Publicidade
Etanol

Etanol de milho perde rentabilidade e coprodutos garantem lucro das usinas; DDG e óleo de milho sustentam o setor

Queda no preço do etanol pressiona margens das indústrias, enquanto DDG e óleo de milho ganham protagonismo na rentabilidade das usinas e impulsionam oportunidades na nutrição animal e no mercado de combustíveis sustentáveis.


Publicado em: 05/08/2026 às 19:20hs

Etanol de milho perde rentabilidade e coprodutos garantem lucro das usinas; DDG e óleo de milho sustentam o setor

A forte queda nos preços do etanol em 2026 trouxe alívio para os consumidores, mas aumentou a pressão sobre a rentabilidade das usinas brasileiras. Nas unidades que utilizam milho como matéria-prima, o biocombustível já é comercializado abaixo do custo médio de produção em diversas regiões do país, tornando os coprodutos industriais os principais responsáveis por manter as margens positivas.

Levantamento da consultoria Pecege mostra que o custo médio para produzir um litro de etanol de milho está em torno de R$ 2,75, enquanto o preço de venda praticado em importantes polos produtores permanece abaixo desse nível. Em Mato Grosso, maior produtor nacional de etanol de milho, o valor médio recebido pelas usinas gira em torno de R$ 2,62 por litro.

O cenário evidencia uma mudança importante no modelo de negócios da indústria, em que a rentabilidade passa a depender cada vez mais da comercialização de DDG (grãos secos de destilaria) e óleo de milho, produtos que vêm ganhando espaço tanto na nutrição animal quanto na produção de combustíveis renováveis.

DDG e óleo de milho tornam-se fundamentais para a rentabilidade

Os números do Pecege indicam que os coprodutos representam uma importante fonte adicional de receita para as usinas.

Em média, a venda de DDG acrescenta cerca de R$ 0,73 por litro de etanol produzido, enquanto o óleo de milho contribui com aproximadamente R$ 0,20 por litro. Juntos, esses produtos geram uma receita adicional de R$ 0,93 por litro, suficiente para compensar parte da perda provocada pelos baixos preços do biocombustível.

Segundo João Rosa, diretor do Pecege, o cenário atual reforça a importância da diversificação das receitas.

"Hoje, com os preços do etanol, quem sustenta a cadeia do milho são justamente o óleo de milho e o DDG."

Na avaliação do especialista, as usinas deverão ampliar sua atuação nos mercados ligados à nutrição animal e aos biocombustíveis avançados para reduzir a dependência exclusiva da venda de etanol.

FS amplia valor agregado dos coprodutos

A estratégia de agregar valor aos coprodutos vem sendo uma das principais apostas da FS, segunda maior produtora de etanol de milho do Brasil.

Segundo o CEO da companhia, Rafael Abud, o etanol atualmente não cobre sozinho todos os custos operacionais da indústria.

"O custo total de produção está acima do preço do etanol, mas o DDG faz toda a diferença na composição da receita", afirma.

A empresa investe na produção de diferentes categorias de DDG, incluindo versões de alta proteína e alta fibra, destinadas a segmentos específicos da alimentação animal.

Esse portfólio mais especializado permite melhor precificação dos produtos, reduzindo a exposição às oscilações do mercado de combustíveis.

Exportações de óleo de milho fortalecem receitas

Além do mercado doméstico, o óleo de milho brasileiro vem conquistando espaço no exterior.

A FS tem direcionado parte da produção para países da Europa, onde o produto é utilizado como matéria-prima na fabricação de:

  • Combustível Sustentável de Aviação (SAF);
  • Biodiesel;
  • Diesel Verde (HVO).

Segundo a companhia, os compradores europeus pagam prêmios superiores aos praticados no mercado brasileiro devido aos atributos de sustentabilidade do produto.

Essa estratégia contribui para ampliar a rentabilidade das operações em um momento de maior pressão sobre o mercado de etanol.

Atualmente, DDG e óleo de milho representam cerca de 45% do custo da matéria-prima na estrutura financeira da empresa, percentual superior à média do setor, estimada entre 35% e 40%.

CerradinhoBio amplia mercado para DDG

Na CerradinhoBio, terceira maior produtora nacional de etanol de milho, o cenário é semelhante.

De acordo com o CEO Renato Pretti, a receita obtida apenas com o etanol cobre entre 70% e 80% dos custos operacionais, enquanto os coprodutos desempenham papel fundamental no equilíbrio financeiro.

A empresa vem investindo na expansão da área comercial para ampliar a presença do DDG no mercado de nutrição animal.

Embora já possua centenas de clientes ativos, a companhia acredita que ainda existe grande potencial de crescimento, especialmente entre pecuaristas e indústrias de alimentação animal que ainda não utilizam o produto.

Extração de óleo de milho ganha prioridade

Outra estratégia adotada pela CerradinhoBio é aumentar a eficiência da extração do óleo de milho por meio de melhorias tecnológicas e operacionais.

O movimento é explicado pela diferença significativa de valor entre os coprodutos.

Enquanto uma tonelada de óleo de milho pode ser comercializada entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, a tonelada de DDG gira em torno de R$ 1 mil, tornando o óleo uma importante fonte de rentabilidade adicional.

Nutrição animal e combustíveis renováveis impulsionam o setor

O crescimento da produção de etanol de milho transformou os coprodutos em ativos estratégicos para a indústria brasileira.

Além de abastecer o setor pecuário com ingredientes de alto valor nutricional, DDG e óleo de milho passaram a integrar cadeias ligadas à economia de baixo carbono, atendendo mercados voltados aos combustíveis renováveis e à descarbonização do transporte.

Essa diversificação reduz a dependência exclusiva da comercialização do etanol e fortalece a sustentabilidade financeira das usinas.

Perspectivas para o mercado de etanol de milho

Enquanto os preços do etanol permanecem pressionados pela ampla oferta de combustíveis e pela concorrência com a gasolina, especialistas avaliam que os coprodutos continuarão desempenhando papel decisivo na rentabilidade das usinas.

O avanço das exportações, a expansão da demanda por proteína animal e o crescimento do mercado internacional de combustíveis sustentáveis deverão ampliar a importância econômica do DDG e do óleo de milho nos próximos anos, consolidando um novo modelo de negócios para a indústria brasileira de etanol de milho.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias