Etanol recua com avanço da safra, mas segue mais competitivo que a gasolina em 10 estados e no Distrito Federal
Biocombustível encerra mais uma semana de queda pressionado pelo aumento da oferta no Centro-Sul, enquanto mantém vantagem econômica sobre a gasolina na maior parte dos principais mercados consumidores do Brasil.
Publicado em: 27/07/2026 às 11:50hs
O mercado brasileiro de etanol voltou a registrar desvalorização na última semana, refletindo o avanço da colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul e a maior disponibilidade do biocombustível. Os indicadores do Cepea/Esalq mostram novas quedas para o etanol hidratado e o anidro, reforçando um cenário de oferta elevada que continua limitando a recuperação das cotações.
Apesar da pressão sobre os preços, o etanol permanece competitivo frente à gasolina em dez estados brasileiros e no Distrito Federal, mantendo sua atratividade para consumidores de veículos flex e sustentando parte da demanda interna.
Oferta elevada mantém mercado de etanol pressionado
Entre os dias 20 e 24 de julho, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou queda de 2,68% para o etanol hidratado combustível, que foi negociado, em média, a R$ 2,0764 por litro.
O movimento confirma a continuidade da pressão provocada pelo ritmo acelerado da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do País. Com maior volume de matéria-prima disponível para processamento, as usinas ampliam a oferta de etanol no mercado, reduzindo o espaço para altas de preços.
O etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, também acompanhou esse movimento. O indicador semanal fechou em R$ 2,3786 por litro, registrando recuo de 2,60% em relação à semana anterior.
Mercado de Paulínia permanece praticamente estável
No principal polo de comercialização de combustíveis do País, em Paulínia (SP), o Indicador Diário registrou o etanol hidratado a R$ 2.175,00 por metro cúbico na sexta-feira (24), com leve recuo de 0,05% frente ao pregão anterior.
Mesmo com estabilidade no encerramento da semana, o desempenho do mês segue negativo. Em julho, o indicador acumula queda de 8,05%, refletindo o ambiente de ampla oferta e negociações realizadas com maior cautela pelos agentes do mercado.
Safra de cana amplia disponibilidade do biocombustível
O avanço da moagem da cana-de-açúcar continua sendo o principal fator de pressão sobre o mercado.
A maior produção de etanol no Centro-Sul elevou significativamente a disponibilidade do produto, enquanto a demanda permanece relativamente estável. Esse desequilíbrio entre oferta e consumo dificulta uma recuperação mais consistente das cotações no curto prazo.
Especialistas do setor avaliam que o comportamento dos preços continuará dependendo da intensidade da safra, da estratégia comercial das usinas e da evolução do consumo de combustíveis durante o segundo semestre.
Etanol mantém vantagem econômica sobre a gasolina
Embora os preços nas usinas tenham recuado, o consumidor continua encontrando vantagem no abastecimento com etanol em boa parte do País.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente ao período de 19 a 25 de julho, mostra que o etanol foi economicamente mais competitivo que a gasolina em dez estados e no Distrito Federal.
Na média nacional, a paridade entre os combustíveis ficou em 61,37%, índice considerado amplamente favorável ao biocombustível.
Os estados onde o etanol apresentou vantagem econômica foram:
- Acre: 68,53%
- Amazonas: 69,40%
- Bahia: 67,58%
- Distrito Federal: 64,48%
- Goiás: 63,96%
- Mato Grosso: 55,23%
- Mato Grosso do Sul: 60,65%
- Minas Gerais: 64,96%
- Paraná: 62,57%
- Santa Catarina: 69,53%
- São Paulo: 58,28%
Pela metodologia tradicional do mercado, o etanol é considerado mais vantajoso quando seu preço representa até 70% do valor da gasolina. No entanto, especialistas destacam que veículos flex mais modernos podem apresentar desempenho suficiente para tornar o biocombustível competitivo mesmo com uma relação superior a esse percentual.
Perspectivas para o mercado
A tendência para as próximas semanas permanece condicionada ao avanço da safra de cana no Centro-Sul. Enquanto a produção seguir elevada, a oferta tende a continuar pressionando os preços do etanol.
Ao mesmo tempo, a manutenção da competitividade frente à gasolina deve continuar sustentando o consumo interno, especialmente em estados com grande participação de veículos flex, reduzindo parte da pressão sobre o mercado e contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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