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Preço do leite em queda e chuvas excessivas ameaçam margens no RS, alerta Gadolando

Entidade teme aumento dos custos com alimentação do rebanho no fim do ano e aponta dificuldades para produzir silagem e feno, enquanto o preço-referência recua


Publicado em: 15/10/2026 às 11:45hs

Preço do leite em queda e chuvas excessivas ameaçam margens no RS, alerta Gadolando
Foto: Isabele Kleim

A queda recente do preço-referência do leite, somada às dificuldades para produzir alimentos para o rebanho, preocupa os produtores do Rio Grande do Sul. Segundo a Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), o excesso de chuvas pode elevar os custos da atividade justamente em um período de pressão sobre a remuneração.

O presidente da entidade, Marcos Tang, afirma que a expectativa era de maior estabilidade dos preços até o encerramento do ano. O recuo indicado pelo Conseleite, porém, ampliou a apreensão sobre o comportamento do mercado nos próximos meses.

Na avaliação do dirigente, uma nova redução do valor recebido pelo produtor, acompanhada de aumento das despesas, pode comprometer as margens e dificultar a continuidade dos investimentos nas propriedades.

Excesso de chuva dificulta produção de silagem e feno

As condições climáticas interferem diretamente no planejamento alimentar dos rebanhos. De acordo com Tang, as chuvas excessivas dificultam a entrada de máquinas nas lavouras, atrasam o plantio do milho e prejudicam os trabalhos destinados à produção de silagem e feno.

Esse cenário pode elevar o custo de produção por litro de leite, caso as propriedades enfrentem maior dificuldade para formar suas reservas de alimentos.

O presidente da Gadolando lembra que a pecuária leiteira gaúcha já atravessou sucessivos períodos de estiagem e enchentes nos últimos anos. Agora, o excesso de umidade volta a impor obstáculos à organização das atividades no campo.

Queda na remuneração pode limitar investimentos nas propriedades

A preocupação da entidade está na possibilidade de os custos aumentarem ao mesmo tempo que o preço pago pelo leite diminui.

Segundo Tang, a atividade exige aplicação contínua de recursos em tecnologia, melhoramento genético e infraestrutura, com retorno que depende do desempenho da propriedade ao longo do tempo.

Uma redução das margens dificulta tanto o pagamento de investimentos já realizados quanto a execução de novos projetos. Por isso, o dirigente considera a previsibilidade da remuneração um fator importante para o planejamento da produção.

Formação do rebanho exige planejamento de longo prazo

A estrutura da pecuária leiteira torna mais complexas as decisões de reduzir ou encerrar a produção. Conforme explica o presidente da Gadolando, uma terneira precisa ser criada por cerca de dois anos antes de começar a produzir leite.

Esse intervalo exige recursos e cuidados antes que o animal passe a gerar receita para a propriedade.

A saída da atividade também pode dificultar uma eventual retomada. Após a venda dos animais, reconstruir o rebanho demanda tempo, enquanto a aquisição de um conjunto de matrizes pode representar um custo elevado.

Para Tang, essas características reforçam a necessidade de planejar a propriedade no médio e no longo prazo.

Gadolando vê possibilidade de estabilidade no mercado internacional

Apesar da preocupação com o cenário doméstico, o dirigente identifica movimentos no mercado mundial que, em sua avaliação, podem favorecer alguma estabilidade dos preços.

Tang considera que um ambiente de menor volatilidade ajudaria os produtores a organizar despesas e manter os investimentos necessários à atividade.

Essa percepção, entretanto, representa uma expectativa da entidade e não uma garantia de recuperação ou estabilidade do preço recebido nas propriedades brasileiras.

Importações de lácteos também preocupam produtores

A entrada de produtos lácteos importados é outro ponto de atenção para a Gadolando. Tang cobra providências do governo federal diante do que a entidade considera concorrência desleal com a produção nacional.

O dirigente defende medidas antidumping e afirma haver comprovação dessa prática. Essa é a posição apresentada pela associação; o material divulgado não detalha os processos, as decisões ou os documentos que fundamentam a alegação.

Para a Gadolando, remuneração adequada, condições para produzir alimentos e medidas relacionadas às importações são fatores centrais para a permanência dos produtores na atividade.

No fim do ano, a principal preocupação da entidade é evitar que a combinação de menor preço do leite e maiores custos de alimentação agrave as dificuldades financeiras das propriedades gaúchas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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