Publicidade
Análise de Mercado

Clima, La Niña e tensões geopolíticas podem impulsionar preços das commodities agrícolas

Perspectiva de menor oferta nos Estados Unidos, custos elevados do petróleo e demanda internacional firme indicam possível recuperação das cotações de milho, soja e outras matérias-primas


Publicado em: 01/09/2026 às 11:35hs

Clima, La Niña e tensões geopolíticas podem impulsionar preços das commodities agrícolas
Foto: Agrobom

O mercado global de commodities agrícolas começa a apresentar sinais de recuperação após um período marcado por safras volumosas, preços pressionados e margens reduzidas para os produtores. A possível combinação entre menor produção nos Estados Unidos, avanço do fenômeno La Niña e aumento das tensões geopolíticas pode alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos ciclos.

As primeiras projeções para a safra norte-americana indicam perda de potencial produtivo, especialmente nas lavouras de milho. Caso essa redução seja confirmada, os estoques globais poderão ficar mais apertados, favorecendo uma reação das cotações no mercado internacional.

La Niña amplia preocupação com a safra da América do Sul

Outro fator acompanhado pelo agronegócio é a possibilidade de consolidação do La Niña. O fenômeno climático pode influenciar o regime de chuvas na América do Sul e aumentar os riscos para a produtividade agrícola regional na aproximação de 2027.

Brasil e Argentina ocupam posições estratégicas na produção e na exportação mundial de grãos. Por isso, qualquer ameaça climática às lavouras sul-americanas tende a provocar maior volatilidade nas bolsas internacionais e a reforçar a preocupação dos compradores com a disponibilidade futura de alimentos.

Baixa rentabilidade reduziu investimentos nas lavouras

Para Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, o mercado ainda absorve os efeitos de um período prolongado de preços baixos. A redução da rentabilidade atingiu produtores brasileiros e estrangeiros, limitando investimentos em tecnologia, insumos e infraestrutura produtiva.

Segundo o executivo, esse movimento pode afetar a capacidade de expansão da oferta. Com menores aportes nas áreas cultivadas, aumenta o risco de que a produção não acompanhe o crescimento do consumo mundial.

Castelli avalia que a expectativa de uma possível escassez futura já começa a influenciar as cotações. A valorização dos produtos agrícolas seria necessária para estimular novos investimentos e garantir uma oferta suficiente nos próximos ciclos.

Petróleo e conflitos internacionais elevam a volatilidade

As incertezas geopolíticas também adicionam pressão ao mercado agrícola. A valorização do petróleo encarece o transporte rodoviário, os fertilizantes, a armazenagem e o frete marítimo, elevando o custo final das commodities nos países importadores.

Esse aumento, entretanto, nem sempre se transforma em maior remuneração para o produtor rural. Parte da valorização acaba absorvida pelas despesas logísticas e pelos custos de produção.

No Brasil, a volatilidade cambial associada ao ambiente político e eleitoral acrescenta outro componente de risco. Como grande parte das commodities é negociada em dólar, as oscilações da moeda norte-americana influenciam diretamente os preços internos, os custos dos insumos e as decisões de comercialização.

Demanda global segue sustentando o mercado

Mesmo diante das incertezas econômicas, climáticas e geopolíticas, o consumo internacional continua aquecido. Os preços mais competitivos registrados nos últimos meses favoreceram o processamento industrial e mantiveram as compras dos principais países importadores.

A procura firme por alimentos, rações, biocombustíveis e outras matérias-primas agrícolas pode acelerar a recuperação dos preços caso as previsões de menor oferta sejam confirmadas. Nesse cenário, milho, soja e commodities ligadas à produção de energia renovável tendem a receber maior atenção do mercado.

Produtor deve aproveitar altas para proteger margens

A possível retomada das cotações exige cautela na comercialização. A recomendação é acompanhar o mercado e aproveitar movimentos de valorização capazes de assegurar margens satisfatórias, evitando concentrar toda a produção em uma única operação.

De acordo com Castelli, o mercado pode estar em uma fase intermediária de recuperação global. A estratégia mais adequada seria realizar vendas graduais, proteger os custos e construir uma média de preços ao longo do tempo.

A confirmação de perdas produtivas nos Estados Unidos, os efeitos do La Niña sobre a América do Sul e a evolução dos conflitos internacionais serão determinantes para a direção das commodities agrícolas. Até que esses fatores estejam mais claros, volatilidade e gestão de risco devem permanecer no centro das decisões do produtor rural.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias