Exportações do agronegócio para países do Golfo voltam a crescer e Brasil aposta em recuperação das vendas no segundo semestre
Embarques para o Conselho de Cooperação do Golfo avançaram em junho após meses de impactos causados pelo conflito no Oriente Médio. Açúcar, carnes, milho e soja seguem entre os principais produtos exportados pelo agronegócio brasileiro
Publicado em: 20/07/2026 às 12:00hs
As exportações brasileiras para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) apresentaram sinais de recuperação em junho, reforçando a expectativa de melhora no comércio exterior do agronegócio brasileiro no segundo semestre de 2026. Após meses de dificuldades logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio e pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz, as vendas voltaram a crescer.
Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que os embarques para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Omã somaram US$ 758,14 milhões em junho, alta de 1,25% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Embora o crescimento ainda seja moderado, o resultado interrompe a sequência de perdas observadas desde o início das tensões na região e fortalece a expectativa de retomada gradual do fluxo comercial.
Conflito no Oriente Médio alterou logística das exportações
Desde fevereiro, o conflito militar na região comprometeu o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo. A restrição elevou custos logísticos e obrigou exportadores brasileiros a redesenhar suas operações para manter o abastecimento dos mercados árabes.
Segundo a Câmara Árabe, empresas brasileiras passaram a utilizar portos localizados no Mar Vermelho, além da combinação de transporte rodoviário e aéreo, garantindo a continuidade dos embarques mesmo diante dos desafios logísticos.
Apesar desse esforço, o primeiro semestre ainda registra impacto negativo.
Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo totalizaram US$ 4,17 bilhões, resultado 4,01% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Demanda por alimentos continua elevada nos países árabes
Para o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, ainda é cedo para confirmar uma recuperação definitiva, mas os indicadores são positivos.
Segundo ele, o Brasil manteve sua posição como principal fornecedor de alimentos da região, sem perda significativa de participação de mercado.
Outro fator considerado estratégico é a aproximação do período de formação de estoques para o Ramadã, tradicionalmente responsável pelo aumento das importações de alimentos nos países árabes.
Como a celebração ocorrerá em fevereiro de 2027, a expectativa é de crescimento dos embarques entre setembro e novembro, período historicamente marcado pelo reforço das compras internacionais.
Liga Árabe amplia compras do Brasil
Enquanto o Conselho do Golfo ainda apresenta saldo negativo no acumulado do ano, o desempenho do Brasil junto aos 22 países da Liga Árabe é positivo.
As exportações brasileiras para a região cresceram 3,73% no primeiro semestre, alcançando US$ 9,56 bilhões.
Entre os principais mercados, destacam-se:
- Emirados Árabes Unidos: US$ 1,72 bilhão (+6,01%);
- Arábia Saudita: US$ 1,51 bilhão (+11%);
- Egito: US$ 1,68 bilhão (+31,73%);
- Argélia: US$ 1,32 bilhão (+12,49%).
Os resultados demonstram que, mesmo diante das dificuldades logísticas, a demanda por produtos brasileiros permanece consistente.
Agronegócio responde por 75% das exportações
O agronegócio continua sendo o principal motor das exportações brasileiras para os países árabes, representando aproximadamente 75% de toda a pauta comercial.
No primeiro semestre, os embarques do setor alcançaram US$ 7,03 bilhões, crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nos países do Golfo, especificamente, as exportações do agro movimentaram US$ 2,58 bilhões, registrando leve retração de 1,06%, desempenho considerado resiliente diante das restrições logísticas.
Açúcar, carnes, milho e soja lideram a pauta exportadora
Os principais produtos do agronegócio exportados para os mercados árabes foram:
- Açúcar: US$ 1,79 bilhão (-7,45%);
- Carne de frango: US$ 1,57 bilhão (-9,99%);
- Milho: US$ 794,9 milhões (+49,51%);
- Carne bovina: US$ 792,27 milhões (+7,33%);
- Soja: US$ 758,49 milhões (+14,19%).
O expressivo avanço das exportações de milho, soja e carne bovina compensou parte das perdas registradas em açúcar e carne de frango, mantendo o desempenho geral dentro das oscilações consideradas normais para o comércio internacional.
Perspectiva é de crescimento das exportações até o fim do ano
A avaliação da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira é que o cenário tende a melhorar nos próximos meses, impulsionado pela manutenção da demanda por alimentos e pela adaptação das cadeias logísticas.
Caso o fluxo comercial continue se normalizando, o Brasil poderá encerrar 2026 com crescimento das receitas provenientes dos mercados árabes, consolidando sua posição como um dos principais fornecedores globais de alimentos para a região.
A expectativa é de que o agronegócio brasileiro siga desempenhando papel estratégico na segurança alimentar dos países do Oriente Médio, especialmente no fornecimento de proteínas animais, açúcar, milho e soja, produtos que permanecem entre os mais demandados pelos importadores árabes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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