Vitória de Lula pressiona Bolsa e dólar; mercado volta atenção à política fiscal
Ibovespa futuro recua perto de 15% e moeda americana sobe na abertura; investidores avaliam dívida pública, gastos e composição da equipe econômica
Publicado em: 26/10/2026 às 10:48hs
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva provocou forte ajuste nos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26). Na abertura dos negócios, o dólar registrou alta de aproximadamente 8,7%, próximo de R$ 5,43, enquanto os contratos futuros do Ibovespa recuaram perto de 15%. No exterior, fundos e recibos de ações de empresas brasileiras também apresentaram perdas expressivas.
O resultado do segundo turno contrariou as posições de parte dos investidores, que esperavam uma vitória do senador Flávio Bolsonaro e associavam esse cenário à possibilidade de maior contenção das despesas públicas. A mudança levou o mercado a revisar expectativas para câmbio, juros, Bolsa e contas públicas.
Com quase todas as urnas apuradas no levantamento apresentado, Lula somava 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro.
Política fiscal concentra atenção após resultado eleitoral
A trajetória da dívida pública e a capacidade do governo de controlar despesas passaram ao centro das avaliações.
Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a condução fiscal do próximo mandato será decisiva para a confiança dos investidores. Entre os principais pontos estão o cumprimento das metas, a evolução dos gastos e a credibilidade das medidas anunciadas.
A reação inicial, porém, também dependerá dos próximos sinais do governo. A definição da equipe econômica e a apresentação de propostas para as contas públicas podem influenciar o comportamento dos ativos.
Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, afirma que a equipe econômica sinaliza uma proposta de emenda à Constituição voltada à revisão de gastos obrigatórios e à busca do centro da meta fiscal.
Dólar sobe e Ibovespa futuro registra forte queda
A valorização da moeda americana reverteu parte do movimento recente que havia levado o dólar para a região de R$ 4,98.
No mercado de ações, a queda próxima de 15% dos contratos futuros refletiu a rápida revisão das posições diante do resultado eleitoral. Esses contratos antecipam expectativas e possuem negociação distinta da do Ibovespa à vista.
Em resposta à volatilidade, a B3 ampliou os limites de oscilação de derivativos. Para os contratos futuros de Ibovespa, os limites inferiores foram estendidos, enquanto o teto de alta dos contratos de dólar foi elevado de 6% para 8,4%, conforme as informações apresentadas.
A alteração dessas faixas de negociação é diferente do circuit breaker aplicado ao mercado acionário.
Ativos brasileiros também recuam no exterior
A pressão sobre os investimentos brasileiros apareceu antes da abertura de Wall Street.
O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha uma carteira de ações brasileiras, recuava 26,16% no pré-mercado. Recibos de ações, conhecidos como ADRs, de companhias como Itaú e Petrobras também registravam perdas expressivas.
As oscilações no pré-mercado representam negócios realizados fora da sessão regular americana e podem mudar ao longo do dia. O movimento indicava uma revisão ampla da exposição ao Brasil, envolvendo diferentes setores.
Tesouro cancela leilões de títulos públicos
Diante do cenário de instabilidade, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação previstos para a semana, mantendo a oferta de LFTs, remuneradas pela Selic, segundo as informações reunidas.
A medida envolve os leilões de emissão de títulos públicos. Não corresponde, por si só, à suspensão do Tesouro Direto, programa utilizado por pessoas físicas para investir nesses papéis.
Como funciona o circuit breaker da Bolsa
O circuit breaker interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas do Ibovespa, permitindo que os participantes reorganizem suas ordens.
O mecanismo segue três níveis:
- Queda de 10%: interrupção de 30 minutos;
- Queda de 15%, após a retomada: nova paralisação, de uma hora;
- Queda de 20%, após a reabertura: suspensão por período definido pela B3.
O acionamento considera a variação do Ibovespa à vista em relação ao fechamento anterior, e não a queda isolada dos contratos futuros.
Pandemia marcou sequência de interrupções em 2020
Antes do episódio desta segunda-feira, o último período de acionamentos do circuit breaker na Bolsa brasileira havia ocorrido em março de 2020, durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19.
Naquele mês, foram registradas seis interrupções, em um ambiente de deterioração das perspectivas econômicas e forte aversão ao risco nos mercados internacionais.
O mecanismo também foi utilizado em outros momentos de turbulência, como a crise asiática de 1997, a desvalorização do real em 1999 e a crise financeira global de 2008.
Próximos sinais do governo devem orientar mercado
Após o ajuste inicial, os investidores acompanharão as indicações sobre a equipe econômica, as medidas de controle de despesas e a estratégia para estabilizar a dívida pública.
Para o agronegócio, as mudanças no dólar e nos juros influenciam as receitas de exportação, os custos de insumos importados e as condições de financiamento. A intensidade desses efeitos dependerá da evolução das cotações e das condições específicas de cada atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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