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Análise de Mercado

Crise no Oriente Médio ameaça exportações do agronegócio brasileiro e pode elevar custo do frete em até 40%

Escalada das tensões em importantes rotas marítimas pressiona logística internacional, aumenta o tempo de transporte e preocupa exportadores brasileiros de carnes, soja e algodão


Publicado em: 28/07/2026 às 18:00hs

Crise no Oriente Médio ameaça exportações do agronegócio brasileiro e pode elevar custo do frete em até 40%

A intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a acender um alerta para o comércio exterior brasileiro. A ameaça ao tráfego marítimo nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, duas das principais rotas do comércio global, já provoca mudanças nas operações logísticas de empresas exportadoras e pode elevar significativamente os custos de transporte para produtos do agronegócio.

O impacto é especialmente preocupante para cadeias como carne de frango, carne bovina, soja e algodão, que dependem do abastecimento dos mercados do Oriente Médio e da Ásia. Com o aumento da instabilidade geopolítica, exportadores brasileiros passaram a intensificar o uso de rotas alternativas, mais longas e caras, para garantir a entrega das cargas.

Oriente Médio é mercado estratégico para o agro brasileiro

A região permanece entre os principais destinos das exportações brasileiras de proteína animal, especialmente da carne de frango, além de receber volumes expressivos de soja, milho e outros produtos agrícolas.

Nos últimos dias, a escalada das tensões levou à interrupção da viagem de um navio carregado com soja brasileira que seguia para o Oriente Médio. A embarcação permaneceu em espera até que houvesse maior clareza sobre a evolução do cenário geopolítico.

Enquanto isso, empresas exportadoras monitoram continuamente as condições de navegação para evitar riscos às cargas e às tripulações.

Rotas alternativas elevam tempo de viagem e custos logísticos

Com a navegação cada vez mais restrita pelo Estreito de Ormuz e sob ameaça também no Estreito de Bab el-Mandeb, operadores logísticos buscam alternativas para manter o fluxo das exportações.

Entre as principais opções utilizadas estão:

  • desembarque pelos portos de Salalah e Sohar, em Omã;
  • utilização do porto de Khorfakkan, nos Emirados Árabes Unidos;
  • envio de cargas pelo Canal de Suez até os portos sauditas de Jeddah e King Abdullah;
  • transporte rodoviário até os mercados consumidores da região.

Embora mantenham o abastecimento, essas rotas exigem percursos mais longos, maior número de operações logísticas e custos adicionais.

Exportadores de frango já sentem impacto da crise

O setor de proteína animal está entre os mais expostos às mudanças nas rotas marítimas.

Empresas brasileiras passaram a desembarcar cargas em portos alternativos na Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes, reduzindo a dependência das áreas consideradas mais vulneráveis ao conflito.

Apesar de as operações continuarem ocorrendo, o tempo médio de transporte aumentou significativamente.

Antes da escalada do conflito, contêineres com carne de frango chegavam ao destino em prazo muito inferior ao atual. Hoje, algumas cargas levam cerca de 80 dias para completar a viagem, enquanto determinados navios enfrentam dificuldades para descarregar nos portos devido ao congestionamento da infraestrutura local.

Frete marítimo pode subir até 40%

Além dos atrasos, especialistas alertam para uma nova rodada de aumento dos custos logísticos internacionais.

Armadores internacionais já anunciaram tarifas emergenciais para embarques destinados ao Oriente Médio, enquanto algumas companhias suspenderam temporariamente agendamentos para determinados países da região.

As projeções indicam que:

  • o frete marítimo entre Europa e Ásia pode aumentar entre 30% e 40%;
  • os custos de transporte para a Arábia Saudita podem subir de 10% a 20%;
  • determinadas rotas poderão acrescentar até 19 dias ao tempo total de viagem.

O cenário também pressiona o custo dos seguros marítimos e do combustível utilizado pelas embarcações.

Cadeias refrigeradas enfrentam risco maior

Entre os segmentos mais sensíveis estão as carnes refrigeradas e congeladas.

Como esses produtos exigem rigoroso controle de temperatura durante todo o transporte, atrasos prolongados representam maior risco operacional e aumentam os custos da cadeia logística.

Além do impacto financeiro, qualquer interrupção pode comprometer a qualidade dos alimentos e reduzir a competitividade do produto brasileiro nos mercados internacionais.

Algodão e outras commodities também são afetados

Os reflexos da crise não se limitam às proteínas animais.

O setor algodoeiro também precisará reorganizar sua logística internacional. Embarques destinados ao Paquistão e Bangladesh, tradicionalmente realizados por rotas que cruzam o Mar Vermelho, tendem a ser desviados pelo extremo sul da África, aumentando tempo de navegação, consumo de combustível e custos operacionais.

Outras commodities agrícolas podem enfrentar situação semelhante caso o conflito permaneça ou se intensifique nas próximas semanas.

Mercado acompanha cenário geopolítico

Especialistas avaliam que o agronegócio brasileiro possui capacidade logística para adaptar parte das operações, mas alertam que uma eventual interrupção simultânea das principais rotas marítimas do Oriente Médio provocaria impactos relevantes no comércio global.

Além da elevação dos custos, o aumento do tempo de trânsito reduz a eficiência das cadeias de suprimentos, pressiona margens de exportadores e importadores e pode influenciar a demanda por produtos agrícolas brasileiros.

Enquanto a situação permanece indefinida, empresas do agronegócio seguem monitorando diariamente a evolução dos conflitos para ajustar rotas, minimizar riscos e preservar o abastecimento dos mercados internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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