Preço do milho: compras cautelosas limitam negócios no Brasil e Chicago ensaia recuperação
Saca varia de R$ 60 a R$ 69 no Rio Grande do Sul; no exterior, contratos sobem discretamente nesta quinta-feira, com oferta dos Estados Unidos no radar
Publicado em: 15/10/2026 às 11:30hs
O mercado do milho no Brasil segue com negociações pontuais, compradores concentrados na reposição de estoques e diferenças entre os preços pedidos pelos vendedores e os oferecidos pela indústria. Enquanto a comercialização avança lentamente, o plantio da safra 2026/27 mantém produtores atentos ao excesso de chuvas e aos danos localizados nas lavouras do Sul.
No mercado internacional, os contratos futuros do cereal iniciaram esta quinta-feira (15) com pequenas altas na Bolsa de Chicago (CBOT), após uma sequência de perdas. A tentativa de recuperação ocorre em meio à perspectiva de maior oferta nos Estados Unidos e às dúvidas sobre a capacidade das exportações de absorver essa disponibilidade.
Segundo a TF Agroeconômica, a cautela da demanda, o ritmo mais lento dos embarques brasileiros e a distância entre as indicações de compra e venda continuam restringindo os negócios no mercado físico.
Milho no Rio Grande do Sul varia de R$ 60 a R$ 69 por saca
No Rio Grande do Sul, as cotações informadas pela consultoria variam entre R$ 60 e R$ 69 por saca. As indústrias adquirem volumes para necessidades imediatas, enquanto os produtores limitam a oferta.
O preço médio estadual apurado pela Emater recuou 0,37%, para R$ 62,44 por saca. O levantamento também cita uma referência de R$ 75 em Cruz Alta, acima do intervalo predominante apresentado para o estado.
No campo, a semeadura do milho da safra 2026/27 alcançou 79% da área prevista. Granizo, vendavais e chuvas intensas provocaram danos pontuais, ampliando a atenção ao desenvolvimento das lavouras.
Diferença entre compra e venda trava negócios em Santa Catarina
Em Santa Catarina, as referências próximas de R$ 60 por saca encontram indicações de compra ao redor de R$ 55, diferença que dificulta o fechamento de operações.
A necessidade de abastecimento com milho de outras regiões permanece como característica do mercado catarinense. Ainda assim, os compradores mantêm postura seletiva.
O plantio atingiu 79,9% da área. A umidade favorece o desenvolvimento das lavouras em solos bem drenados, mas a frequência das chuvas dificulta as operações de manejo fitossanitário.
Paraná registra queda na maioria das praças
Os preços do milho recuaram na maior parte das localidades acompanhadas no Paraná. Em Cascavel, a cotação caiu 1,74%, para R$ 56,03 por saca. Em sentido contrário, Londrina apresentou alta de 0,33%, para R$ 63,61.
A semeadura chegou a 78% da área, com a maioria das lavouras em boas condições.
Em algumas regiões, porém, o excesso de umidade e a baixa luminosidade podem prolongar o ciclo das plantas. Esse cenário exige acompanhamento por seus possíveis efeitos sobre o calendário agrícola e a janela de implantação da segunda safra.
Bioenergia absorve parte da oferta em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o milho é negociado entre R$ 53 e R$ 56 por saca. Após valorizações recentes, as cotações perderam força, com a maior queda observada em Dourados. Maracaju registrou leve avanço.
A indústria de bioenergia mantém participação na absorção da oferta regional. Os demais compradores, por sua vez, continuam priorizando aquisições para reposição, sem ampliar de forma expressiva os volumes negociados.
Chicago tem pequenas altas após sequência de perdas
Na Bolsa de Chicago, os futuros do milho apresentavam ganhos discretos por volta das 8h38, no horário de Brasília, nesta quinta-feira:
- Dezembro/26: US$ 4,8125 por bushel, alta de 0,50 centavo;
- Março/27: US$ 4,9475 por bushel, avanço de 0,50 centavo;
- Maio/27: US$ 5,0200 por bushel, ganho de 0,25 centavo.
As cotações representam uma recuperação parcial diante das perdas recentes e correspondem ao horário informado, não ao fechamento do pregão.
Na quarta-feira (14), os contratos terminaram em baixa, pressionados pela perspectiva de elevada disponibilidade do cereal nos Estados Unidos. Segundo o Farm Progress, vendas motivadas por fatores técnicos também contribuíram para o movimento.
Colheita americana fica abaixo da média, mas condição das lavouras melhora
No acompanhamento citado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita havia alcançado 33% da área de milho, abaixo dos 39% da média dos últimos cinco anos.
Ao mesmo tempo, a parcela das lavouras classificadas em condições boas ou excelentes aumentou de 54% para 56%.
A melhora das condições produtivas reforça a atenção à oferta americana, mesmo com o ritmo de retirada do cereal inferior ao histórico.
Exportações serão decisivas para o equilíbrio da oferta nos EUA
Os investidores também avaliam os números do relatório de oferta e demanda do USDA divulgado na sexta-feira anterior. O levantamento elevou a estimativa de produção americana para 407,28 milhões de toneladas e os estoques finais para 46,97 milhões de toneladas.
Com maior disponibilidade projetada, o desempenho das vendas externas ganha importância. Em análise divulgada neste mês, o Itaú BBA destacou que exportações abaixo do previsto poderão ampliar ainda mais os estoques dos Estados Unidos.
A próxima referência será o relatório semanal de vendas de exportação do USDA, cuja divulgação está prevista para sexta-feira (16), conforme o calendário informado.
Para o mercado brasileiro, o ritmo das compras internas e dos embarques continuará influenciando as negociações, enquanto as condições climáticas no Sul orientam as expectativas para a nova safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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