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Adubos e Fertilizantes

Brasil importa 93% dos fertilizantes e enfrenta alta de custos e riscos no abastecimento

Dependência externa expõe o agronegócio brasileiro a oscilações internacionais, restrições comerciais e gargalos logísticos; uso estratégico de dados pode reduzir desperdícios e elevar o retorno no campo


Publicado em: 17/09/2026 às 17:30hs

Brasil importa 93% dos fertilizantes e enfrenta alta de custos e riscos no abastecimento

A elevada dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados amplia a exposição do agronegócio às oscilações de preços, às barreiras comerciais e aos problemas logísticos internacionais. Como o país compra no exterior 93% dos insumos que consome, qualquer dificuldade entre a origem da mercadoria e a propriedade rural pode pressionar os custos e afetar o planejamento das lavouras.

Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume evidencia a importância do mercado internacional para a manutenção da produção agropecuária nacional.

Os números de 2026 também mostram que uma redução nas compras não representa necessariamente menor desembolso. Entre janeiro e maio, as importações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados recuaram 8,7%, enquanto o preço médio de internalização aumentou 14,4%.

Com isso, os gastos cresceram mesmo diante da entrada de um volume menor de insumos no país.

Dependência externa amplia vulnerabilidade do agronegócio

A concentração das compras no exterior torna o setor mais sensível a mudanças cambiais, conflitos geopolíticos, restrições comerciais e alterações na oferta dos países fornecedores.

De acordo com Sergio Rocha, fundador e CEO da Agrotools, o desafio não se limita à quantidade importada ou à capacidade brasileira de ampliar a produção doméstica. A segurança no abastecimento também depende da eficiência logística e do aproveitamento de cada tonelada aplicada nas lavouras.

A vulnerabilidade acompanha o fertilizante durante todo o percurso. Atrasos na descarga dos navios, falta de espaço para armazenagem e dificuldades no transporte rodoviário podem elevar os custos e comprometer o calendário de aplicação.

Quando o insumo não chega no momento agronomicamente adequado, o impacto pode aparecer na produtividade e na rentabilidade da safra.

Dados ajudam a elevar a eficiência dos fertilizantes

Dentro das propriedades, o uso eficiente dos fertilizantes exige conhecimento detalhado das características de cada área. Aplicações uniformes em talhões com necessidades diferentes podem provocar deficiência de nutrientes em alguns pontos e excesso em outros.

Análises de solo, mapas de produtividade, informações climáticas e dados históricos das lavouras ajudam a definir doses mais adequadas para cada ambiente produtivo. Essas ferramentas também permitem acompanhar a resposta das culturas e corrigir estratégias ao longo dos ciclos.

A integração das informações agronômicas com dados de logística, custos de transporte e disponibilidade regional amplia a previsibilidade das operações. Dessa forma, produtores e empresas podem organizar as compras, reduzir desperdícios e direcionar os insumos para as áreas com maior potencial de retorno.

Eficiência passa a ser estratégica para reduzir custos

Diante da forte dependência externa, aumentar o aproveitamento dos fertilizantes torna-se uma estratégia para proteger as margens do produtor. O objetivo não é apenas garantir que o produto chegue à fazenda, mas assegurar que sua aplicação gere resultado agronômico e econômico.

“Do porto ao talhão, a segurança dos fertilizantes não depende apenas de quanto o Brasil consegue importar ou produzir. Depende também de quanto consegue transformar cada tonelada em produtividade, margem e segurança para quem produz. Nessa equação, informação de qualidade deixou de ser diferencial. É infraestrutura para a agricultura”, afirma Sergio Rocha.

O cenário reforça que a segurança dos fertilizantes no Brasil envolve três frentes complementares: diversificação das fontes de abastecimento, melhoria da infraestrutura logística e adoção de tecnologias capazes de orientar o uso mais preciso dos nutrientes no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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