Diesel tem influência limitada sobre os preços do óleo de soja, aponta análise
Estudo mostra que as oscilações do combustível explicam apenas 3,1% da incerteza no mercado da oleaginosa, enquanto a relação entre petróleo e diesel é significativamente mais forte
Publicado em: 25/08/2026 às 17:00hs
As oscilações do diesel exercem influência limitada sobre o comportamento dos preços do óleo de soja. Embora exista uma conexão entre os mercados de energia e de oleaginosas, a maior parte das variações da commodity continua sendo determinada por outros fundamentos, segundo análise do especialista em finanças agrícolas Thiago Gil.
O levantamento avaliou a relação entre petróleo, diesel e óleo de soja para identificar em que medida as movimentações do setor energético ajudam a antecipar ou explicar as mudanças nas cotações do derivado da oleaginosa.
Os resultados indicam uma ligação mais consistente entre petróleo e diesel. Quando a análise avança até o óleo de soja, entretanto, a capacidade explicativa diminui consideravelmente.
Diesel reduz apenas 3,1% da incerteza sobre o óleo de soja
A avaliação utilizou o conceito de informação mútua, uma medida estatística empregada para identificar relações lineares e não lineares entre diferentes variáveis.
No estudo, os retornos diários do diesel e do óleo de soja foram divididos em cinco faixas de igual frequência, variando de movimentos muito baixos a muito altos. Posteriormente, o método comparou o grau de incerteza sobre o retorno do óleo de soja antes e depois de ser conhecida a faixa de variação do combustível.
A informação mútua entre diesel e óleo de soja foi calculada em 0,0495, equivalente a aproximadamente 3,1% da área de incerteza analisada. Na prática, saber como o diesel se comportou reduz apenas uma pequena parcela das dúvidas sobre a direção dos preços do óleo de soja.
O resultado demonstra que, apesar de o combustível acrescentar alguma informação à análise do mercado, seu poder de antecipar as oscilações da commodity é reduzido.
Petróleo apresenta relação mais forte com o diesel
O contraste aparece quando são comparados os retornos do petróleo e do diesel. Nesse caso, a informação mútua alcançou 0,4046, correspondendo a 25,1% da área de incerteza considerada no levantamento.
O cálculo teve como base 3.424 retornos diários registrados entre 2013 e 2026. Assim como na avaliação envolvendo o óleo de soja, os dados foram organizados em cinco faixas definidas por quantis.
A diferença mostra que o petróleo oferece informações significativamente mais relevantes para compreender o comportamento do diesel. Essa relação é esperada devido à ligação direta entre a matéria-prima fóssil, os custos de refino e a formação dos preços dos combustíveis.
Biodiesel conecta energia e complexo da soja
A associação entre os mercados de energia e de soja ocorre principalmente por meio do biodiesel e da utilização de óleos vegetais na produção do biocombustível. Dessa forma, alterações no preço do petróleo e do diesel podem influenciar a competitividade e a demanda pelo óleo de soja.
Essa conexão, porém, perde intensidade ao longo da cadeia. O sinal transmitido pelo mercado de petróleo chega de maneira enfraquecida ao óleo de soja, enquanto fatores específicos do complexo da oleaginosa continuam exercendo maior influência sobre as cotações.
Entre esses fundamentos estão a oferta global de soja, o ritmo de esmagamento, a disponibilidade de óleo vegetal, a demanda dos setores alimentício e energético, as políticas de mistura de biodiesel e as perspectivas para as safras dos principais países produtores.
Preço do óleo de soja depende de múltiplos fundamentos
A análise reforça que o comportamento do diesel não deve ser utilizado isoladamente como indicador para projetar os preços do óleo de soja. Embora exista um canal de transmissão entre os dois mercados, o nível elevado de ruído reduz a capacidade de previsão.
Para produtores, indústrias, tradings e investidores, a leitura do mercado exige o acompanhamento conjunto dos preços do petróleo, das políticas de biocombustíveis, da oferta agrícola, do esmagamento e da demanda internacional.
O diesel, portanto, pode funcionar como uma variável complementar na avaliação do complexo da soja, mas não substitui a análise ampla dos fundamentos que determinam a formação dos preços da oleaginosa.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias