Gasolina cai para R$ 6,72, mas diesel sobe e aumenta pressão sobre custos logísticos
Redução de tributos ajuda a baixar o preço da gasolina em 0,30% na primeira quinzena de setembro; diesel S-10 avança 0,42% e etanol sobe 1,69% nos postos
Publicado em: 17/09/2026 às 18:20hs
O preço médio da gasolina recuou 0,30% nos postos brasileiros na primeira quinzena de setembro, na comparação com o mesmo período de agosto, e chegou a R$ 6,72 por litro. O movimento ocorreu após a redução dos tributos federais incidentes sobre o combustível.
Enquanto a gasolina ficou mais barata, o diesel S-10 avançou 0,42%, para R$ 7,11 por litro, interrompendo a trajetória de queda observada em agosto. O etanol hidratado também subiu, com alta de 1,69% e preço médio de R$ 4,21 por litro.
Os dados fazem parte do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), calculado com base nos abastecimentos realizados em 21 mil postos credenciados no país.
Redução de tributos contribui para queda da gasolina
O recuo da gasolina aconteceu após o governo federal reduzir as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins cobradas sobre o combustível.
Na mesma ocasião, a Petrobras retirou um desconto concedido às distribuidoras dentro de outro programa de subsídio federal que chegou ao fim. Consideradas as duas alterações, o efeito líquido estimado para as distribuidoras foi uma redução de R$ 0,19 por litro no preço com tributos.
A estatal chegou a anunciar uma mudança em seus preços, mas reviu a decisão no dia seguinte. O impacto efetivo ao consumidor depende do repasse realizado ao longo da cadeia, que inclui refinarias, importadores, distribuidoras e postos.
Diesel S-10 sobe para R$ 7,11 por litro
O comportamento do diesel foi diferente. Depois do alívio registrado em agosto, o combustível voltou a subir durante a primeira metade de setembro.
O preço médio do diesel S-10 passou para R$ 7,11 por litro, alta de 0,42% na comparação com a primeira quinzena do mês anterior.
A elevação merece atenção do agronegócio porque o diesel tem forte participação nos custos de transporte rodoviário, operação de máquinas agrícolas e deslocamento da produção entre propriedades, armazéns, indústrias e portos.
Uma alta persistente pode afetar o preço do frete e pressionar as margens dos produtores, principalmente em regiões mais distantes dos centros consumidores e corredores de exportação.
Petróleo acima de US$ 105 amplia preocupação com preços
O avanço do diesel ocorreu em um período de valorização do petróleo no mercado internacional. Segundo o levantamento, o barril do Brent superou US$ 105 diante das preocupações com a oferta global.
O cenário foi influenciado por ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, ações contra refinarias russas e riscos envolvendo importantes rotas marítimas do Oriente Médio.
“A dinâmica internacional é um dos elementos que deve ser acompanhado de perto. Uma eventual manutenção do petróleo em patamares elevados pode ampliar a pressão sobre a relação entre os preços praticados nas refinarias e as referências internacionais, sobretudo no diesel, combustível de maior peso na operação do transporte rodoviário”, afirma Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade.
Segundo o executivo, as condições do mercado reforçam a necessidade de monitorar os possíveis movimentos dos combustíveis e os reflexos sobre os custos logísticos.
Defasagem do diesel preocupa importadores
A alta internacional do diesel ampliou a diferença entre as referências externas e os preços praticados pela Petrobras. De acordo com executivos dos setores de distribuição e importação ouvidos pela Reuters, essa defasagem alcançou níveis recordes em setembro.
O cenário levou importadores a adiar decisões de compra e aumentou a preocupação com eventuais restrições localizadas de oferta e distorções regionais no abastecimento.
A Petrobras mantém os preços do diesel estáveis enquanto participa de um programa de subvenção do governo federal. A estabilidade doméstica, porém, pode reduzir a atratividade das importações quando o produto negociado no exterior fica significativamente mais caro.
O Brasil importa aproximadamente 30% do diesel consumido. O abastecimento externo é realizado pela Petrobras, distribuidoras, importadoras e outros agentes, enquanto produtores privados também participam da oferta nacional.
Alta do diesel pode chegar ao custo do agronegócio
A dependência das rodovias torna o preço do diesel uma variável estratégica para a produção agropecuária. O combustível influencia os gastos com preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte de cargas.
O impacto tende a ser mais intenso durante períodos de maior movimentação de grãos, fertilizantes e outros insumos. Se a elevação persistir, os custos adicionais podem ser incorporados aos fretes contratados pelo setor.
O acompanhamento do mercado internacional e da disponibilidade interna será decisivo para avaliar se a alta observada na primeira quinzena representa uma oscilação pontual ou o começo de um movimento mais prolongado.
Etanol sobe com atrasos na moagem da cana
O etanol hidratado, concorrente direto da gasolina nos veículos flex, apresentou a maior variação entre os combustíveis avaliados.
O biocombustível subiu 1,69% na primeira metade de setembro e atingiu o preço médio nacional de R$ 4,21 por litro.
A valorização nos postos acompanha o aumento das cotações nas usinas. As chuvas atrasaram a moagem da cana-de-açúcar em algumas regiões e reduziram a disponibilidade imediata do produto.
Com a gasolina em queda e o etanol em alta, a relação de preços entre os dois combustíveis pode mudar para o consumidor. A competitividade do etanol, contudo, varia conforme o rendimento de cada veículo e os valores praticados em cada região.
O início de setembro, portanto, mostra tendências distintas no mercado de combustíveis: redução moderada da gasolina após o corte de tributos, valorização do etanol diante das condições de oferta e pressão sobre o diesel causada pelo cenário internacional do petróleo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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