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Mercado Florestal

Borracha natural: alta do dólar, frete marítimo e matéria-prima elevam custo de importação em 7,5% e pressionam mercado brasileiro

Preço de referência da importação da borracha natural sobe para R$ 16,38/kg em julho, impulsionado pelo câmbio, aumento do frete internacional e valorização das cotações na Bolsa de Singapura.


Publicado em: 17/07/2026 às 10:10hs

Borracha natural: alta do dólar, frete marítimo e matéria-prima elevam custo de importação em 7,5% e pressionam mercado brasileiro

O custo de importação da borracha natural voltou a subir no Brasil, refletindo a combinação de dólar mais valorizado, aumento expressivo do frete marítimo e encarecimento da matéria-prima no mercado internacional. O movimento elevou em 7,5% o preço de referência da importação em junho de 2026, fixando a base das negociações entre produtores e beneficiadoras para julho em R$ 16,38 por quilo.

O indicador é calculado mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e serve como referência para as negociações comerciais da cadeia produtiva da borracha natural em todo o país.

Dólar, frete e Bolsa de Singapura impulsionam alta dos custos

O avanço do preço de referência foi resultado da pressão simultânea sobre os principais componentes da importação.

As cotações da matéria-prima negociadas na Bolsa de Singapura encerraram junho com média de US$ 2,28 por quilo, registrando alta de 2,7% em relação ao mês anterior.

No mercado cambial, o dólar também apresentou valorização significativa. A cotação média passou de R$ 4,98 em maio para R$ 5,13 em junho, avanço de 2,9%, aumentando diretamente o custo das compras externas.

Outro fator determinante foi o transporte internacional. O frete marítimo registrou aumento de 33,7%, tornando-se um dos principais responsáveis pelo encarecimento da importação da borracha natural.

Preço da borracha acumula alta de 24,2% em 2026

No acumulado entre janeiro e junho de 2026, o preço de referência da importação da borracha natural já registra valorização de 24,2%.

Segundo a pesquisadora colaboradora do Instituto de Economia Agrícola e responsável pelo levantamento, Marli Dias Mascarenhas Oliveira, o cenário reflete uma combinação de fatores internacionais e domésticos.

De acordo com a especialista, a valorização das cotações internacionais ocorreu em função da oferta mais restrita nos principais países produtores, enquanto as oscilações cambiais elevaram o custo das importações em reais. Ela também destaca que os custos logísticos, especialmente do transporte marítimo internacional, cresceram de forma expressiva durante o segundo trimestre de 2026, aumentando significativamente o custo de internalização da matéria-prima.

São Paulo concentra 60% da produção brasileira de borracha natural

Maior produtor nacional, o estado de São Paulo responde por aproximadamente 60% da produção brasileira de borracha natural.

Na safra paulista 2024/25, a produção de coágulo de látex — principal matéria-prima utilizada na fabricação da borracha natural — alcançou 266,2 mil toneladas, crescimento de 8,6% em comparação ao ciclo anterior.

A área cultivada também apresentou expansão de 3,1%, totalizando 123,7 mil hectares.

As principais regiões produtoras são:

  • São José do Rio Preto (31%);
  • General Salgado (15,1%);
  • Votuporanga (13%).
Índice nacional traz previsibilidade para produtores e indústria

Criado em 2020, o Índice de Preços de Importação da Borracha tornou-se um importante instrumento para equilibrar as negociações entre produtores rurais e beneficiadoras.

Segundo o IEA, a metodologia é utilizada por toda a cadeia produtiva brasileira e proporciona maior transparência na formação dos preços, oferecendo previsibilidade e segurança tanto para quem produz quanto para quem compra.

Além de considerar as cotações internacionais da borracha, o cálculo incorpora custos efetivos da importação, como câmbio, frete, seguro e demais despesas logísticas, evitando distorções que poderiam prejudicar a competitividade do produtor nacional.

Indicador fortalece sustentabilidade da cadeia produtiva

Desenvolvido pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o índice surgiu para estabelecer uma política de remuneração mais equilibrada aos produtores de borracha natural.

Antes da criação do indicador, os preços pagos pela matéria-prima eram definidos principalmente por associações de compradores, situação que gerava insatisfação entre os seringueiros devido à baixa rentabilidade da atividade.

A metodologia também busca evitar concorrência desleal com países asiáticos, onde parte da produção recebe subsídios governamentais e pode operar sob padrões trabalhistas e ambientais distintos dos exigidos no Brasil.

Outro aspecto relevante é o longo ciclo produtivo da seringueira. Como a cultura começa a gerar retorno econômico apenas a partir do sétimo ano após o plantio, a adoção de um indicador técnico contribui para garantir maior sustentabilidade financeira e incentivar novos investimentos no setor.

Com o aumento contínuo dos custos de importação e a valorização da matéria-prima no mercado internacional, o índice consolida-se como uma das principais referências para assegurar equilíbrio econômico, competitividade e previsibilidade à cadeia brasileira da borracha natural.

Fonte: Portal do Agronegócio

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