Etanol de milho cresce abaixo do esperado no Centro-Sul e nove usinas aguardam liberação da ANP
StoneX aponta utilização de apenas 49,6% da capacidade instalada na safra 2026/27. Consultoria projeta produção de 10,5 bilhões de litros, enquanto demora na autorização de novas unidades e demanda inicialmente fraca limitam a expansão do setor.
Publicado em: 03/11/2026 às 10:50hs
A produção de etanol de milho no Centro-Sul do Brasil avança em ritmo inferior ao projetado pelo mercado na safra 2026/27. Segundo levantamento da consultoria StoneX, as usinas da região utilizam atualmente 49,6% da capacidade produtiva disponível, indicando uma expansão mais lenta do que a esperada para o período.
O cenário ocorre mesmo com o aumento dos investimentos industriais e a ampliação da estrutura de produção. Nove usinas com obras concluídas, entre novas unidades e projetos de expansão, ainda aguardam autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar as operações.
A capacidade atual do Centro-Sul é estimada em aproximadamente 12,7 bilhões de litros de etanol por ano. Para a safra 2026/27, a StoneX projeta uma produção de 10,5 bilhões de litros na região.
Em análise assinada por Letícia Corrêa e Raphael Bulascoschi, a consultoria avalia que o desempenho representa uma frustração das expectativas de crescimento do segmento, já que o mercado esperava um volume maior de produção já nesta temporada.
Nove usinas aguardam autorização para operar
Um dos principais fatores que explicam o avanço mais lento da produção é o tempo necessário para a entrada em funcionamento de novas unidades industriais.
De acordo com a StoneX, nove projetos já concluíram as obras, incluindo instalações recém-construídas e ampliações de capacidade, mas ainda dependem de autorização da ANP para começar a operar.
Esse processo tem atrasado o chamado ramp-up do setor, etapa em que as unidades iniciam e ampliam gradualmente sua produção até alcançar níveis operacionais mais elevados.
A expectativa de crescimento da capacidade de fabricação de etanol de milho para a safra 2026/27, portanto, está se concretizando em um ritmo inferior ao inicialmente previsto.
Centro-Sul opera abaixo do Norte e Nordeste
O levantamento também evidencia diferenças no aproveitamento da capacidade industrial entre as regiões brasileiras.
Enquanto o Centro-Sul registra utilização de 49,6% da estrutura disponível, as unidades produtoras do Norte e Nordeste apresentam índice de 63,3%, conforme os dados citados pela consultoria.
A diferença mostra que o nível de utilização das plantas industriais varia regionalmente e que a expansão da produção não depende apenas da capacidade instalada, mas também das condições de operação e do comportamento da demanda.
Demanda fraca no início de 2026 limitou expansão
A StoneX aponta que o desempenho abaixo do esperado também está relacionado ao comportamento do mercado consumidor.
No encerramento da safra 2025/26 e nos primeiros meses da temporada 2026/27, a demanda por etanol ficou aquém das expectativas. Esse cenário reduziu o incentivo econômico para que os produtores acelerassem a fabricação do biocombustível.
Segundo os analistas, a situação começou a apresentar sinais de reversão em julho, com melhora nas condições de demanda.
A mudança pode favorecer a retomada do ritmo de produção, mas seus efeitos dependem da evolução do consumo, da disponibilidade de matéria-prima e da capacidade das usinas de ampliar suas operações.
Mistura de 32% na gasolina aumenta atenção sobre oferta de anidro
Apesar do início de safra marcado por uma demanda mais fraca, a consultoria também chama atenção para a possibilidade de restrição na oferta de etanol anidro.
A preocupação está relacionada à elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, além do avanço das vendas de gasolina C — combustível comercializado nos postos com a adição de etanol anidro — no início do ano.
Esse contexto pode aumentar a necessidade de fornecimento do biocombustível destinado à mistura com a gasolina, especialmente se a produção não acompanhar o ritmo de crescimento do consumo.
A disponibilidade de etanol anidro, portanto, passa a ser um ponto de atenção para o equilíbrio do mercado de combustíveis.
Estoques menores e quebra na moagem de cana pressionam oferta de etanol
Outro fator de preocupação é a situação dos estoques de etanol no Centro-Sul. Conforme a StoneX, os volumes armazenados estão 13% abaixo dos registrados na safra anterior, que já havia terminado com níveis considerados apertados.
A oferta também enfrenta dificuldades no segmento de cana-de-açúcar. O excesso de chuvas provocou uma forte redução na moagem, prejudicando o processamento da matéria-prima e contribuindo para a queda na produção de biocombustível.
Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura apontaram redução da produção na primeira quinzena de outubro, em um período marcado pelos impactos das condições climáticas sobre as operações das usinas.
A combinação de estoques menores, limitações na moagem de cana e expansão mais lenta do etanol de milho aumenta a atenção sobre o abastecimento do mercado brasileiro.
Etanol de milho mantém potencial de crescimento, mas ritmo depende de novos fatores
O setor de etanol de milho mantém perspectivas de expansão no Brasil, apoiado na ampliação da capacidade industrial e na entrada de novos investimentos. Entretanto, os dados da safra 2026/27 mostram que a instalação de novas unidades não se converte automaticamente em aumento imediato da oferta.
A liberação das usinas pela ANP, a evolução da demanda, a disponibilidade de matéria-prima e as condições de mercado serão determinantes para o ritmo de crescimento nos próximos meses.
Com capacidade anual de aproximadamente 12,7 bilhões de litros no Centro-Sul e projeção de produção de 10,5 bilhões de litros nesta safra, a indústria ainda tem espaço para ampliar o aproveitamento de sua estrutura. O desafio será transformar esse potencial em produção efetiva, mantendo o equilíbrio entre oferta, consumo e estoques de etanol no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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