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Aveia, Trigo e Cevada

Colheita do trigo avança para 18%, mas geadas e excesso de chuva ameaçam lavouras

Ritmo nacional supera 2025 e a média histórica, enquanto frio no Rio Grande do Sul, doenças no Sul e perda de qualidade em São Paulo aumentam a preocupação dos produtores


Publicado em: 16/09/2026 às 19:00hs

Colheita do trigo avança para 18%, mas geadas e excesso de chuva ameaçam lavouras
Foto: Gui Benck

A colheita da safra brasileira de trigo alcançou 18% da área cultivada até 11 de setembro, avanço de 6,5 pontos percentuais em uma semana. O ritmo supera tanto o registrado no mesmo período de 2025 quanto a média das últimas cinco temporadas, mas os efeitos do clima mantêm produtores e técnicos em alerta nas principais regiões produtoras.

Na semana anterior, 11,5% das lavouras haviam sido colhidas. No mesmo período do ano passado, o índice era de 13,8%, enquanto a média histórica estava em 16,5%.

Apesar do avanço nacional, geadas atingiram áreas em estágios reprodutivos no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina e no Paraná, o excesso de umidade dificulta os manejos e favorece doenças. Já em São Paulo, as chuvas interromperam a colheita e provocaram perda de qualidade dos grãos, especialmente na região de Itapeva.

Geadas atingem trigo em fase reprodutiva no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as baixas temperaturas provocaram danos principalmente nas lavouras que estavam em estágios reprodutivos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mesmo com as ocorrências pontuais, o potencial de rendimento da safra estadual permanece mantido até o momento.

Levantamento da Emater/RS-Ascar mostra que aproximadamente 70% das lavouras gaúchas estão entre a floração e o enchimento de grãos. Essas fases são consideradas sensíveis ao frio intenso, pois as geadas podem prejudicar a formação das espigas e o desenvolvimento dos grãos.

A extensão dos prejuízos ainda não pode ser determinada. A avaliação dependerá da intensidade das geadas, do tempo de exposição das plantas às baixas temperaturas e do estágio de desenvolvimento de cada área.

Além do frio, o manejo sanitário exige atenção. Nas lavouras em florescimento, a giberela e outras doenças de espiga representam risco à produtividade e à qualidade do trigo.

Excesso de umidade eleva pressão de doenças em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a umidade elevada continua dificultando as operações nas lavouras. Nas regiões Oeste e Extremo Oeste, as áreas mais precoces começam a entrar na fase de enchimento de grãos, enquanto, em outras localidades, as plantas ainda estão em perfilhamento ou alongamento.

O excesso de chuva e o prolongamento do período de molhamento foliar criam condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças. O cenário exige acompanhamento constante e pode limitar a realização dos tratamentos fitossanitários dentro do momento adequado.

A previsão de novas precipitações mantém o risco elevado, especialmente nas áreas em fases mais avançadas do ciclo.

Colheita chega a 20% no Paraná, mas chuva interrompe trabalhos

No Paraná, a colheita alcançou 20% da área destinada ao trigo. O avanço, entretanto, foi interrompido em algumas regiões pelas chuvas registradas durante a última semana.

Em Pato Branco, no Sudoeste paranaense, as lavouras apresentam visualmente boas condições, mas produtores relatam aumento da pressão de doenças. Algumas áreas já estão prontas para a colheita, e a continuidade das precipitações pode comprometer o potencial produtivo e a qualidade dos grãos.

A região também enfrenta uma nova redução da área semeada. A estimativa local indica retração próxima de 30% nesta temporada, após queda de aproximadamente 35% no ciclo anterior.

A diminuição consecutiva do cultivo pode reduzir a oferta regional de trigo, enquanto o excesso de umidade aumenta a incerteza sobre o volume e o padrão do produto que chegará ao mercado.

Chuva provoca perda de qualidade do trigo em São Paulo

Em São Paulo, os impactos das precipitações já aparecem com maior intensidade. Conforme a Conab, as chuvas fortes impediram o avanço da colheita, favoreceram doenças de final de ciclo e reduziram a qualidade dos grãos.

Os principais problemas foram observados na região de Itapeva, importante polo produtor de trigo do estado. Nas áreas maduras, a permanência dos grãos no campo sob excesso de umidade pode aumentar as perdas qualitativas e dificultar a comercialização.

Em Minas Gerais, a colheita continua avançando nas áreas irrigadas. A atenção está concentrada nas lavouras em maturação que receberam chuva durante a semana, devido ao risco de comprometimento do padrão dos grãos.

Previsão mantém clima no centro das atenções

As condições meteorológicas continuarão determinando o ritmo da colheita e o potencial de rendimento do trigo nas próximas semanas.

A previsão da Conab aponta possibilidade de novas restrições provocadas pelo excesso de umidade, com volumes elevados de chuva especialmente no Paraná e em Santa Catarina. Em São Paulo, as lavouras em maturação ou prontas para a retirada também permanecem vulneráveis.

Embora a colheita nacional esteja mais adiantada que em 2025 e acima da média histórica, os efeitos das geadas, das chuvas e das doenças podem gerar resultados diferentes entre estados e regiões. A disponibilidade de janelas de tempo seco será decisiva para retirar os grãos do campo e preservar produtividade e qualidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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