Safra de laranja sobe para 263,2 milhões de caixas, mas segue 9,9% menor em 2026/27
Chuvas elevam peso dos frutos e melhoram estimativa do cinturão citrícola, enquanto preços do suco e exportações brasileiras perdem força
Publicado em: 16/09/2026 às 19:20hs
A estimativa para a safra de laranja 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais foi elevada para 263,2 milhões de caixas de 40,8 quilos. Apesar da revisão positiva, a produção ainda deverá ficar 9,9% abaixo da temporada anterior.
Os dados constam no Agro Mensal de setembro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A análise também mostra queda nos preços internacionais do suco de laranja e retração das exportações brasileiras em agosto, principalmente diante da menor demanda dos Estados Unidos.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) adicionou 7,95 milhões de caixas à previsão inicial, crescimento de 3,1%. O ajuste foi motivado pelo maior peso dos frutos das variedades precoces e de meia-estação.
Chuvas elevam peso das laranjas
Entre maio e agosto, as chuvas ficaram, em média, 51% acima da normalidade no cinturão citrícola. O período é considerado decisivo para o desenvolvimento e o ganho de peso dos frutos.
Além da maior disponibilidade de água, a permanência das laranjas por mais tempo nas árvores favoreceu o aumento do peso médio, sobretudo entre as variedades precoces e de meia-estação.
As condições contribuíram para a revisão da safra, mas parte do potencial produtivo ainda depende do comportamento das variedades tardias, cuja colheita estava em estágio inicial no momento da elaboração do relatório.
Produção continua abaixo da safra anterior
Mesmo com a elevação para 263,2 milhões de caixas, a produção prevista permanece inferior à registrada em 2025/26.
A queda de 9,9% indica que o aumento do peso das frutas não compensa integralmente os demais fatores que limitam a oferta nesta temporada.
O cenário exige acompanhamento porque o volume efetivamente destinado à indústria dependerá da evolução da colheita, do rendimento das variedades tardias e das condições climáticas nos próximos meses.
Colheita da laranja avança em ritmo mais lento
Até meados de agosto, aproximadamente 27% da produção havia sido colhida. O ritmo está abaixo do considerado habitual, repetindo uma característica observada na temporada anterior.
Um dos fatores que explicam essa lentidão é a elevada participação de frutos originados da segunda florada, que apresentam desenvolvimento mais tardio.
A indústria também tem priorizado o processamento de frutas provenientes de pomares próprios e de contratos já firmados. Com estoques relativamente confortáveis, há menor necessidade de acelerar a aquisição de laranjas no mercado spot.
Indústria busca frutas mais maduras
Outro fator que influencia o ritmo da colheita é a busca por frutos mais maduros e com relação equilibrada entre açúcares e acidez, conhecida como ratio.
Essa característica é relevante para a produção industrial de suco concentrado e de NFC, sigla em inglês para o suco não concentrado.
De acordo com o Itaú BBA, o segmento de NFC apresenta maior resiliência de demanda. Por isso, a indústria pode optar por manter as frutas nas árvores por mais tempo, buscando matéria-prima com características mais adequadas ao processamento.
Preço da laranja industrial permanece em R$ 30,40
Apesar da queda das cotações internacionais do suco, o preço da laranja destinada à indústria em São Paulo permaneceu estável em R$ 30,40 por caixa de 40,8 quilos, conforme dados do Cepea apresentados no relatório.
A estabilidade ocorre em um patamar considerado baixo. Neste momento da safra, as indústrias concentram suas compras em contratos já estabelecidos, demonstrando menor interesse por frutas negociadas no mercado spot.
Esse comportamento limita a liquidez e reduz o espaço para uma recuperação mais expressiva dos preços pagos ao produtor.
Suco de laranja cai 3,1% em Nova York
O contrato de referência do suco de laranja concentrado e congelado, o FCOJ, foi cotado a 138,15 centavos de dólar por libra-peso em Nova York em 7 de setembro.
O valor representa queda de 3,1% em 30 dias, diante dos 142,55 centavos de dólar registrados anteriormente.
A retração prolonga o movimento de correção observado depois dos níveis recordes alcançados nos últimos anos. As expectativas de maior disponibilidade de laranja na safra 2026/27 contribuíram para reduzir a pressão sobre os preços internacionais.
Queda do suco começa a chegar ao varejo dos EUA
A redução das cotações internacionais começou a aparecer nos preços do varejo norte-americano.
Em julho, uma lata de 473 mililitros de suco de laranja concentrado foi comercializada, em média, por US$ 4,82. Foi a terceira queda mensal consecutiva, com retração acumulada de 3% desde maio.
Apesar do recuo, o preço permaneceu 3,9% acima do observado em julho de 2025 e foi o maior já registrado para o mês.
Isso mostra que a correção no mercado internacional começa a chegar ao consumidor, mas os preços do suco ainda permanecem historicamente elevados nos Estados Unidos.
Exportações brasileiras de suco recuam 26,9%
O Brasil exportou 54,5 mil toneladas de suco de laranja em equivalente FCOJ durante agosto. O volume caiu 26,9% em relação a julho.
Os embarques geraram receita de US$ 123 milhões. Como o preço médio recuou 12%, para US$ 2.261 por tonelada, o faturamento das exportações diminuiu 36% na comparação mensal.
O resultado foi influenciado principalmente pela menor demanda dos Estados Unidos. As exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano recuaram 41,2% no período.
Mercado da laranja terá oferta e demanda no centro das atenções
A safra 2026/27 apresenta sinais mistos para a citricultura. O maior peso dos frutos elevou a estimativa de produção, mas o volume permanece inferior ao da temporada passada.
Ao mesmo tempo, os preços internacionais do suco seguem em queda e as exportações brasileiras perderam força. No mercado interno, a indústria mantém preferência pelas frutas contratadas e limita as compras no mercado spot.
Nos próximos meses, o desempenho das variedades tardias, a evolução das chuvas, o ritmo da colheita e a demanda dos Estados Unidos serão determinantes para os preços da laranja e do suco brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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