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Aveia, Trigo e Cevada

Oferta limitada eleva preços do trigo no Sul e moinhos aceleram reposição de estoques

Rio Grande do Sul registra negócios entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada, enquanto Paraná amplia compras e produtores aguardam a nova safra antes de fechar contratos


Publicado em: 28/08/2026 às 12:00hs

Oferta limitada eleva preços do trigo no Sul e moinhos aceleram reposição de estoques

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue marcado pela baixa disponibilidade do cereal, por negociações seletivas e pela cautela dos produtores com a comercialização da nova safra. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul registrou valorização no preço pago ao triticultor, enquanto Santa Catarina manteve ritmo lento e o Paraná apresentou maior procura por parte dos moinhos.

A oferta restrita de trigo com qualidade adequada para moagem sustenta as cotações regionais. Ao mesmo tempo, compradores administram os estoques diante das vendas enfraquecidas de farinha e das incertezas climáticas que cercam a próxima colheita.

Preço do trigo avança no Rio Grande do Sul

No mercado gaúcho, foram registrados negócios de volumes expressivos entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada, na modalidade CIF moinho — valor que inclui o transporte até o destino.

Nas operações FOB, com retirada na origem, os vendedores pedem aproximadamente R$ 1.350 por tonelada, enquanto os compradores sinalizam até R$ 1.320. A diferença entre as ofertas limita a realização de novos negócios.

Em Panambi, o preço de balcão do trigo subiu R$ 1 e alcançou R$ 70 por saca, refletindo a disponibilidade reduzida no mercado estadual.

Segundo a consultoria, o Rio Grande do Sul teria cerca de 100 mil toneladas disponíveis, diante de uma necessidade estimada em 300 mil toneladas até a entrada da próxima safra. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda ajuda a sustentar os preços do cereal.

Moinhos ampliam cobertura, mas encontram pouca matéria-prima

A cobertura de compras dos moinhos gaúchos avançou até 30 de setembro. Apesar disso, as indústrias enfrentam dificuldades para encontrar trigo com as características necessárias à produção de farinha.

A demanda enfraquecida pelos derivados também reduz o ritmo de moagem e deixa os compradores mais seletivos. Nesse cenário, o trigo importado permanece como alternativa para complementar o abastecimento.

O cereal estrangeiro é ofertado a US$ 289 por tonelada em Rio Grande e a US$ 300 por tonelada em Canoas. Considerando os custos logísticos e a conversão cambial, o produto chega a aproximadamente R$ 1.540 por tonelada posto moinho nas proximidades de Porto Alegre.

Risco climático limita vendas antecipadas da nova safra

A comercialização antecipada da nova safra de trigo no Rio Grande do Sul soma aproximadamente 60 mil toneladas. Entretanto, os produtores evitam comprometer novos volumes antes de conhecer melhor o desempenho das lavouras.

O comportamento reflete a preocupação com possíveis adversidades climáticas durante as etapas decisivas do desenvolvimento do cereal. Diante desse risco, vendedores preferem aguardar maior definição sobre produtividade e qualidade antes de avançar nas negociações.

Mercado de trigo permanece lento em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o mercado segue com baixa liquidez. Os moinhos trabalham com moagem reduzida, enquanto as vendas de farinha permanecem fracas.

O trigo destinado à produção de pão é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Também foi registrada uma operação com trigo branqueador a R$ 1.500 por tonelada FOB.

Nas principais praças catarinenses acompanhadas, os preços pagos aos produtores permaneceram estáveis. O ritmo dos negócios continua limitado pela demanda industrial moderada e pela proximidade da nova colheita.

Paraná registra maior procura para recomposição de estoques

No Paraná, a demanda ganhou força na última semana do mês, impulsionada pela necessidade de reposição dos estoques dos moinhos.

O trigo remanescente da safra anterior é indicado ao redor de R$ 1.500 por tonelada CIF moinho, mas a quantidade disponível para negociação é pequena. A oferta limitada contribui para manter as cotações firmes.

Para a nova safra, surgem indicações a partir de R$ 1.450 por tonelada FOB. Mesmo assim, os vendedores demonstram pouca disposição para fechar contratos antecipados e aguardam informações mais concretas sobre as condições climáticas e o avanço da colheita.

Oferta restrita deve continuar sustentando as cotações

No curto prazo, a baixa disponibilidade de trigo no Sul tende a limitar quedas mais expressivas nos preços. A necessidade de abastecimento dos moinhos, sobretudo no Rio Grande do Sul e no Paraná, oferece sustentação adicional ao mercado.

A evolução das lavouras e a qualidade do cereal colhido serão determinantes para o comportamento das cotações nos próximos meses. Até que haja maior clareza sobre o volume efetivamente disponível, produtores devem continuar cautelosos nas vendas, enquanto as indústrias buscam equilibrar custos, estoques e demanda por farinha.

Fonte: Portal do Agronegócio

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