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Biodiesel

Produção de biodiesel desacelera em 2026 e mercado teme impacto da falta do B16 e da queda no consumo de diesel

Mesmo com crescimento de 9% no primeiro semestre, recuo em junho acende alerta para a indústria; óleo de soja mantém liderança, mas outras matérias-primas ganham espaço na produção.


Publicado em: 06/08/2026 às 18:40hs

Produção de biodiesel desacelera em 2026 e mercado teme impacto da falta do B16 e da queda no consumo de diesel

A produção brasileira de biodiesel perdeu ritmo em junho e passou a levantar preocupações sobre o desempenho do setor no restante de 2026. Apesar de o primeiro semestre registrar crescimento em relação ao ano passado, especialistas avaliam que a combinação entre a não implementação da mistura obrigatória B16 e a desaceleração do mercado de diesel pode limitar a expansão da indústria nos próximos meses.

A avaliação é do estrategista de dados para o agronegócio Marcos Rubin, com base em dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Produção de biodiesel cresce no semestre, mas desaceleração preocupa

Entre janeiro e junho, o Brasil produziu 4,96 bilhões de litros de biodiesel, volume 9% superior aos 4,55 bilhões de litros registrados no mesmo período de 2025.

Embora o resultado semestral permaneça positivo, o desempenho observado em junho interrompeu o ritmo de crescimento registrado nos meses anteriores e passou a indicar uma possível mudança de tendência para o restante do ano.

Em 2025, a produção nacional alcançou 9,84 bilhões de litros, avanço de 8,3% em comparação aos 9,09 bilhões de litros produzidos em 2024, consolidando um ciclo de expansão que agora começa a dar sinais de perda de fôlego.

Falta do B16 e menor consumo de diesel pressionam o setor

Segundo a análise, dois fatores são determinantes para explicar a perspectiva de desaceleração da produção.

O primeiro é a ausência da implementação da mistura obrigatória B16, que elevaria o percentual de biodiesel incorporado ao diesel comercializado no país, aumentando automaticamente a demanda pelo biocombustível.

O segundo fator é o enfraquecimento do mercado de diesel. Como o consumo de biodiesel está diretamente vinculado às vendas do combustível fóssil, uma retração nesse segmento reduz a necessidade de produção do biocombustível.

Sem a adoção do novo mandato de mistura e diante da menor demanda por diesel, o mercado passa a trabalhar com expectativa de crescimento mais moderado para o setor.

Óleo de soja segue líder, mas outras matérias-primas avançam mais

Os dados também mostram mudanças importantes na composição das matérias-primas utilizadas pela indústria brasileira de biodiesel.

O óleo de soja permaneceu como principal insumo, respondendo por 3,71 bilhões de litros no primeiro semestre, com crescimento de 6,9% sobre igual período do ano anterior.

Entretanto, o maior avanço ocorreu entre outras fontes de matéria-prima.

A produção baseada em outros óleos vegetais aumentou 15%, atingindo 920 milhões de litros, enquanto a utilização de gordura animal registrou crescimento ainda mais expressivo, de 17,1%, alcançando 410 milhões de litros.

Os números indicam que a expansão da produção brasileira deixou de depender exclusivamente do óleo de soja, refletindo uma maior diversificação da matriz de insumos utilizada pelo setor.

Indústria de biodiesel e esmagadoras de soja enfrentam cenário desafiador

Para Marcos Rubin, CEO da consultoria Veeries, o comportamento das matérias-primas reforça que o momento exige atenção tanto da indústria de biodiesel quanto das empresas ligadas ao processamento de soja.

Segundo o especialista, embora o óleo de soja continue sendo o principal insumo da cadeia, foram os demais óleos vegetais e a gordura animal que impulsionaram o crescimento da produção no primeiro semestre.

A leitura é de que o setor entra em uma fase mais desafiadora, marcada por incertezas quanto à evolução da demanda, ao ritmo de consumo de diesel e às decisões relacionadas ao cronograma de ampliação da mistura obrigatória de biodiesel.

Perspectivas para o mercado de biodiesel

A expectativa para os próximos meses dependerá, principalmente, da definição sobre a adoção do B16 e da recuperação do mercado de combustíveis no Brasil.

Caso o consumo de diesel permaneça enfraquecido e a ampliação da mistura continue sem implementação, especialistas avaliam que a indústria poderá enfrentar um segundo semestre de menor crescimento, com reflexos também sobre a demanda por óleo de soja e toda a cadeia do agronegócio ligada aos biocombustíveis.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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