Preço do milho sobe até 19,6% em agosto com oferta limitada no Brasil
Retenção de vendas pelos produtores sustentou as cotações mesmo com o avanço da colheita da safrinha; média nacional alcançou R$ 66,61 por saca
Publicado em: 04/09/2026 às 18:40hs
O mercado brasileiro de milho encerrou agosto com preços firmes e baixa movimentação nos negócios. Mesmo diante do avanço da colheita da segunda safra nas principais regiões produtoras, a oferta permaneceu limitada pela postura cautelosa dos agricultores, que evitaram ampliar as vendas nos valores disponíveis.
Levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio da saca de milho no Brasil alcançou R$ 66,61 no dia 31 de agosto. O valor representa uma valorização de 7,86% em relação aos R$ 61,75 registrados no encerramento de julho.
Em algumas praças, a alta mensal superou 10%. O maior avanço ocorreu em Rondonópolis, em Mato Grosso, onde o cereal valorizou 19,64%.
Produtores limitam oferta de milho
A sustentação dos preços foi determinada principalmente pela menor disposição dos produtores para negociar. Apesar da entrada do milho da safrinha no mercado, os vendedores disponibilizaram volumes reduzidos e priorizaram propostas em patamares mais elevados.
Essa resistência restringiu a liquidez e impediu que o avanço da colheita provocasse uma pressão mais intensa sobre as cotações. O comportamento também refletiu a expectativa de melhores oportunidades de comercialização, apoiadas pela evolução da paridade de exportação e pelos movimentos dos contratos futuros.
Durante boa parte de agosto, os consumidores permaneceram relativamente tranquilos nas compras, favorecidos por estoques considerados suficientes para atender às necessidades imediatas.
Na segunda quinzena, entretanto, compradores de alguns estados passaram a procurar novos lotes com maior frequência. A demanda de reposição reforçou a sustentação dos preços, embora sem provocar uma aceleração generalizada dos negócios.
Preço médio nacional avança 7,86%
A média brasileira do milho subiu de R$ 61,75 para R$ 66,61 por saca entre o final de julho e o encerramento de agosto. A valorização ocorreu de forma disseminada nas praças acompanhadas pela consultoria, mas com intensidades diferentes.
Em Cascavel, no Paraná, o preço disponível ao produtor chegou a R$ 64 por saca, crescimento de 4,92% ante os R$ 61 registrados no fim de julho.
Na referência Campinas/CIF, em São Paulo, a cotação avançou 8,89%, passando de R$ 67,50 para R$ 73,50 por saca. Na região paulista da Mogiana, o aumento foi de 9,68%, de R$ 62 para R$ 68.
Milho dispara em Mato Grosso e Goiás
Rondonópolis apresentou a maior valorização entre as praças analisadas. O preço da saca de milho saltou de R$ 56 para R$ 67, alta mensal de 19,64%.
O avanço chama a atenção porque Mato Grosso concentra a maior produção de milho safrinha do país. A valorização mesmo durante o período de colheita evidencia a influência da retenção de vendas, da demanda regional e das referências para exportação sobre a formação dos preços.
Em Rio Verde, Goiás, a saca encerrou agosto cotada a R$ 65, aumento de 14,04% na comparação com os R$ 57 registrados ao final de julho.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço de venda também alcançou R$ 65 por saca. A cotação avançou 6,56% diante dos R$ 61 observados no mês anterior.
Rio Grande do Sul registra valorização mais moderada
Em Erechim, no Rio Grande do Sul, a alta foi menos intensa. A saca passou de R$ 69 para R$ 70 durante agosto, valorização de 1,45%.
O comportamento regional reforça que a formação das cotações depende não apenas da oferta nacional, mas também do nível dos estoques, da demanda das indústrias consumidoras, dos custos logísticos e da disponibilidade em cada praça.
B3, Chicago e exportações influenciam negociações
Além do mercado físico, produtores, compradores e cerealistas acompanharam os contratos futuros negociados na B3 e na Bolsa de Chicago. As oscilações nessas bolsas influenciam as expectativas de preço e as decisões de venda no mercado doméstico.
Outro fator relevante foi o avanço da paridade de exportação. Quando as condições para os embarques se tornam mais atrativas, o mercado externo passa a disputar uma parcela maior da produção brasileira, oferecendo suporte adicional às cotações internas.
A combinação entre oferta controlada pelos produtores, demanda de reposição e referências mais favoráveis para exportação ajudou a manter o milho valorizado durante agosto.
USDA reduz estoques e produtividade dos Estados Unidos
No cenário internacional, o relatório de oferta e demanda divulgado em agosto pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos influenciou as expectativas do mercado.
O USDA reduziu a projeção para os estoques finais norte-americanos e cortou a estimativa de produtividade média das lavouras. As revisões reforçaram a percepção de que a disponibilidade mundial do cereal poderá ficar menos confortável.
Os agentes agora direcionam as atenções aos relatórios de setembro, tradicionalmente importantes para a consolidação das estimativas da safra dos Estados Unidos. Novas alterações na produtividade, na produção ou nos estoques poderão elevar a volatilidade dos contratos futuros e afetar as referências brasileiras.
Tensões no Mar Negro aumentam incertezas
As questões geopolíticas envolvendo a região do Mar Negro também permanecem no radar. A área tem papel estratégico no comércio internacional de grãos, e eventuais interrupções logísticas ou restrições às exportações podem alterar os fluxos globais e ampliar as oscilações de preços.
Para os próximos meses, o comportamento do milho no Brasil dependerá da disposição dos produtores para vender, do ritmo de compras das indústrias, da competitividade das exportações e da evolução das cotações na B3 e em Chicago.
Após a valorização expressiva de agosto, o mercado deverá continuar sensível à oferta disponível no interior e às atualizações sobre a safra norte-americana. Se os agricultores mantiverem a retenção e a demanda aumentar, os preços do milho poderão encontrar suporte mesmo com a grande disponibilidade resultante da safrinha.
Fonte: Portal do Agronegócio
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