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Soja

Soja cai em Chicago, mas dólar sustenta preços no Brasil; plantio limita negócios

Colheita nos Estados Unidos pressiona os contratos futuros, enquanto compras chinesas amenizam as perdas; no mercado brasileiro, produtores priorizam a semeadura e mantêm oferta seletiva


Publicado em: 15/10/2026 às 11:50hs

Soja cai em Chicago, mas dólar sustenta preços no Brasil; plantio limita negócios

O mercado da soja apresenta preços mistos no Brasil e negociações limitadas, com os produtores concentrados no plantio da safra 2026/27. No cenário internacional, os contratos futuros recuam na manhã desta quinta-feira (15), pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, enquanto a retomada das compras chinesas ajuda a conter as perdas.

A valorização do dólar frente ao real oferece sustentação às cotações brasileiras, mas não tem sido suficiente para acelerar a comercialização. Segundo análises da TF Agroeconômica e da Safras & Mercado, a baixa participação dos vendedores e os ajustes pontuais nos prêmios mantêm os negócios em ritmo moderado.

Soja recua em Chicago e novembro permanece acima de US$ 12,70

Por volta das 7h17 desta quinta-feira, no horário de Brasília, os principais contratos da soja na Bolsa de Chicago registravam perdas de 4,50 a 4,75 centavos de dólar por bushel.

O vencimento novembro/26 era negociado a US$ 12,72 por bushel, enquanto janeiro/27 marcava US$ 12,87. As posições março, maio e julho tinham cotações de US$ 12,95, US$ 13,03 e US$ 13,09 por bushel, respectivamente.

O movimento devolve parte dos ganhos recentes e ocorre em meio ao aumento da disponibilidade de soja norte-americana. Nos derivados, o farelo apresentava valorização próxima de 1%, enquanto o óleo recuava cerca de 0,9%, contribuindo para limitar a reação do grão.

Em outra referência da manhã, o dólar comercial avançava 0,36%, a R$ 5,0485. A alta da moeda americana ajuda a compensar parte da pressão externa sobre os preços no Brasil.

Colheita nos Estados Unidos avança para 46%

O avanço dos trabalhos no campo norte-americano segue entre os principais fatores acompanhados pelo mercado.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita de soja alcançou 46% da área até 11 de outubro, ante 25% na semana anterior. O resultado superou a expectativa de 44% dos analistas consultados pela Reuters, mas permaneceu abaixo da média de 50% dos últimos cinco anos.

As condições das lavouras ficaram estáveis: 57% foram classificadas como boas ou excelentes, 29% como regulares e 14% como ruins ou muito ruins.

O tempo predominantemente seco favoreceu a aceleração da colheita. Embora chuvas tenham provocado interrupções pontuais nesta semana, a previsão de condições mais secas nos próximos dias mantém a expectativa de continuidade dos trabalhos.

Compras da China oferecem suporte às cotações

A demanda chinesa atua como contraponto à pressão da colheita. Na quarta-feira (14), o USDA informou a venda de 470 mil toneladas de soja dos Estados Unidos para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27.

Segundo informações da Reuters, compradores estatais chineses também adquiriram entre oito e dez cargas do tipo Panamax nesta semana, com embarques programados a partir de dezembro. Esses relatos não devem ser somados automaticamente ao volume anunciado pelo USDA, pois podem envolver operações coincidentes.

Apesar dos novos negócios, as importações chinesas de soja somaram 11,88 milhões de toneladas em setembro, queda de 7,7% sobre o mesmo mês do ano anterior e de 2,1% em relação a agosto. No acumulado do ano, as compras atingiram 86,08 milhões de toneladas, conforme a Administração Geral das Alfândegas da China.

Preços da soja no Brasil têm ajustes pontuais

No mercado físico brasileiro, a quarta-feira (14) foi marcada por baixa liquidez e variações regionais. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, os produtores permanecem pouco ativos nas vendas, com atenção voltada à implantação das lavouras.

No Rio Grande do Sul, as referências avançaram R$ 0,50 por saca de 60 quilos. Rio Grande chegou a R$ 156,50, Passo Fundo a R$ 147,50 e Santa Rosa a R$ 148,50. A oferta seletiva favoreceu os ajustes, sem provocar expansão expressiva dos negócios.

Em Santa Catarina, a indicação FOB em Abelardo Luz recuou de R$ 150,00 para R$ 149,00 por saca.

No Paraná, Paranaguá manteve R$ 155,50, e Cascavel permaneceu em R$ 144,50. Em Ponta Grossa, a referência subiu para R$ 147,50.

Em Mato Grosso do Sul, Dourados avançou para R$ 140,50, enquanto Campo Grande caiu para R$ 136,00. Chapadão do Sul ficou em R$ 135,00.

Em Mato Grosso, a TF Agroeconômica apontou quedas entre 0,42% e 0,51% nas praças acompanhadas, com referências de R$ 143,55 em Campo Verde e R$ 136,60 em Sorriso. No levantamento da Safras & Mercado, Rondonópolis manteve R$ 142,00. Em Rio Verde, em Goiás, a saca seguiu em R$ 140,00.

Chuvas condicionam o avanço do plantio da soja

O comportamento das precipitações também influencia as decisões de comercialização e o andamento da safra brasileira.

No Paraná, a semeadura avançou de 36% para 39%, em meio a chuvas frequentes e temporais. A continuidade das interrupções pode encurtar a janela de implantação do milho em sucessão, embora o atraso, isoladamente, não represente perda de produção já consolidada.

Em Santa Catarina, o excesso de umidade restringe a entrada de máquinas no Oeste e no Meio-Oeste.

Em Mato Grosso do Sul, o plantio alcançou 25%, com umidade favorável ao estabelecimento das lavouras, mas sujeito a paralisações por temporais. Em Mato Grosso, a semeadura atingiu 25,2% no levantamento encerrado em 9 de outubro, com irregularidade das chuvas em parte das áreas.

Além do clima, a necessidade de recursos para financiar a implantação da safra participa das decisões de venda dos produtores.

Chicago encerrou a quarta-feira em baixa

Na sessão anterior, o contrato novembro fechou a US$ 12,7725 por bushel, com queda de 6,50 centavos, ou 0,50%. Janeiro encerrou a US$ 12,92, recuo de 8 centavos, ou 0,61%.

O avanço da colheita e a valorização internacional do dólar prevaleceram sobre os sinais positivos da demanda chinesa. Nos derivados, o farelo para dezembro subiu 0,35%, a US$ 364,50 por tonelada, enquanto o óleo caiu 1,41%, a 67,06 centavos de dólar por libra-peso.

Para o mercado brasileiro, a combinação entre Chicago, câmbio, prêmios de exportação e disponibilidade de produto continuará orientando os preços, enquanto o plantio mantém parte dos produtores afastada das negociações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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