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Milho e Sorgo

Preço do milho recua na B3 com exportações menores e pressão externa

Contratos futuros fecharam em baixa após realização de lucros em Chicago e corte na projeção dos embarques; mercado físico apresenta movimentos distintos entre os estados


Publicado em: 28/08/2026 às 11:50hs

Preço do milho recua na B3 com exportações menores e pressão externa

O mercado brasileiro de milho encerrou a quarta-feira sob pressão, com desvalorização dos contratos futuros negociados na B3 e comportamentos diferentes nas principais regiões produtoras. Exportações abaixo do previsto, ajustes em Chicago e o avanço da colheita influenciaram as cotações, enquanto a demanda interna ajudou a limitar perdas no mercado físico.

Segundo análise da TF Agroeconômica, a bolsa brasileira acompanhou a realização de lucros registrada no mercado internacional. A redução na estimativa das exportações brasileiras de milho em agosto também pesou sobre os preços.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou sua projeção para os embarques mensais de 5,63 milhões para 5,45 milhões de toneladas. A diferença de 180 mil toneladas reforçou a cautela entre os agentes.

Milho fecha em queda nos contratos futuros da B3

O contrato de milho com vencimento em setembro de 2026 terminou a sessão cotado a R$ 71,29 por saca, queda diária de R$ 0,73.

Para novembro de 2026, o cereal fechou a R$ 77,65 por saca, com recuo de R$ 0,63. O vencimento de janeiro de 2027 encerrou negociado a R$ 80,91 por saca, baixa de R$ 0,54.

A pressão sobre a B3 refletiu a combinação entre o movimento de baixa no exterior e a expectativa de exportações um pouco menores. Apesar disso, a demanda doméstica e a necessidade de reposição dos compradores continuam oferecendo suporte ao mercado físico em determinadas regiões.

Plantio do milho avança de forma desigual no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as indicações de compra e venda ficaram entre R$ 58 e R$ 65 por saca, dependendo da região, da qualidade do produto, da logística e das condições de entrega.

A média estadual apurada pela Emater avançou 1,53%, chegando a R$ 60,23 por saca. A valorização no mercado físico contrasta com o recuo observado nos contratos futuros.

O plantio da safra de milho 2026/27 avança em ritmos diferentes pelo estado. O excesso de umidade e as chuvas dificultam os trabalhos em algumas localidades, enquanto outras regiões apresentam evolução mais expressiva da semeadura.

As condições meteorológicas permanecem no centro das atenções porque eventuais atrasos podem reduzir a janela ideal de plantio e elevar os riscos para o desenvolvimento das lavouras.

Déficit de milho mantém Santa Catarina dependente de outros estados

Em Santa Catarina, a comercialização continua limitada, com referências próximas de R$ 60 por saca e demanda indicada ao redor de R$ 55.

A distância entre as ofertas dos vendedores e as propostas dos compradores restringe a realização de negócios. As indústrias trabalham com aquisições pontuais, de acordo com as necessidades de reposição.

O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, principalmente para abastecer as cadeias de aves, suínos e produção de ração. Entretanto, a produção catarinense foi estimada em apenas 2,67 milhões de toneladas na temporada 2025/26.

A diferença de cerca de 5,83 milhões de toneladas mantém Santa Catarina fortemente dependente do cereal proveniente de outras unidades da Federação e de fornecedores estrangeiros. Custos de frete e disponibilidade logística, portanto, exercem influência direta sobre os preços locais.

Colheita do milho chega a 83% no Paraná

No Paraná, a colheita da segunda safra alcançou 83% da área cultivada. Paralelamente, a semeadura do ciclo 2026/27 chegou a 6%, marcando o início da instalação da nova temporada.

O preço recebido pelo produtor fechou a última semana em R$ 56,79 por saca. O valor representa alta de 7,8% sobre a média registrada em julho.

Embora o avanço da colheita aumente a disponibilidade do cereal, a postura dos vendedores e a demanda regional ajudam a reduzir a pressão sazonal. Os agentes também monitoram a qualidade dos lotes retirados do campo e o ritmo da comercialização.

Etanol de milho sustenta demanda em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilaram entre R$ 50 e R$ 55 por saca. A indústria de bioenergia continua desempenhando papel importante na absorção da oferta estadual.

O crescimento do processamento destinado à produção de etanol de milho cria uma fonte adicional de demanda e ajuda a sustentar os preços, especialmente em regiões próximas às unidades industriais.

Os compradores permanecem concentrados nas necessidades imediatas de reposição, enquanto os vendedores adotam uma postura seletiva. Parte dos produtores evita ampliar as vendas nos atuais patamares e aguarda condições comerciais mais favoráveis.

Demanda interna limita queda do preço do milho

Apesar da pressão observada na B3, o mercado físico encontra sustentação no consumo interno. As cadeias de proteína animal, as fábricas de ração e as usinas de etanol mantêm demanda relevante pelo cereal.

As exportações também seguem importantes para o escoamento da safra, mesmo após a redução da estimativa da Anec para agosto. O comportamento dos portos, do câmbio e das cotações internacionais poderá determinar a intensidade dos embarques nos próximos meses.

No curto prazo, o mercado de milho deve continuar dividido entre a maior disponibilidade decorrente da colheita, o ritmo da implantação da safra 2026/27 e a necessidade de abastecimento das indústrias. A combinação desses fatores tende a produzir movimentos diferentes entre os estados, com maior sustentação nas regiões onde o consumo supera a oferta local.

Fonte: Portal do Agronegócio

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