Açúcar sobe e Czarnikow elevará projeção de produção no Centro-Sul para até 39,5 milhões de toneladas
Recuperação das cotações internacionais aumenta a vantagem do açúcar sobre o etanol e pode levar usinas a ampliar o mix açucareiro na reta final da safra 2026/27
Publicado em: 25/08/2026 às 18:00hs
A forte reação dos preços do açúcar no mercado internacional deverá levar a Czarnikow a elevar novamente sua estimativa para a produção do Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27. A consultoria trabalha agora com a possibilidade de revisar a projeção para uma faixa entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas.
A nova avaliação foi apresentada por Pedro Mizutani, diretor associado da Czarnikow, após as cotações da commodity acumularem uma expressiva valorização nas últimas semanas. O movimento tornou a fabricação de açúcar mais atrativa do que a produção de etanol e abriu espaço para alterações na estratégia industrial das usinas.
Há aproximadamente duas semanas, a consultoria havia reduzido sua previsão para 38,5 milhões de toneladas. A mudança no comportamento dos preços, porém, deve resultar em uma nova revisão para cima.
Preço do açúcar avança cerca de 300 pontos em 15 dias
Segundo Mizutani, o açúcar acumulou valorização de aproximadamente 300 pontos em 15 dias e continuava avançando durante a sessão desta quinta-feira, com alta adicional próxima de 50 pontos.
“O preço do açúcar subiu muito nos últimos 15 dias. Subiu praticamente 300 pontos nos últimos 15 dias e hoje está subindo mais 50 pontos”, afirmou o executivo.
A recuperação alterou a relação de rentabilidade entre açúcar e etanol. Com o adoçante oferecendo uma remuneração mais elevada, as unidades produtoras passaram a avaliar o redirecionamento de uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação da commodity.
Usinas podem ampliar mix açucareiro na safra 2026/27
A Czarnikow considera que ainda há tempo para mudanças no mix de produção da temporada. O ajuste deve ocorrer principalmente em usinas localizadas em Mato Grosso do Sul, Goiás e outros estados situados nas regiões de fronteira agrícola.
“As usinas do Mato Grosso do Sul, Goiás, as usinas de estados de fronteira já estão pensando em mudar o mix para essa safra. Então, provavelmente, a gente vai devolver um mix maior no final dessa safra”, declarou Mizutani.
O mix representa o percentual da cana destinado à fabricação de açúcar ou etanol. A escolha das usinas considera fatores como preços internacionais do açúcar, cotações dos biocombustíveis, câmbio, contratos previamente fechados e capacidade industrial de cada unidade.
Com a melhora recente das cotações externas, a expectativa é de que os próximos resultados quinzenais mostrem uma participação maior do açúcar no processamento da matéria-prima.
“Já está começando a ir mais para o açúcar porque o preço do açúcar melhorou muito mais do que o etanol nos últimos 20 dias”, explicou o diretor.
Mercado deve registrar maior produção de açúcar nas próximas semanas
A possibilidade de revisão para até 39,5 milhões de toneladas reflete a expectativa de que as usinas aproveitem a valorização da commodity na etapa final da moagem.
Segundo Mizutani, os efeitos da mudança deverão aparecer gradualmente nos dados de produção. “Você já vai ver um mix mais açucareiro para as próximas semanas”, afirmou.
A alteração pode elevar a oferta brasileira de açúcar e reduzir proporcionalmente o volume de cana destinado ao etanol. O Brasil ocupa posição de liderança na produção e nas exportações mundiais do adoçante, o que faz com que mudanças no mix do Centro-Sul tenham influência direta sobre o balanço global da commodity.
Possível importação de açúcar pela Índia impulsiona cotações
A recente valorização do açúcar foi estimulada principalmente pela possibilidade de a Índia importar aproximadamente 1 milhão de toneladas, segundo a Czarnikow.
“Foi essa notícia da Índia que fez com que o mercado voltasse a subir”, disse Mizutani.
A Índia está entre os maiores produtores e consumidores mundiais de açúcar. Uma eventual necessidade de importação altera as expectativas de oferta e demanda global, especialmente em um período no qual o mercado acompanha as condições climáticas nos principais países produtores.
A perspectiva de compras indianas reduziu parte da pressão baixista que vinha predominando nas negociações e voltou a direcionar a atenção dos investidores para possíveis restrições na disponibilidade internacional.
El Niño pode trazer novos riscos à oferta de açúcar
Além da demanda indiana, o mercado começa a monitorar os efeitos de um possível El Niño sobre os canaviais brasileiros. Na avaliação de Mizutani, os riscos climáticos ainda não foram totalmente incorporados aos preços.
O fenômeno poderá provocar chuvas acima do normal no Centro-Sul entre setembro e novembro. Caso isso ocorra, o excesso de umidade poderá interromper a moagem, reduzir o ritmo da colheita e dificultar o encerramento da safra 2026/27.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de redução das precipitações no início de 2027, fase importante para o crescimento e o desenvolvimento da cana que será colhida na próxima temporada.
A combinação entre chuvas excessivas na reta final da safra atual e menor disponibilidade hídrica durante a formação da próxima colheita poderá limitar a oferta futura. Se os riscos climáticos se confirmarem, a Czarnikow avalia que os preços internacionais do açúcar ainda poderão registrar novas altas.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias