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Etanol chega a R$ 2,64 por litro nas usinas de SP e mantém vantagem sobre a gasolina, aponta Itaú BBA

Chuvas dificultam a moagem e consumo sustenta os preços; Agro Mensal destaca mudanças tributárias e oportunidades de expansão da demanda internacional.


Publicado em: 15/10/2026 às 10:50hs

Etanol chega a R$ 2,64 por litro nas usinas de SP e mantém vantagem sobre a gasolina, aponta Itaú BBA

O etanol hidratado combustível atingiu R$ 2,64 por litro nas usinas paulistas na semana encerrada em 9 de outubro, mantendo a trajetória de valorização. Segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, as restrições à moagem provocadas pelas chuvas e o consumo doméstico firme sustentam as cotações.

Mesmo com a alta, o biocombustível preservou sua competitividade diante da gasolina. A paridade média em São Paulo ficou em 60,7%, conforme o levantamento.

No curto prazo, a consultoria considera a agenda tributária o principal ponto de atenção para o setor. Em um horizonte mais longo, a continuidade do cenário favorável dependerá da ampliação do uso de etanol pelos veículos flex.

Chuvas e consumo doméstico sustentam o preço do etanol

O valor registrado nas usinas paulistas ficou próximo ao observado no início da safra. A recuperação ocorre em um ambiente de dificuldades para a moagem da cana, com as precipitações reduzindo as oportunidades de operação.

Na demanda, o consumo doméstico permanece firme, embora ainda abaixo de seu potencial, segundo a análise.

A combinação oferece suporte ao mercado físico. Para manter essa sustentação no longo prazo, o relatório aponta a necessidade de ampliar a utilização do biocombustível pela frota flex, cuja participação de uso de etanol é indicada em 32%.

Competitividade diante da gasolina permanece favorável

A paridade de 60,7% em São Paulo mostra que a valorização do hidratado não eliminou sua vantagem de preço diante da gasolina no período analisado.

Essa relação é relevante para o consumo, pois influencia a escolha de abastecimento dos proprietários de veículos flex. O relatório trata a expansão dessa demanda como um dos fatores necessários para sustentar o mercado nos próximos anos.

Os números apresentados correspondem ao recorte do Agro Mensal e podem variar conforme a evolução dos preços e as condições regionais.

Mudanças tributárias concentram atenção no curto prazo

O Itaú BBA destaca três movimentos na agenda regulatória descrita pelo relatório: a flexibilização das obrigações e a ampliação do prazo da subvenção aos produtores de etanol hidratado; a aprovação da metodologia de cálculo de IBS e CBS sobre combustíveis; e a desoneração federal da gasolina, acompanhada de aumento da subvenção ao hidratado.

No quadro apresentado pela consultoria, a subvenção ao etanol hidratado passa de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. O documento também informa a manutenção da desoneração de PIS/Cofins sobre o produto.

Para a gasolina A, o relatório descreve a isenção de PIS/Cofins e Cide no período de 10 de outubro a 9 de novembro, mantendo a tributação entre os principais fatores de acompanhamento.

Gasolina e possíveis reajustes entram no radar

Na avaliação da consultoria, a redução dos tributos abre espaço para um eventual reajuste da gasolina A pela Petrobras, já que o efeito sobre o preço poderia ser parcialmente atenuado pela desoneração.

O Agro Mensal estima uma defasagem de R$ 0,60 por litro, após o indicador alcançar R$ 1,25 por litro no fim de setembro.

Essa avaliação representa um cenário de mercado, e não o anúncio de reajuste. A evolução do preço da gasolina é relevante para o etanol por alterar a relação de competitividade entre os combustíveis.

Califórnia e Indonésia sinalizam oportunidades para o etanol

No mercado internacional, o relatório aponta avanços regulatórios na Califórnia para a oferta do E15, gasolina com 15% de etanol.

Caso essa expansão se concretize, a consultoria estima potencial de 2,5 bilhões de litros adicionais de demanda por etanol.

Na Indonésia, a análise destaca preparativos para elevar gradualmente a mistura, com objetivo de chegar ao E50, composto por 50% de etanol, em 2028.

São perspectivas de ampliação do consumo internacional, cuja realização dependerá da implementação das medidas e do desenvolvimento de cada mercado.

Demanda e política tributária definirão próximos movimentos

O Agro Mensal mantém uma leitura favorável para o etanol, sustentada pelas dificuldades na moagem e pelo consumo doméstico. A evolução desse cenário, porém, estará ligada à competitividade com a gasolina e às mudanças tributárias descritas na análise.

Para o setor, o acompanhamento desses fatores será decisivo tanto na formação dos preços no curto prazo quanto na expansão do mercado consumidor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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