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Mercado Florestal

Preços da celulose devem se recuperar com cortes na oferta global, projeta Rabobank

AgroInfo 2026 aponta retirada de mais de 2,2 milhões de toneladas do mercado, vantagem competitiva do Brasil e perspectiva favorável para celulose de fibra curta no segundo semestre


Publicado em: 28/08/2026 às 11:00hs

Preços da celulose devem se recuperar com cortes na oferta global, projeta Rabobank

Os preços internacionais da celulose devem apresentar uma recuperação gradual ao longo do segundo semestre de 2026, apoiados pela redução da oferta global e pela continuidade da demanda chinesa por fibra curta importada.

A projeção consta na edição de agosto do AgroInfo 2026, relatório elaborado pelo RaboResearch, braço de pesquisa do Rabobank especializado em alimentos e agronegócio.

Segundo a análise, o mercado mundial atravessa um período de transição. Embora a desaceleração da economia chinesa e a expansão da capacidade industrial na Ásia continuem limitando uma reação mais intensa das cotações, paralisações e fechamentos de fábricas deixaram o cenário de oferta mais equilibrado.

Nesse ambiente, os produtores brasileiros preservam uma posição competitiva relevante devido ao menor custo da madeira e à elevada produtividade das florestas de eucalipto.

Cortes retiram 2,2 milhões de toneladas do mercado

O equilíbrio entre oferta e demanda ficou mais favorável do que o esperado no início de 2026.

Dados da Fastmarkets citados pelo Rabobank indicam que mais de 2,2 milhões de toneladas de celulose de fibra curta deixaram de ser disponibilizadas ao mercado global ao longo do ano.

A redução foi provocada por paralisações operacionais, fechamentos de fábricas, conversões de capacidade e cortes temporários de produção em diferentes regiões.

Esse ajuste ajuda a reduzir os estoques e cria condições para uma recuperação gradual dos preços. Apesar disso, as cotações ainda permaneciam pressionadas durante o terceiro trimestre, especialmente no mercado chinês.

A velocidade da reação dependerá da disciplina dos produtores, da retomada das compras e da evolução dos estoques ao longo dos próximos meses.

Celulose de fibra curta apresenta cenário mais favorável

Os fundamentos de curto prazo são mais positivos para a celulose branqueada de fibra curta, identificada pelas siglas BHKP ou BEK.

Produzida principalmente a partir do eucalipto, essa fibra é utilizada na fabricação de papéis sanitários, embalagens, produtos de higiene e diferentes tipos de papel.

A redução da oferta mundial e os custos competitivos dos produtores brasileiros favorecem essa categoria. O movimento também pode ampliar a substituição da fibra longa pela fibra curta em aplicações nas quais a troca é tecnicamente possível.

A celulose brasileira possui vantagem devido ao rápido crescimento do eucalipto, à produtividade florestal e à estrutura industrial de grandes empresas exportadoras.

Fibra longa enfrenta estoques elevados e demanda fraca

A situação da celulose de fibra longa, conhecida como NBSK, permanece mais desafiadora.

O segmento enfrenta estoques elevados, demanda estruturalmente mais fraca e custos altos de madeira na Europa e na América do Norte. Essa combinação pressiona a rentabilidade dos fabricantes do Hemisfério Norte.

A diferença de custos em relação à produção brasileira continua significativa. Com isso, consumidores podem aumentar o uso da fibra curta de eucalipto em determinadas aplicações, reforçando a competitividade das empresas instaladas no Brasil.

A substituição não ocorre de forma integral, pois as fibras apresentam características distintas. A fibra longa oferece maior resistência ao papel, enquanto a curta contribui para maciez, formação e qualidade de impressão.

Mesmo assim, o diferencial de preços pode estimular ajustes nas formulações utilizadas pelas indústrias.

China continua dependente da celulose importada

O crescimento da demanda chinesa deverá ser mais moderado do que em ciclos anteriores. A desaceleração econômica e o avanço de unidades industriais integradas aumentaram a produção doméstica e reduziram o ritmo de expansão das importações.

Apesar disso, a China continua dependente da compra externa de celulose virgem de fibra curta.

Os custos de produção chineses aumentaram em 2026, pressionados pela valorização dos cavacos de madeira, por despesas logísticas mais altas e por impactos climáticos. Esses fatores ajudam a preservar a competitividade do produto importado.

Como principal destino da celulose brasileira, o comportamento da China permanece decisivo para os preços, os volumes exportados e os resultados das empresas do setor.

Uma recuperação mais consistente das cotações dependerá da redução dos estoques chineses e da retomada das compras pelas indústrias de papel.

Tissue e fluff lideram perspectivas de crescimento

Entre os segmentos consumidores, os mercados de tissue e fluff apresentam as perspectivas mais favoráveis para o restante de 2026.

O tissue engloba produtos como papel higiênico, lenços e papéis utilizados para higiene pessoal e doméstica. O consumo tende a crescer com o avanço da renda, a urbanização e a ampliação dos hábitos de higiene em países emergentes.

A celulose fluff é destinada principalmente à fabricação de fraldas, absorventes e produtos para incontinência. O envelhecimento da população e a expansão dos cuidados pessoais sustentam a demanda por esses itens.

Segundo o Rabobank, esses segmentos representam uma importante fonte de crescimento para o consumo mundial de celulose.

Produtores brasileiros priorizam geração de caixa

No Brasil, as grandes empresas do setor adotam uma postura de maior disciplina financeira.

Suzano, Klabin e Eldorado estão priorizando geração de caixa, redução do endividamento e captura dos resultados dos investimentos já realizados. Ao mesmo tempo, demonstram cautela em relação ao anúncio de novos projetos de grande porte.

Essa estratégia reduz o risco de uma expansão desordenada da oferta em um momento de recuperação gradual dos preços internacionais.

A postura financeira também reflete os elevados investimentos necessários para construir novas fábricas, formar florestas, ampliar terminais logísticos e desenvolver infraestrutura de transporte.

Novos projetos ampliam capacidade no longo prazo

Apesar da cautela entre as grandes produtoras, a expansão da indústria brasileira continua em andamento.

O relatório destaca os projetos da Arauco em Mato Grosso do Sul e da CMPC no Rio Grande do Sul. Os investimentos confirmam a atratividade do Brasil para a produção de celulose em larga escala.

As novas unidades, entretanto, não devem provocar alterações relevantes na oferta mundial no curto prazo. Os projetos exigem longos períodos de construção e implantação das bases florestais antes do início das operações.

No longo prazo, o aumento da capacidade reforçará a posição brasileira entre os maiores produtores e exportadores de celulose do mundo.

Mercado de embalagens pode crescer 3% no Brasil

O mercado doméstico de embalagens apresenta desempenho positivo e deve encerrar 2026 com crescimento próximo de 3% no volume de vendas, segundo o RaboResearch.

A expansão favorece principalmente a demanda por papéis utilizados em caixas, sacos e outras soluções destinadas ao transporte e à proteção de mercadorias.

O comércio eletrônico, a indústria de alimentos e a substituição de materiais plásticos por alternativas de papel estão entre os fatores que podem sustentar esse mercado.

O avanço das embalagens oferece uma fonte adicional de demanda para empresas brasileiras, embora o setor continue fortemente dependente das exportações.

El Niño ameaça produtividade das florestas

A intensificação do El Niño está entre os principais riscos para o setor florestal no fim de 2026.

Secas extremas em determinadas regiões podem reduzir o crescimento do eucalipto e elevar o risco de incêndios. Em áreas sujeitas a excesso de chuva e enchentes, as operações de colheita e transporte de madeira podem enfrentar interrupções.

O impacto dependerá da localização das florestas, da distribuição das chuvas e da intensidade das temperaturas ao longo da primavera e do verão.

Períodos prolongados de estresse hídrico podem afetar a produtividade florestal e aumentar os custos de manejo. Já o excesso de precipitação pode prejudicar estradas internas e dificultar o abastecimento das fábricas.

Recuperação deve ocorrer de forma gradual

O cenário traçado pelo Rabobank é de melhora progressiva, mas sem uma alta imediata e generalizada dos preços.

A redução da oferta global, os custos elevados dos produtores do Hemisfério Norte e a dependência chinesa de fibra curta importada favorecem a celulose brasileira.

Por outro lado, o crescimento mais lento da China, os estoques ainda elevados em alguns segmentos e a expansão da capacidade asiática limitam uma recuperação mais acelerada.

Para o Brasil, a combinação entre baixo custo de produção, escala industrial, disponibilidade de florestas plantadas e acesso aos mercados internacionais mantém uma vantagem estratégica. A expectativa é que a recuperação das cotações ganhe tração conforme os estoques diminuam e os cortes de produção sejam incorporados ao equilíbrio mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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