Publicidade
Análise de Mercado

Exportações do agronegócio brasileiro saltam de US$ 37,7 bilhões para US$ 166,6 bilhões em 20 anos

Mapa do comércio global elaborado pelo Rabobank mostra avanço da soja, diversificação dos mercados e liderança da China, mas também revela forte dependência externa de fertilizantes e defensivos agrícolas


Publicado em: 16/09/2026 às 18:20hs

Exportações do agronegócio brasileiro saltam de US$ 37,7 bilhões para US$ 166,6 bilhões em 20 anos

O valor médio anual das exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicou em duas décadas, passando de US$ 37,7 bilhões no período de 2003 a 2005 para US$ 166,6 bilhões entre 2023 e 2025. Os dados fazem parte do “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food & Agribusiness, do Rabobank.

O crescimento de US$ 128,9 bilhões foi sustentado principalmente pela soja, responsável pela maior parcela da expansão. Carnes, açúcar, milho, café, celulose e algodão também ampliaram a presença brasileira no comércio internacional.

Além de demonstrar a força exportadora do país, o levantamento expõe uma vulnerabilidade estratégica: a elevada dependência de fornecedores estrangeiros para o abastecimento de fertilizantes e defensivos agrícolas.

A China consolidou-se como principal destino dos produtos agropecuários brasileiros, com 33% do valor exportado na média de 2023 a 2025. O país asiático também aparece como importante fornecedor dos insumos utilizados no campo.

Soja lidera crescimento das exportações do agro

Entre as commodities analisadas, a soja foi o principal motor da expansão das exportações brasileiras. O complexo acrescentou US$ 41,6 bilhões ao valor médio anual dos embarques na comparação entre os períodos de 2003-2005 e 2023-2025.

O açúcar respondeu por um aumento de US$ 13,3 bilhões, enquanto a carne bovina adicionou US$ 11,4 bilhões. O milho contribuiu com US$ 9,6 bilhões e o café verde, com US$ 9,3 bilhões.

A expansão da celulose acrescentou US$ 7,7 bilhões ao resultado. Na sequência aparecem a carne de frango, com US$ 7 bilhões; o algodão, com US$ 4 bilhões; e a carne suína, com US$ 2,3 bilhões.

Outros produtos do agronegócio, somados, responderam por um crescimento de US$ 22,7 bilhões.

O avanço mostra que a expansão das vendas externas não ficou restrita aos grãos. Proteínas animais, produtos florestais, fibras e culturas tradicionais também contribuíram para elevar a participação brasileira no abastecimento mundial.

China responde por 33% do valor exportado

A China foi o mercado que mais ampliou as compras do agronegócio brasileiro nas últimas duas décadas. O país respondeu por US$ 52,3 bilhões do crescimento registrado entre os dois períodos analisados.

Na média de 2023 a 2025, os chineses concentraram 33% do valor total das exportações agropecuárias brasileiras. O resultado coloca o país muito à frente dos demais destinos e confirma sua relevância para cadeias como soja, carnes, açúcar e celulose.

Outros países da Ásia, sem considerar a China, representaram 17,4% do valor exportado. A União Europeia respondeu por 14%, enquanto o Oriente Médio teve participação de 7,6%.

A África concentrou 7% das vendas, os Estados Unidos responderam por 6,7% e o Mercosul, por 3,1%. Os demais mercados reuniram 11,3% das exportações.

Ásia adiciona quase US$ 77 bilhões às compras do agro brasileiro

Quando a China e os demais mercados asiáticos são considerados em conjunto, a região respondeu por quase US$ 77 bilhões da expansão das exportações brasileiras entre as médias de 2003-2005 e 2023-2025.

Fora da China, os países asiáticos acrescentaram US$ 24,6 bilhões às compras. A União Europeia contribuiu com US$ 11,2 bilhões, enquanto o Oriente Médio adicionou US$ 10 bilhões.

As vendas para a África aumentaram US$ 9,4 bilhões. Estados Unidos e Mercosul contribuíram, respectivamente, com avanços de US$ 5,6 bilhões e US$ 3,7 bilhões.

Outros destinos responderam por uma expansão conjunta de US$ 12,2 bilhões.

Os números mostram que, embora a China tenha liderado o crescimento, o agronegócio brasileiro também avançou em diferentes regiões. Essa diversificação ajuda a ampliar as oportunidades comerciais, mas a concentração no mercado chinês mantém o setor exposto a mudanças econômicas, sanitárias e geopolíticas no país asiático.

Brasil amplia posição como fornecedor mundial de alimentos

O mapa elaborado pelo Rabobank destaca o Brasil entre os maiores produtores e exportadores globais de diversas commodities agrícolas.

O país ocupa posições de liderança em produtos como soja, açúcar, café, milho, carne bovina, carne de frango, celulose e suco de laranja. Essa presença permite atender mercados na Ásia, Europa, América do Norte, Oriente Médio, África e América do Sul.

Os fluxos comerciais também demonstram a complementaridade entre as diferentes cadeias. Enquanto mercados asiáticos absorvem grandes volumes de soja, milho e carnes, países europeus e norte-americanos têm participação relevante nas compras de café, celulose, açúcar e outros produtos de maior valor agregado.

No Mercosul, o intercâmbio envolve produtos como trigo, café, carne bovina, cevada, leite em pó, milho, arroz, papel, erva-mate, soja, malte, carne suína, cerveja, manteiga de cacau e preparações alimentícias.

Rússia e China lideram fornecimento de fertilizantes

A expansão produtiva e exportadora do agronegócio brasileiro contrasta com a dependência do país na aquisição de insumos agrícolas. Em 2025, as importações de fertilizantes somaram US$ 14,2 bilhões, segundo os dados reunidos no levantamento.

A Rússia respondeu por 28% do valor importado, ocupando a liderança entre os fornecedores. A China apareceu em segundo lugar, com participação de 21%.

O Canadá concentrou 11% das importações e o Marrocos, 8%. Nigéria respondeu por 5%, enquanto Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel tiveram participação de 4% cada. Outros países representaram os 15% restantes.

O abastecimento brasileiro de nutrientes depende de uma rede internacional que envolve fornecedores de potássio, fósforo e nitrogênio localizados na América do Norte, Europa, África, Oriente Médio e Ásia.

A concentração das compras em poucos mercados aumenta a exposição do produtor brasileiro a conflitos geopolíticos, restrições comerciais, variações cambiais e problemas logísticos.

China fornece 43% dos defensivos importados

A dependência também aparece no mercado de defensivos agrícolas. As importações brasileiras desses produtos alcançaram US$ 13,8 bilhões em 2025.

A China respondeu por 43% desse valor, quase metade das compras realizadas pelo Brasil. A Índia apareceu na sequência, com participação de 15%.

Os Estados Unidos concentraram 11% das importações, enquanto a Alemanha respondeu por 8% e a Suíça, por 6%. Outros fornecedores reuniram 17% do total.

A forte participação asiática reforça a importância da China e da Índia para o abastecimento da agricultura brasileira, especialmente em um momento no qual a disponibilidade e o custo dos insumos influenciam diretamente as margens dos produtores.

Potência exportadora convive com dependência de insumos

O “Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026” apresenta duas faces da inserção internacional do setor. De um lado, o país consolidou uma plataforma exportadora capaz de atender dezenas de mercados e gerar, em média, mais de US$ 166 bilhões por ano.

De outro, a produção depende fortemente da importação de fertilizantes e defensivos. Somadas, as compras externas desses dois grupos movimentaram aproximadamente US$ 28 bilhões em 2025.

Esse cenário coloca a segurança do abastecimento de insumos entre os principais desafios estratégicos do agronegócio. A diversificação dos fornecedores, o fortalecimento da produção nacional e a ampliação da eficiência no uso de nutrientes e defensivos tornam-se fatores relevantes para reduzir riscos.

Ao mesmo tempo, a distribuição das exportações entre China, demais países asiáticos, União Europeia, Oriente Médio, África, Estados Unidos e Mercosul mostra que o crescimento futuro dependerá da manutenção dos mercados já conquistados e da abertura de novos destinos para os produtos brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias