Tarifas dos EUA pressionam exportações de etanol brasileiro e exigem novos mercados, aponta StoneX
Com tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e aumento da proteção ao etanol americano, Brasil deve ampliar busca por destinos como Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas para escoar produção crescente.
Publicado em: 23/07/2026 às 19:20hs
O mercado brasileiro de etanol entra em uma nova fase de desafios após a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo análise da StoneX, o setor terá de buscar novos destinos internacionais para compensar possíveis perdas nas vendas ao mercado norte-americano e equilibrar uma produção nacional em expansão.
A consultoria avalia que a combinação entre o aumento das barreiras comerciais nos EUA e o avanço de políticas de incentivo ao etanol de milho americano deve reduzir o espaço para o produto brasileiro no mercado internacional.
Entre os destinos considerados estratégicos estão Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas, mercados que já possuem histórico de compras do etanol brasileiro.
Tarifa americana amplia pressão sobre cadeia do etanol
O governo dos Estados Unidos oficializou recentemente uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, afetando diversos setores exportadores, incluindo o etanol.
Produtores norte-americanos justificaram a medida alegando a existência de uma tarifa brasileira de 18% sobre o etanol importado, argumento utilizado para defender maior proteção ao mercado interno dos EUA.
Para a StoneX, a nova política comercial representa um movimento de fortalecimento da indústria americana de etanol de milho, especialmente diante da possibilidade de ampliação do uso do E15 durante todo o ano nos Estados Unidos.
Segundo a consultoria, essa medida poderia reduzir em aproximadamente 76% o potencial exportável americano até 2027, alterando o equilíbrio do mercado global de biocombustíveis.
Brasil terá de diversificar mercados internacionais
Com a produção brasileira de etanol crescendo em níveis recordes e uma demanda interna que não acompanha o mesmo ritmo, especialmente no segmento de etanol hidratado, o setor precisará ampliar sua presença em outros países.
A StoneX destaca que as usinas brasileiras terão de buscar alternativas comerciais para garantir maior equilíbrio entre oferta e demanda.
Entre os mercados com potencial de crescimento estão:
- Coreia do Sul;
- Países Baixos;
- Filipinas.
No acumulado de 2026, a Coreia do Sul e as Filipinas registraram redução nas compras de etanol brasileiro, enquanto os Países Baixos praticamente dobraram os volumes adquiridos.
Relação comercial entre Brasil e EUA muda de cenário
Historicamente, o comércio bilateral de etanol entre Brasil e Estados Unidos foi favorável ao Brasil, com saldo positivo nas exportações.
Entretanto, esse cenário começou a mudar nos últimos anos.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o superávit brasileiro, que alcançou 202 mil metros cúbicos em 2024, caiu para 113 mil metros cúbicos em 2025, uma redução de aproximadamente 44%.
A mudança ocorreu devido a dois movimentos simultâneos:
- Queda de 18,5% nas exportações brasileiras;
- Crescimento de 28,1% nas importações de etanol americano.
Aumento da mistura de anidro impulsionou importações
Um dos principais pontos de mudança no mercado ocorreu em agosto de 2025, quando o Brasil elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%.
A alteração aumentou a demanda interna pelo produto e reduziu estoques disponíveis, criando necessidade de importações.
No mesmo período, as compras brasileiras de etanol dos Estados Unidos cresceram significativamente, passando de apenas 0,2 mil metros cúbicos em agosto de 2024 para 35 mil metros cúbicos em agosto de 2025.
Brasil importou maior volume de etanol americano desde 2020
O movimento ganhou força no início de 2026, antes do avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro.
Com estoques abaixo da média histórica, o país aumentou as compras externas para garantir abastecimento.
Entre janeiro e março de 2026, o Brasil importou 248 mil metros cúbicos de etanol dos Estados Unidos, maior volume registrado desde 2020.
No primeiro semestre de 2026, as importações americanas chegaram a 250,8 mil metros cúbicos, contra 96,6 mil metros cúbicos no mesmo período de 2025.
Enquanto isso, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram para 66,4 mil metros cúbicos, ante 160,9 mil metros cúbicos no primeiro semestre do ano anterior.
O resultado foi um saldo comercial negativo de aproximadamente 184,4 mil metros cúbicos na relação bilateral, revertendo a posição historicamente favorável ao Brasil.
Setor sucroenergético busca novas oportunidades
Apesar do impacto das tarifas americanas, a avaliação da StoneX é que o Brasil mantém competitividade no mercado global de biocombustíveis.
A estratégia para o próximo ciclo deverá envolver maior diversificação de destinos, fortalecimento das relações comerciais existentes e busca por novos compradores internacionais.
Com uma oferta crescente e avanços na produção de etanol de milho e de cana-de-açúcar, o desafio do setor será ampliar mercados para garantir sustentabilidade econômica às usinas e manter o protagonismo brasileiro no mercado mundial de energia renovável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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