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Etanol

Etanol sobe para R$ 2,46 por litro com demanda aquecida e mudanças tributárias

Alta do açúcar, interrupções na moagem e avanço do consumo sustentam preços; testes com mistura de 35% na gasolina podem adicionar até 2,5 bilhões de litros à demanda anual


Publicado em: 17/09/2026 às 18:00hs

Etanol sobe para R$ 2,46 por litro com demanda aquecida e mudanças tributárias

O mercado brasileiro de etanol ganhou sustentação com a recuperação do consumo, a valorização do açúcar e as mudanças tributárias aplicadas aos combustíveis. Nas usinas de São Paulo, o preço do etanol hidratado avançou de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 por litro na semana encerrada em 11 de setembro.

A análise consta no Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Segundo o levantamento, a combinação de preços mais firmes, demanda crescente e ajustes regulatórios melhora as perspectivas de remuneração para os produtores, apesar das incertezas climáticas e tributárias no curto prazo.

Etanol permanece competitivo diante da gasolina

Mesmo com a valorização registrada nas usinas, o etanol hidratado continuou mais competitivo que a gasolina no Estado de São Paulo. A relação entre os preços dos dois combustíveis permaneceu abaixo de 60% no período analisado.

A recuperação das cotações foi favorecida por três fatores principais: a alta do açúcar no mercado, a melhora do consumo doméstico de etanol e as interrupções na moagem de cana-de-açúcar provocadas pelas chuvas atípicas em um ano marcado por um El Niño muito forte.

Com menos regularidade na operação das usinas e maior atratividade do açúcar, a oferta de etanol encontrou suporte, contribuindo para a reação dos preços.

Vendas de etanol hidratado atingem recorde em julho

As distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado em julho, o maior volume já registrado para o mês.

O resultado superou as expectativas da Consultoria Agro do Itaú BBA, que projetava uma recuperação mais consistente da demanda somente a partir de agosto.

A perspectiva é de continuidade do crescimento do consumo, movimento que pode favorecer a consolidação de preços mais remuneradores para as usinas. A elevada competitividade do biocombustível em relação à gasolina aparece como um dos principais estímulos para essa expansão.

Mistura de 35% pode ampliar demanda por etanol anidro

No ambiente regulatório, uma das principais expectativas envolve a possibilidade de elevar para 35% a mistura de etanol anidro na gasolina.

De acordo com o relatório, o Ministério de Minas e Energia deve publicar uma portaria autorizando testes para avaliar a viabilidade técnica da nova composição do combustível.

Caso seja implementada, a elevação da mistura poderá gerar uma demanda adicional estimada entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de litros de etanol anidro por ano.

A medida teria potencial para ampliar o consumo estrutural do biocombustível, reduzir a dependência da gasolina e abrir espaço para novos investimentos na produção de etanol de cana-de-açúcar e de milho.

Nova lei preserva competitividade dos biocombustíveis

Outro ponto relevante foi a sanção, em 27 de agosto, da Lei Complementar nº 235. A legislação estabelece mecanismos para preservar a vantagem competitiva dos biocombustíveis diante de reduções tributárias concedidas aos combustíveis fósseis.

Com base nessa regra, o PIS/Cofins incidente sobre o etanol hidratado foi zerado para compensar a redução de R$ 0,63 por litro aplicada ao mesmo tributo sobre a gasolina A.

Ao mesmo tempo, a Petrobras encerrou o desconto de R$ 0,44 por litro concedido às distribuidoras. A subvenção deixou de vigorar após a perda de validade, em 9 de setembro, da medida provisória que sustentava legalmente o benefício.

Mudanças podem elevar preço recebido pelas usinas

Antes dos ajustes, a incidência de PIS/Cofins era de R$ 0,79 por litro sobre a gasolina A e de R$ 0,19 por litro sobre o etanol anidro e o hidratado. A gasolina também recebia o desconto de R$ 0,44 por litro destinado às distribuidoras.

Entre 10 de setembro e 9 de outubro, o PIS/Cofins sobre a gasolina A passou para R$ 0,16 por litro, enquanto o tributo sobre o etanol hidratado foi reduzido a zero. Para o anidro, a cobrança permaneceu em R$ 0,19 por litro.

Na avaliação do Itaú BBA, as mudanças combinadas podem ampliar em até dois pontos percentuais a paridade potencial do etanol hidratado diante da gasolina, caso o preço pago ao produtor permaneça inalterado.

Em outro cenário, com manutenção da mesma relação de competitividade entre os combustíveis, o preço potencial recebido pelas usinas pode aumentar cerca de 5%, considerando margens constantes.

Tributação mantém incerteza no mercado de combustíveis

Apesar dos efeitos positivos, as novas alíquotas de PIS/Cofins têm vigência prevista somente entre 10 de setembro e 9 de outubro. O caráter temporário mantém a tributação dos combustíveis entre os principais pontos de atenção para o setor.

A definição das regras após esse período será importante para a formação dos preços e para a competitividade do etanol nas bombas.

O mercado também acompanha a volatilidade do petróleo, o avanço das margens internacionais de refino e a diferença entre os preços da gasolina brasileira e do produto importado.

Demanda sustenta perspectiva mais favorável para o etanol

A expansão do consumo doméstico, a possibilidade de aumento da mistura obrigatória na gasolina e a proteção tributária aos biocombustíveis formam um cenário mais construtivo para o etanol.

Embora persistam riscos ligados ao clima, à moagem da cana-de-açúcar e às decisões regulatórias, a continuidade da demanda tende a sustentar preços mais favoráveis aos produtores.

Para o Itaú BBA, a evolução do mercado dependerá principalmente da competitividade do hidratado diante da gasolina, da política de mistura do anidro e das definições tributárias previstas para as próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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