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Milho e Sorgo

Trigo importado limita preços no Sul, enquanto falta de qualidade dificulta abastecimento

Cereal argentino aumenta resistência dos moinhos a preços maiores no Brasil; safra nova apresenta descontos, renegociações e problemas de qualidade no Rio Grande do Sul e no Paraná.


Publicado em: 15/10/2026 às 11:40hs

Trigo importado limita preços no Sul, enquanto falta de qualidade dificulta abastecimento

A competitividade do trigo importado limita os preços do cereal brasileiro, mesmo com a disponibilidade restrita de lotes de qualidade para os moinhos do Sul. Segundo a TF Agroeconômica, problemas na safra nova ampliam os descontos e levam produtores a buscar renegociações de contratos.

O cenário combina dificuldades de abastecimento dentro dos padrões exigidos pela indústria com alternativas de compra no exterior. No Rio Grande do Sul, a concorrência argentina reduz o espaço para os vendedores sustentarem suas pedidas.

Trigo argentino freia preços no Rio Grande do Sul

No mercado gaúcho, o trigo da safra anterior tem indicação de R$ 1.600 por tonelada na venda, enquanto compradores oferecem R$ 1.550 por tonelada.

As referências do cereal argentino da safra velha estão em US$ 305 por tonelada em Rio Grande e US$ 310 em Canoas. Segundo a consultoria, essa alternativa faz os moinhos resistirem ao pagamento de R$ 1.600 por tonelada FOB pelo trigo nacional.

Para a safra nova, foram registrados negócios pontuais a R$ 1.400 por tonelada FOB, com descontos nos lotes de qualidade inferior. Em Panambi, o preço de balcão permanece em R$ 75 por saca.

Colheita gaúcha chega a 4%, com preocupação sobre DON

A colheita de trigo alcançou 4% da área no Rio Grande do Sul, conforme o levantamento apresentado pela TF Agroeconômica.

Nas Missões, há registros de níveis elevados de DON nos lotes colhidos. Os problemas de qualidade interferem nas condições de negociação e no aproveitamento do cereal pelos compradores.

Assim, a entrada da nova produção ainda não elimina a dificuldade dos moinhos para encontrar trigo com as características demandadas.

Santa Catarina projeta queda de quase 37% na produção

Em Santa Catarina, um moinho consultado relata escassez de trigo de qualidade. A empresa informou reajuste de 11,5% na tabela de farinha, considerado insuficiente diante das condições de abastecimento.

A projeção da Epagri para a safra 2026/27 é de 243 mil toneladas, redução próxima de 37%. A estimativa considera recuo de aproximadamente 35% na área cultivada e de 2,5% na produtividade.

Paraná tem descontos e pedidos de renegociação

No Paraná, a qualidade varia entre as áreas já colhidas, com registros de germinação dos grãos em algumas lavouras.

Os moinhos passaram a apresentar tabelas de descontos, enquanto produtores buscam rever contratos. Para o trigo tipo 1, as indicações variam de R$ 1.450 a R$ 1.550 por tonelada, dependendo das condições de entrega e pagamento. Apesar dessas referências, a consultoria informa ausência de ofertas desse padrão.

Entre as alternativas importadas, o trigo paraguaio está indicado a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais, e o argentino, a US$ 325 por tonelada em Paranaguá. A disponibilidade externa segue como referência para as decisões de compra da indústria, em um mercado doméstico marcado pela diferença de qualidade entre os lotes.

Fonte: Portal do Agronegócio

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