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Soja

Farelo de soja sobe 13,3% em Mato Grosso e óleo ganha suporte do biodiesel, aponta Itaú BBA

Entressafra e demanda externa sustentaram os preços em setembro; análise destaca maior concorrência argentina no farelo e redução da oferta de óleo de palma na Indonésia.


Publicado em: 15/10/2026 às 12:00hs

Farelo de soja sobe 13,3% em Mato Grosso e óleo ganha suporte do biodiesel, aponta Itaú BBA

O farelo de soja registrou preço médio de R$ 1.929 por tonelada em Rondonópolis (MT) em setembro, alta de 13,3% em relação a agosto. No mesmo período, o óleo de soja em Mato Grosso avançou 4%, para R$ 6.271 por tonelada, segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

A valorização dos derivados foi sustentada pelo câmbio, pela recuperação da soja em grão e pela demanda. No farelo, a entressafra e as compras externas reforçaram o movimento. Para o óleo, o consumo doméstico destinado ao biodiesel contribuiu para a alta.

As perspectivas, porém, apresentam diferenças: o farelo poderá enfrentar maior concorrência internacional, enquanto a redução prevista na oferta de óleo de palma tende a favorecer outros óleos vegetais.

Entressafra eleva custo de reposição do farelo de soja

No mercado brasileiro, a menor disponibilidade regional durante a entressafra e a postura mais firme das indústrias elevaram o custo de reposição do farelo.

A alta em Chicago, a valorização da matéria-prima e a demanda externa também sustentaram as cotações. Diante desse cenário, consumidores domésticos concentraram as aquisições nas necessidades de curto prazo.

As exportações brasileiras de farelo de soja somaram 20,2 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, crescimento de 11,7% sobre o mesmo período de 2025, conforme os dados da Secex apresentados no relatório.

Farelo lidera valorização dos derivados em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a média do primeiro vencimento do farelo alcançou US$ 356 por tonelada em setembro, avanço de 12,4% frente a agosto.

Segundo a consultoria, o movimento refletiu a demanda firme por proteína para alimentação animal, a recuperação da soja em grão e as preocupações com possíveis atrasos na colheita dos Estados Unidos.

O farelo liderou o desempenho dos derivados ao longo do mês. Essa valorização ajudou a preservar margens atrativas para o esmagamento, mesmo com uma reação mais moderada do óleo.

Biodiesel sustenta óleo de soja no mercado brasileiro

Em Mato Grosso, o preço médio de R$ 6.271 por tonelada foi apoiado pelo câmbio, pela alta da soja e pela demanda doméstica para fabricação de biodiesel.

Em Chicago, o óleo apresentou valorização menor: a média do primeiro vencimento ficou em 69,3 centavos de dólar por libra-peso, aumento de 0,6% na comparação mensal.

A demanda por biocombustíveis e a valorização do petróleo ofereceram suporte. Em contrapartida, o crescimento do esmagamento e a maior disponibilidade de óleos vegetais limitaram os ganhos.

Maior produção de soja nos EUA não amplia derivados imediatamente

Na atualização de outubro analisada pelo Itaú BBA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção da safra americana de soja para 124,1 milhões de toneladas, mas manteve a estimativa de esmagamento.

Com isso, as previsões de produção e consumo de farelo e óleo sofreram poucas alterações. O aumento da oferta do grão, portanto, não se traduz imediatamente em maior disponibilidade dos derivados.

Para o farelo, os estoques finais americanos permaneceram próximos de 400 mil toneladas, com mudanças limitadas nas projeções de produção, consumo e exportação.

Esmagamento argentino pode ampliar concorrência com o farelo brasileiro

No cenário mundial, o crescimento previsto do esmagamento na Argentina e na Tailândia tende a aumentar a oferta de farelo.

A expansão argentina merece atenção por ocorrer no principal exportador mundial do produto. Para o Brasil, isso poderá significar maior disputa por compradores internacionais.

A consultoria pondera, entretanto, que o crescimento da produção de proteínas animais e da demanda por ração deverá absorver parte da disponibilidade adicional, reduzindo o risco de pressão mais intensa sobre os preços.

Menor oferta de palma favorece óleo de soja

O principal ajuste destacado pelo relatório no mercado de óleos vegetais ocorreu na Indonésia. O USDA reduziu a estimativa de produção de óleo de palma em 2,2 milhões de toneladas, para 45 milhões, devido à seca prolongada em Sumatra e Kalimantan.

A produtividade foi revisada em 5% para baixo em relação ao mês anterior, enquanto a área permaneceu em 14 milhões de hectares.

Como a Indonésia é o maior produtor e exportador mundial, a menor oferta pode levar os estoques globais de palma aos menores níveis desde 2017/18. Na avaliação do Itaú BBA, esse cenário favorece a substituição por óleos de soja, canola e girassol, oferecendo sustentação às cotações.

Oferta e demanda apontam cenários distintos para os derivados

O Agro Mensal projeta produção mundial de óleo de soja de aproximadamente 75 milhões de toneladas em 2026/27, diante de consumo de 73 milhões e estoques finais de 6,9 milhões de toneladas.

Assim, o suporte associado à menor oferta de palma convive com a expansão da disponibilidade de óleo de soja. No farelo, o equilíbrio dependerá da capacidade da demanda por alimentação animal de acompanhar o aumento do esmagamento.

Para a cadeia brasileira, exportações, consumo de biodiesel e concorrência internacional permanecem entre os fatores centrais para a formação dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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