Agroindústria brasileira recua 2,8% em maio e entra no vermelho em 2026, aponta FGV Agro
Produção de alimentos, bebidas, insumos agropecuários e produtos têxteis perde força, enquanto apenas biocombustíveis e fumo registram crescimento no mês.
Publicado em: 16/07/2026 às 10:40hs
A agroindústria brasileira interrompeu a sequência de resultados positivos e registrou queda de 2,8% em maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Com o desempenho negativo, o setor passou a acumular retração de 0,1% no ano, revertendo o avanço observado até abril e acendendo um sinal de alerta para a cadeia agroindustrial do país.
Os dados são do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pela FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, e mostram que a desaceleração atingiu praticamente todos os segmentos da agroindústria brasileira.
Agroindústria perde ritmo após dois meses de recuperação
Segundo a FGV Agro, maio representou um ponto de inflexão para o setor. Depois de duas altas consecutivas na comparação anual, a produção voltou a recuar e levou o acumulado de 2026 para terreno negativo.
Na comparação com abril, considerando os ajustes sazonais, a agroindústria registrou retração de 0,2%, movimento puxado principalmente pelo segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas, que caiu 0,9%, enquanto os Produtos Não Alimentícios avançaram 0,6%.
A avaliação da instituição é que será necessário acompanhar os próximos levantamentos para identificar se o resultado representa um episódio pontual ou o início de uma tendência de desaceleração mais consistente da agroindústria brasileira.
Alimentos e bebidas lideram as perdas
O segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas apresentou retração de 3,5% em maio, reflexo da queda simultânea na produção de alimentos (-3,7%) e bebidas (-2,6%).
Entre os alimentos, o destaque negativo ficou para os produtos de origem vegetal, que despencaram 6,9%, registrando o pior desempenho para um mês de maio desde 2018. A retração foi influenciada principalmente pela menor produção de:
- açúcar refinado;
- óleos e gorduras;
- arroz;
- trigo;
- conservas e sucos.
A maior produção de café amenizou parcialmente essa queda. Já os alimentos de origem animal recuaram 1,5%, refletindo a redução no abate de bovinos, aves, suínos e pescados.
No setor de bebidas, as perdas também foram disseminadas, com retração de 4,2% nas bebidas alcoólicas e de 1,0% nas bebidas não alcoólicas.
Apenas biocombustíveis e fumo escapam da retração
Nos produtos não alimentícios, a queda foi de 1,8%, atingindo principalmente:
- Produtos têxteis: -5,6%;
- Insumos agropecuários: -4,5%;
- Produtos florestais: -3,5%.
- As únicas exceções foram os setores de:
- Biocombustíveis: +9,6%;
- Fumo: +0,8%.
Segundo a FGV Agro, o segmento de insumos agropecuários acumula o sétimo mês consecutivo de retração, influenciado pela menor produção de fertilizantes, máquinas agrícolas e tratores. A instituição observa ainda que o cenário internacional pode ter agravado dificuldades que já vinham sendo registradas pelo setor.
No caso dos produtos florestais, a queda está associada principalmente à redução da produção de celulose e madeira, acompanhando a diminuição das exportações de celulose observada no período.
Acumulado do ano entra em território negativo
Até abril, a agroindústria acumulava crescimento de 0,7% em 2026 e apresentava desempenho superior ao da indústria de transformação. Com os resultados de maio, entretanto, o cenário mudou.
O setor passou a registrar retração acumulada de 0,1%, enquanto a indústria de transformação manteve crescimento de 0,2% no ano.
Mesmo assim, há diferenças entre os segmentos:
- Produtos Alimentícios e Bebidas acumulam alta de 1,3%;
- Produtos Não Alimentícios registram queda de 1,9% no acumulado de 2026.
Perspectivas para a agroindústria
A FGV Agro destaca que os próximos meses serão decisivos para avaliar se a retração observada em maio representa apenas um ajuste pontual ou o início de um ciclo de desaceleração mais prolongado.
O comportamento da demanda interna, a evolução das exportações, o desempenho da indústria de alimentos e bebidas e a recuperação dos setores de insumos agropecuários e produtos florestais deverão ser os principais fatores que definirão a trajetória da produção agroindustrial brasileira ao longo do segundo semestre de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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