado sobre a safra de arroz 2026/27 no Mercosul. Alertas divulgados por diferentes instituições meteorológicas e centros de pesquisa apontam maior probabilidade de chuvas acima da média, especialmente no Uruguai, com potenciais reflexos sobre o calendário das atividades agrícolas.

A avaliação é de Sergio Cardoso, analista da cadeia produtiva do arroz. Segundo ele, a repetição e a convergência das previsões precisam ser acompanhadas com atenção, embora ainda não permitam afirmar que haverá perdas na produção.

El Niño pode se intensificar nos próximos meses

Entre os sinais mais recentes está uma análise do Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria do Uruguai (INIA). Conforme a instituição, o El Niño já estaria estabelecido, com forte intensidade e possibilidade de fortalecimento nos próximos meses.

O fenômeno climático amplia a probabilidade de precipitações acima da média durante a primavera e o começo do verão uruguaio, principalmente na região norte do país. O comportamento das chuvas também poderá afetar outras áreas produtoras de arroz do Mercosul.

Excesso de chuva ameaça calendário do arroz

No caso da rizicultura, o principal risco não está necessariamente relacionado à escassez hídrica. A preocupação concentra-se no possível excesso de precipitações durante etapas decisivas do ciclo produtivo.

Volumes elevados ou chuvas muito frequentes podem diminuir o número de dias disponíveis para operações no campo, comprometendo o ritmo de atividades como:

  • preparo das áreas;
  • semeadura;
  • aplicação de fertilizantes;
  • manejo das lavouras;
  • controle fitossanitário;
  • colheita do arroz.

A redução das janelas operacionais pode provocar atrasos no plantio e impedir que parte das lavouras seja implantada dentro do período considerado mais favorável. Além disso, dias seguidos com céu encoberto podem diminuir a luminosidade e afetar o desenvolvimento das plantas.

Previsão climática não significa quebra de safra

Apesar do cenário de atenção, Cardoso destaca que os prognósticos meteorológicos trabalham com probabilidades. Dessa forma, a presença do El Niño não representa, isoladamente, uma confirmação de problemas ou quebra na safra de arroz 2026/27.

As condições atmosféricas podem mudar ao longo dos próximos meses, alterando a distribuição, a frequência e a intensidade das precipitações. Por isso, o acompanhamento contínuo será fundamental para avaliar os efeitos efetivos do fenômeno sobre as áreas produtoras.

Produtores devem acompanhar lavouras semana a semana

Entre os principais indicadores que deverão ser monitorados estão o volume e a regularidade das chuvas, o avanço do preparo das áreas, o ritmo da semeadura e o cumprimento do calendário agrícola.

Em etapas posteriores, a atenção deverá se voltar para a disponibilidade de luminosidade, o desenvolvimento vegetativo, as condições fitossanitárias e o andamento da colheita.

Esse monitoramento poderá ajudar os produtores a ajustar o planejamento e aproveitar melhor os períodos favoráveis para as operações de campo.

Clima será decisivo para safra de arroz no Mercosul

Embora agosto ainda marque uma fase inicial na construção da temporada, o El Niño tende a permanecer entre os principais fatores de atenção para a produção de arroz no Brasil, no Uruguai e nos demais países do Mercosul.

A quantidade e a convergência dos alertas disponíveis justificam cautela, mas não alarmismo. A dimensão dos possíveis impactos dependerá do comportamento efetivo das chuvas e da capacidade dos produtores de adaptar o calendário de manejo ao longo da safra de arroz 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias