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Análise de Mercado

Exportações do agronegócio somam US$ 15,2 bilhões em agosto, com alta de 6,7%

Soja, frango, café e algodão sustentaram o avanço anual das vendas externas, enquanto açúcar VHP, milho e carne bovina registraram forte redução nos embarques


Publicado em: 21/09/2026 às 10:50hs

Exportações do agronegócio somam US$ 15,2 bilhões em agosto, com alta de 6,7%

As exportações brasileiras do agronegócio movimentaram US$ 15,2 bilhões em agosto de 2026, crescimento de 6,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação com julho, entretanto, a receita recuou 6,8%.

No acumulado entre janeiro e agosto, as vendas externas do setor alcançaram US$ 118,5 bilhões, avanço de 6,1% sobre igual período do ano passado. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foram analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA no relatório Radar Agro.

O desempenho de agosto foi marcado pelo aumento dos volumes exportados pelo complexo soja, pela carne de frango e pelo café. Na direção oposta, os embarques de açúcar VHP, milho e carne bovina in natura apresentaram quedas expressivas na comparação anual.

Exportações de soja chegam a 9,8 milhões de toneladas

O Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de soja em grãos durante agosto, volume 5% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Em relação a julho, porém, houve retração de 27%.

Segundo o Itaú BBA, o crescimento anual foi favorecido pela demanda internacional ainda firme e pelos prêmios elevados nos portos brasileiros, em um cenário de oferta global relativamente ajustada.

O preço médio da soja exportada alcançou US$ 449,60 por tonelada, alta de 8% na comparação anual e de 3% frente ao mês anterior. A receita com o grão somou US$ 4,41 bilhões em agosto.

Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras atingiram 92,79 milhões de toneladas, crescimento de 7%. A receita acumulada chegou a US$ 39,42 bilhões.

Farelo e óleo de soja registram forte crescimento

Os embarques de farelo de soja somaram 2,34 milhões de toneladas em agosto, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025 e de 1% sobre julho. O desempenho foi sustentado pela procura externa e pela maior disponibilidade do produto diante do avanço do esmagamento.

O preço médio ficou em US$ 366,20 por tonelada, crescimento anual de 10%. Nos oito primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 17,34 milhões de toneladas de farelo, aumento de 13%.

No óleo de soja, as vendas externas atingiram 207 mil toneladas, com expansão anual de 31%, apesar da redução de 35% na comparação mensal. O relatório associa a sustentação da demanda ao setor de biocombustíveis.

O preço médio foi de aproximadamente US$ 1.206,80 por tonelada, 10% acima do observado em agosto de 2025. No acumulado do ano, os embarques chegaram a 1,57 milhão de toneladas, alta de 42%.

Frango avança 24% e compensa queda da carne bovina

As exportações de carne de frango in natura totalizaram 428 mil toneladas em agosto, crescimento de 24% na comparação anual e leve recuo de 1% frente a julho.

A recuperação ocorreu após as restrições comerciais relacionadas à gripe aviária registradas em 2025. O preço médio atingiu US$ 2.051,10 por tonelada, com altas de 12% em um ano e de 1% no mês.

Entre janeiro e agosto, os embarques brasileiros de frango somaram 3,39 milhões de toneladas, avanço de 16%. A receita acumulada chegou a US$ 6,72 bilhões.

A carne bovina seguiu trajetória diferente. Os embarques recuaram 27% na comparação anual e 14% frente a julho, totalizando 196 mil toneladas. A redução foi provocada principalmente pela retração das compras chinesas, parcialmente compensada pela demanda dos Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Arábia Saudita.

Apesar da queda mensal, as exportações acumuladas de carne bovina chegaram a 1,92 milhão de toneladas entre janeiro e agosto, 5% acima do mesmo período de 2025. O preço médio de agosto avançou 10% em um ano, para US$ 6.165,70 por tonelada.

Carne suína cresce, mas oferta interna continua elevada

O Brasil exportou 115 mil toneladas de carne suína in natura em agosto, alta de 7% sobre o mesmo mês do ano anterior e queda de 1% em relação a julho.

Embora a demanda externa tenha aumentado, o Itaú BBA avalia que os embarques ainda não absorvem integralmente o crescimento da produção doméstica.

De janeiro a agosto, as exportações alcançaram 914 mil toneladas, expansão anual de 7%. O preço médio de agosto foi de US$ 2.336 por tonelada, com redução de 9% em relação a 2025 e de 3% na comparação mensal.

Etanol avança 37%, enquanto açúcar VHP recua 33%

No setor sucroenergético, as exportações de etanol atingiram 214 mil metros cúbicos em agosto. O volume cresceu 37% na comparação anual e 19% frente a julho.

Apesar do aumento dos embarques, o preço médio recuou 11% em um ano e 7% no mês, ficando em US$ 501,10 por metro cúbico.

O açúcar VHP apresentou a maior queda entre os principais produtos analisados. Os embarques somaram 2,22 milhões de toneladas, retração de 33% na comparação anual e de 12% frente ao mês anterior.

Segundo o relatório, o desempenho refletiu a menor disponibilidade de açúcar no Centro-Sul, provocada pela redução da moagem e pela queda na concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana.

O preço médio do açúcar VHP chegou a US$ 339,10 por tonelada, baixa anual de 14%. No acumulado de janeiro a agosto, as exportações totalizaram 15,52 milhões de toneladas, recuo de 12%.

Já o açúcar refinado registrou crescimento anual de 12% nos embarques, que alcançaram 475 mil toneladas. O preço médio, contudo, caiu 13%, para US$ 383,80 por tonelada.

Milho perde competitividade no mercado internacional

As exportações brasileiras de milho totalizaram 4,65 milhões de toneladas em agosto, queda de 32% em relação ao mesmo mês de 2025.

O Itaú BBA atribuiu o recuo à maior concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no comércio internacional, além da redução da competitividade do cereal brasileiro.

O preço médio de exportação ficou em US$ 215,50 por tonelada, alta anual de 10%, conforme os dados consolidados do relatório. A receita mensal alcançou pouco mais de US$ 1 bilhão.

Nos oito primeiros meses de 2026, os embarques de milho somaram 14,49 milhões de toneladas, redução de 8% frente a igual intervalo de 2025.

Café e algodão ampliam volumes exportados

O café verde apresentou uma das maiores expansões de agosto. Os embarques chegaram a 207 mil toneladas, crescimento de 45% na comparação anual e de 35% frente a julho.

A receita mensal alcançou US$ 1,1 bilhão. O preço médio ficou em US$ 5.306,50 por tonelada, 14% abaixo do observado em agosto de 2025.

Apesar da recuperação mensal, as exportações acumuladas de café verde somaram 1,29 milhão de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No algodão, os embarques atingiram 106 mil toneladas em agosto, avanço anual de 37%. Nos primeiros oito meses do ano, o volume exportado chegou a 2,08 milhões de toneladas, crescimento de 22%, com receita de US$ 3,24 bilhões.

Celulose e suco de laranja registram redução

As exportações de celulose somaram 1,62 milhão de toneladas em agosto, recuo anual de 3%. Apesar da redução no volume, o preço médio avançou 34%, para US$ 554 por tonelada.

No suco de laranja equivalente concentrado e congelado, os embarques caíram 12% em relação a agosto de 2025, totalizando 54 mil toneladas. O preço médio recuou 41%, para US$ 2.261 por tonelada.

O desempenho geral de agosto reforça um cenário desigual para a pauta exportadora do agronegócio. Enquanto soja, frango, café, algodão e etanol ampliaram os volumes, a menor competitividade do milho, a redução da oferta de açúcar e o recuo das compras chinesas de carne bovina limitaram um avanço mais intenso das exportações brasileiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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