Publicidade
Análise de Mercado

China amplia liderança como principal destino do agro brasileiro, mas Estados Unidos seguem estratégicos para exportações e preços globais

Com mais de US$ 55 bilhões em compras, mercado chinês responde por quase um terço das exportações do agronegócio brasileiro, enquanto os Estados Unidos mantêm influência sobre commodities, concorrência internacional e formação dos preços agrícolas


Publicado em: 13/07/2026 às 11:25hs

China amplia liderança como principal destino do agro brasileiro, mas Estados Unidos seguem estratégicos para exportações e preços globais

A crescente presença da China no comércio exterior consolidou o país asiático como o maior parceiro do agronegócio brasileiro, mas a relevância dos Estados Unidos permanece decisiva para o setor. Enquanto Pequim lidera com ampla vantagem em volume e valor das compras, Washington continua exercendo forte influência sobre o mercado mundial de commodities, concorrindo diretamente com o Brasil e impactando a formação dos preços internacionais.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 169,2 bilhões em 2025, consolidando mais um ano de forte desempenho do setor no comércio exterior.

China responde por quase um terço das exportações do agro brasileiro

A China permaneceu como o principal destino dos produtos agropecuários brasileiros ao adquirir US$ 55,3 bilhões, o equivalente a 32,7% de toda a receita obtida pelo agronegócio nacional nas exportações.

Os Estados Unidos ocuparam a terceira posição entre os principais compradores, com importações de US$ 11,4 bilhões, representando 6,7% do total exportado.

Na prática, as compras chinesas foram aproximadamente 4,8 vezes superiores às realizadas pelo mercado norte-americano, demonstrando o elevado grau de dependência comercial do Brasil em relação ao gigante asiático.

Essa concentração faz com que qualquer mudança econômica, regulatória, sanitária ou diplomática envolvendo a China tenha potencial para afetar diretamente a balança comercial brasileira, os embarques portuários e a renda de milhares de produtores rurais.

Soja domina as exportações brasileiras para a China

A pauta exportadora brasileira destinada ao mercado chinês continua fortemente concentrada em commodities agrícolas.

Em 2025, os cinco principais produtos exportados foram:

  • Soja em grão;
  • Carne bovina in natura;
  • Celulose;
  • Açúcar bruto;
  • Algodão.

A soja permaneceu como o principal destaque, gerando aproximadamente US$ 34,5 bilhões em receitas, o equivalente a cerca de 62,4% de todas as vendas do agronegócio brasileiro para a China.

Na sequência aparecem:

  • Carne bovina in natura: US$ 8,84 bilhões;
  • Celulose: aproximadamente US$ 5 bilhões;
  • Açúcar bruto: US$ 1,89 bilhão;
  • Algodão: cerca de US$ 828 milhões.

Além do valor financeiro, o volume embarcado reforça essa dependência. A China importou cerca de 85,4 milhões de toneladas de soja brasileira, absorvendo aproximadamente 80% de toda a soja exportada pelo Brasil.

Na carne bovina in natura, o país asiático respondeu por mais de 53% das exportações brasileiras, consolidando-se também como principal comprador do produto.

Dependência gera oportunidades, mas aumenta riscos comerciais

A forte demanda chinesa permitiu a expansão da produção agrícola brasileira, impulsionando investimentos em infraestrutura, armazenagem, logística e abertura de novas fronteiras agrícolas.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a elevada concentração em um único mercado amplia a exposição do setor a mudanças de política comercial, restrições sanitárias, desaceleração econômica ou alterações diplomáticas envolvendo Pequim.

Quanto maior a concentração em poucos compradores, maior tende a ser o impacto sobre preços, exportações e renda caso ocorram interrupções no fluxo comercial.

Estados Unidos compram menos, mas exercem influência estratégica

Embora representem uma fatia menor das exportações brasileiras, os Estados Unidos continuam sendo um parceiro comercial altamente relevante.

O perfil das compras norte-americanas é mais diversificado e inclui produtos de maior valor agregado.

Entre os principais itens exportados para o mercado norte-americano em 2025 destacaram-se:

  • Café verde: US$ 1,91 bilhão;
  • Celulose: US$ 1,32 bilhão;
  • Produtos florestais;
  • Alimentos industrializados;
  • Derivados agroindustriais.

Além do peso comercial, o mercado norte-americano exige elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e sanidade, fatores que impulsionam ganhos tecnológicos e agregação de valor para empresas brasileiras.

EUA também competem diretamente com o Brasil no mercado internacional

A importância dos Estados Unidos vai além das compras realizadas.

O país é um dos principais concorrentes do agronegócio brasileiro nas exportações globais de diversas commodities.

Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam concorrência direta entre Brasil e Estados Unidos em segmentos como:

  • soja em grão;
  • óleo de soja;
  • milho;
  • algodão;
  • celulose;
  • carne de frango;
  • carne suína;
  • fumo;
  • couros.

Esse cenário faz com que o desempenho das lavouras norte-americanas influencie diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Safras recordes nos Estados Unidos tendem a ampliar a oferta global e pressionar os preços internacionais. Já perdas provocadas por eventos climáticos podem reduzir a disponibilidade mundial e favorecer as cotações recebidas pelos produtores brasileiros.

Bolsas internacionais e USDA influenciam os preços agrícolas

Os Estados Unidos também exercem forte influência sobre os mercados futuros de commodities negociados nas bolsas internacionais.

As cotações da soja, milho e outras commodities agrícolas acompanham diariamente informações relacionadas ao clima, produtividade e estoques norte-americanos, especialmente os relatórios divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Esses indicadores servem como referência para tradings, cooperativas, indústrias e produtores em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Relação entre China e Estados Unidos também afeta o agro brasileiro

O agronegócio brasileiro não depende apenas das relações bilaterais mantidas com cada um desses países.

As negociações comerciais entre China e Estados Unidos também influenciam diretamente o espaço ocupado pelo Brasil no mercado internacional.

Quando Pequim amplia suas compras de produtos agrícolas norte-americanos, cresce a concorrência enfrentada pelos exportadores brasileiros.

Por outro lado, períodos de tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo costumam abrir oportunidades para o aumento das exportações brasileiras.

Esse movimento depende de diversos fatores, entre eles:

  • produção agrícola brasileira e norte-americana;
  • preços internacionais das commodities;
  • taxa de câmbio;
  • custo do frete marítimo;
  • capacidade logística dos portos;
  • acordos comerciais;
  • tarifas de importação;
  • exigências sanitárias;
  • necessidade chinesa de recomposição de estoques.
Diversificação é o principal desafio para reduzir riscos

A expansão da participação chinesa nas exportações brasileiras ocorreu ao longo das últimas duas décadas, acompanhando o crescimento econômico do país e o aumento da demanda por alimentos, fibras e energia.

Hoje, a China representa um dos principais motores do crescimento do agronegócio brasileiro e continuará desempenhando papel central nas exportações.

Entretanto, especialistas destacam que ampliar mercados e diversificar produtos continua sendo uma estratégia fundamental para reduzir riscos comerciais.

Embora a China seja, atualmente, o maior destino das exportações brasileiras em valor e volume, os Estados Unidos permanecem estratégicos por três razões fundamentais: continuam entre os principais compradores do agro nacional, competem diretamente com o Brasil nas exportações globais e exercem forte influência sobre a formação dos preços internacionais das principais commodities agrícolas.

Nesse cenário, quanto maior a diversificação de destinos e de produtos exportados, menor tende a ser o impacto de crises econômicas, disputas comerciais, embargos ou mudanças geopolíticas sobre a competitividade e a renda do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias