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Etanol de milho atrai bilhões em investimentos estrangeiros e consolida Brasil como potência global em bioenergia

Expansão acelerada da produção, incentivos públicos e modelo de biorrefinarias integradas colocam o Brasil no radar de investidores dos Estados Unidos, Paraguai, Emirados Árabes e Europa, enquanto empresas chinesas ainda avaliam oportunidades no setor


Publicado em: 20/07/2026 às 17:00hs

Etanol de milho atrai bilhões em investimentos estrangeiros e consolida Brasil como potência global em bioenergia

O mercado brasileiro de etanol de milho vive um dos momentos mais promissores de sua história. Impulsionado pelo crescimento da produção, pela abundância de milho de segunda safra e pelo avanço da agenda de descarbonização, o segmento passou a atrair investimentos bilionários de grupos internacionais e se consolidou como uma das principais frentes de expansão do agronegócio brasileiro.

Nos últimos anos, empresas dos Estados Unidos, Paraguai e Emirados Árabes Unidos anunciaram grandes projetos no país, transformando o Brasil em um dos principais destinos globais para investimentos em bioenergia. Ao mesmo tempo, multinacionais europeias analisam novas plantas industriais, enquanto grupos chineses acompanham de perto a evolução do mercado, mas ainda não oficializaram investimentos em etanol de milho.

Produção cresce quase quatro vezes em poucos anos

A rápida expansão da indústria explica o interesse internacional.

Na safra 2025/26, a produção brasileira de etanol de milho se aproxima de 10 bilhões de litros, volume muito superior aos cerca de 2,65 bilhões de litros registrados no início da década.

O crescimento também foi impulsionado pela ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, que passou de 27% para 30%, aumentando a demanda pelo biocombustível e fortalecendo a segurança para novos investimentos.

Além do mercado de combustíveis, o modelo brasileiro apresenta uma característica que desperta atenção mundial: as usinas operam como verdadeiras biorrefinarias integradas, agregando valor ao milho e diversificando suas fontes de receita.

Biorrefinarias ampliam rentabilidade

Ao contrário de modelos focados apenas na produção de etanol, as plantas brasileiras aproveitam praticamente todos os componentes do milho.

Além do biocombustível, as unidades produzem:

  • DDG e DDGS para nutrição animal;
  • óleo de milho;
  • energia elétrica;
  • biometano;
  • dióxido de carbono biogênico para uso industrial.

Esse modelo reduz riscos, melhora a rentabilidade dos empreendimentos e amplia a competitividade do setor, tornando o Brasil uma referência internacional em bioenergia.

Incentivos tornam o Brasil mais competitivo

Outro fator decisivo para a chegada do capital estrangeiro é o ambiente de incentivos oferecido pelos governos federal e estaduais.

Dependendo da localização do empreendimento, os projetos podem acessar benefícios como:

  • créditos presumidos e diferimento de ICMS;
  • financiamentos do BNDES;
  • recursos do Fundo Clima;
  • incentivos regionais da Sudam e Sudene;
  • apoio de fundos estaduais de desenvolvimento;
  • programas municipais de infraestrutura.

O setor também conta com o RenovaBio, que permite às usinas certificadas comercializar Créditos de Descarbonização (CBIOs), criando uma fonte adicional de receita baseada na eficiência ambiental.

Inpasa lidera expansão internacional no Brasil

Entre os investidores estrangeiros, a paraguaia Inpasa tornou-se o maior símbolo da expansão do etanol de milho no Brasil.

Desde sua chegada ao país, em 2018, a empresa implantou um robusto plano de crescimento, com operações em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão, além de novas unidades em construção na Bahia e em Goiás.

Os investimentos recentes anunciados pela companhia ultrapassam R$ 9,7 bilhões, incluindo projetos de grande porte em:

  • Rio Verde (GO);
  • Luís Eduardo Magalhães (BA);
  • Balsas (MA);
  • Rondonópolis (MT);
  • Nova Mutum (MT).

As novas plantas reforçam o papel do Brasil como plataforma global de produção de biocombustíveis e coprodutos agroindustriais.

Capital americano acelera desenvolvimento do setor

Os Estados Unidos também figuram entre os principais investidores da indústria brasileira.

O Summit Agricultural Group participou da criação da FS Fueling Sustainability, considerada pioneira na produção industrial de etanol exclusivamente a partir do milho.

Hoje, a empresa opera três grandes unidades industriais em Mato Grosso e possui capacidade próxima de 2,6 bilhões de litros de etanol por ano, além da fabricação de ingredientes para nutrição animal e geração de bioenergia.

Outro destaque é a Cargill, que ampliou sua atuação ao incorporar integralmente a SJC Bioenergia e anunciar novos investimentos em Goiás.

A estratégia da multinacional consiste em integrar a produção de etanol de milho às usinas de cana-de-açúcar, compartilhando infraestrutura, armazenagem, logística e sistemas industriais para reduzir custos operacionais.

Capital árabe fortalece bioenergia brasileira

Os Emirados Árabes Unidos também ampliaram sua presença no setor.

Por meio da Mubadala Capital, acionista de referência da Atvos, foram realizados aportes destinados à reestruturação financeira da companhia e à expansão da capacidade industrial.

A Atvos anunciou sua primeira planta integrada de etanol de milho em Nova Alvorada do Sul (MS), com capacidade para processar 642 mil toneladas de milho por ano e produzir:

  • 273 milhões de litros de etanol;
  • 183 mil toneladas de DDG;
  • 13 mil toneladas de óleo de milho.

O projeto aproveitará a energia gerada pelo bagaço da cana, permitindo operação praticamente contínua ao longo do ano.

BP avalia novos investimentos

A britânica BP também estuda ampliar sua presença na bioenergia brasileira.

A companhia analisa projetos de etanol de milho integrados às suas unidades de açúcar e etanol de cana, aproveitando sinergias operacionais, compartilhamento de infraestrutura e redução de custos.

Até o momento, entretanto, a empresa ainda não anunciou oficialmente a construção de uma unidade.

Empresas chinesas monitoram oportunidades

Enquanto investidores paraguaios, americanos e árabes aceleram sua expansão, o capital chinês mantém postura mais cautelosa.

A COFCO International, uma das maiores empresas do agronegócio mundial, já possui forte presença no Brasil nas áreas de originação de grãos, processamento de soja, biodiesel e etanol de cana.

Embora o mercado tenha especulado, nos últimos anos, sobre uma possível fábrica de etanol de milho em Mato Grosso, a companhia ainda não confirmou oficialmente nenhum investimento nesse segmento.

Mesmo assim, especialistas avaliam que o potencial permanece elevado.

A infraestrutura logística da COFCO, aliada à produção recorde de milho do Centro-Oeste, cria condições favoráveis para futuros projetos envolvendo etanol, biometano, captura de carbono, combustíveis sustentáveis e coprodutos destinados à cadeia global de proteínas animais.

Brasil ganha protagonismo na transição energética

Além do mercado doméstico, o etanol brasileiro passa a ganhar espaço em novas rotas internacionais de descarbonização.

O biocombustível vem sendo considerado uma alternativa para combustíveis marítimos e para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), ampliando o potencial de exportação e agregando valor à cadeia produtiva.

O reconhecimento internacional de parâmetros relacionados à pegada de carbono do etanol de milho reforça essa tendência e amplia a competitividade brasileira no mercado global de energia renovável.

Investimentos confirmam novo ciclo do agronegócio brasileiro

A chegada de investimentos bilionários demonstra que o etanol de milho deixou de ser uma atividade complementar para se tornar um dos principais segmentos estratégicos do agronegócio nacional.

O modelo brasileiro combina elevada oferta de matéria-prima, tecnologia industrial, geração de energia renovável, produção de alimentos para nutrição animal e políticas voltadas à descarbonização, formando uma cadeia altamente competitiva.

Com grandes grupos internacionais já consolidados no país e novas empresas avaliando oportunidades, o Brasil reforça sua posição como um dos maiores polos mundiais de bioenergia e amplia seu protagonismo na produção de combustíveis renováveis para atender à crescente demanda global por soluções de baixo carbono.

Fonte: Portal do Agronegócio

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