Análise de Mercado

Agronegócio lidera ranking de reputação corporativa no Brasil, aponta pesquisa da SEC Newgate

Estudo mostra que o setor é visto como o mais responsável do país; brasileiros valorizam produtos nacionais e aceitam pagar mais por eles


Publicado em: 03/03/2026 às 16:30hs

Agronegócio lidera ranking de reputação corporativa no Brasil, aponta pesquisa da SEC Newgate
Agro assume liderança em reputação corporativa no país

O agronegócio brasileiro conquistou o topo do ranking de reputação corporativa, superando setores tradicionalmente bem avaliados como tecnologia e varejo.

De acordo com o SEC Newgate, o setor agrícola foi o mais bem avaliado no Impact Monitor 2025, com 75% de avaliações positivas — à frente da tecnologia (73%) e dos supermercados (71%).

O levantamento global ouviu 1.012 brasileiros entre agosto e setembro de 2025, mapeando a percepção pública sobre o comportamento ético e a responsabilidade de empresas e governos diante de desafios econômicos, ambientais e sociais.

ESG ainda é desafio para empresas e governos

Apesar do bom desempenho do agro, o estudo revela que a população brasileira continua insatisfeita com o engajamento das empresas e do poder público em temas relacionados a ESG (Ambiental, Social e Governança).

Segundo o relatório, 87% dos brasileiros dizem se interessar por questões de sustentabilidade e responsabilidade social, mas apenas 40% acreditam que as grandes empresas são transparentes sobre suas práticas.

Há também um forte desejo de que o setor corporativo assuma posições públicas sobre questões sociais e ambientais:

  • 87% dos entrevistados defendem que as empresas se manifestem, mesmo que isso gere descontentamento entre grupos específicos.
  • 86% apoiam essa postura mesmo que ela torne as companhias impopulares junto ao governo.
Valorização do produto nacional e da indústria local

Outro ponto destacado pela pesquisa é o crescimento da valorização da produção brasileira.

Cerca de 59% dos entrevistados afirmam que as empresas devem fabricar seus produtos no Brasil, mesmo que isso aumente o custo final ao consumidor.

Além disso, 78% disseram ter uma percepção mais positiva de companhias que mantêm suas operações em território nacional, indicando que o “selo de origem brasileira” se tornou um diferencial de reputação.

“O consumidor brasileiro está enviando uma mensagem clara: ele valoriza a origem e a geração de emprego local a ponto de aceitar pagar um prêmio por isso. A ‘etiqueta nacional’ virou um ativo de reputação inegociável”, destacou Thyago Matihas, vice-presidente de Public Affairs da SEC Newgate para o Brasil e América Latina.

Inteligência Artificial desperta cautela entre os brasileiros

O avanço da Inteligência Artificial (IA) também foi abordado no estudo, revelando preocupação com impactos no emprego.

Para 74% dos entrevistados, as empresas só devem adotar IA se isso não levar à demissão de funcionários atuais.

Outros dados mostram que apenas 22% acreditam que as grandes corporações estão fazendo o suficiente para que a tecnologia beneficie todos os públicos envolvidos, enquanto 75% destacam a proteção de dados pessoais como prioridade para as companhias.

Clima, geopolítica e engajamento social

O relatório também avaliou outros temas relevantes para o público brasileiro:

  • Clima: 88% consideram “altamente importante” que o Brasil acelere a transição para energias renováveis, mas 43% avaliam que as empresas fazem pouco para reduzir emissões.
  • Geopolítica: Na percepção dos brasileiros, os melhores parceiros internacionais são a China (72%) e o Japão (70%), à frente dos Estados Unidos (58%).
  • Ativismo corporativo: 86% apoiam que as empresas se posicionem publicamente sobre temas sociais, mesmo que isso gere desconforto político.
Reputação e consumo consciente

O Impact Monitor 2025 reforça uma tendência crescente entre os consumidores brasileiros: a valorização de empresas que combinam propósito, transparência e compromisso social.

A boa imagem do agronegócio, segundo especialistas, reflete a percepção de que o setor contribui para a economia nacional, gera empregos e mantém vínculos com a produção local — fatores que fortalecem a confiança da sociedade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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