IPP cai 0,83% em julho e reforça alívio nos preços da indústria brasileira
Queda do petróleo, dos biocombustíveis e dos produtos químicos puxou o índice para baixo; dólar opera próximo de R$ 5,16, enquanto Ibovespa tenta ampliar sequência de altas
Publicado em: 28/08/2026 às 11:05hs
Os preços da indústria brasileira recuaram 0,83% em julho de 2026 na comparação com junho, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP). O resultado representa a segunda queda mensal consecutiva, após a retração de 0,81% registrada no mês anterior.
Dos 24 segmentos industriais pesquisados, 11 apresentaram redução de preços na passagem de junho para julho. Mesmo com o recuo mensal, o IPP acumula alta de 3,09% em 2026 e avanço de 1,94% nos últimos 12 meses.
O indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha os preços recebidos pelos produtores na chamada “porta da fábrica”, sem considerar impostos e custos com frete. Por isso, funciona como um importante termômetro das pressões inflacionárias originadas na indústria e que podem chegar aos consumidores ao longo dos meses seguintes.
Refino de petróleo e biocombustíveis puxa queda do IPP
O setor de refino de petróleo e biocombustíveis exerceu a maior influência sobre o resultado de julho. Os preços da atividade caíram 5,65% no mês, retirando 0,56 ponto percentual da variação geral de 0,83%.
A redução pode aliviar parte dos custos de produção e transporte, especialmente em cadeias dependentes de diesel, combustíveis e derivados do petróleo. O efeito sobre os preços finais, entretanto, dependerá do comportamento do câmbio, das cotações internacionais e da política comercial das refinarias.
Outros produtos químicos registraram queda mensal de 4,49% e influência negativa de 0,39 ponto percentual. O movimento merece atenção do agronegócio porque o setor químico está ligado ao fornecimento de insumos utilizados na produção rural e na indústria de alimentos.
As indústrias extrativas também apresentaram redução expressiva, de 4,38%, contribuindo com impacto negativo de 0,19 ponto percentual no índice geral.
Equipamentos eletrônicos registram alta de 11,37%
Na direção contrária, os preços de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos avançaram 11,37% entre junho e julho. O segmento exerceu influência positiva de 0,27 ponto percentual sobre o IPP.
As quatro maiores variações mensais foram registradas em:
- Equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos: alta de 11,37%;
- Refino de petróleo e biocombustíveis: queda de 5,65%;
- Outros produtos químicos: redução de 4,49%;
- Indústrias extrativas: recuo de 4,38%.
O desempenho mostra que a queda do indicador não ocorreu de forma uniforme. Enquanto segmentos ligados a petróleo, insumos químicos e extração reduziram seus preços, a indústria de equipamentos eletrônicos enfrentou forte pressão de alta.
IPP acumula alta de 3,09% em 2026
Apesar de dois meses consecutivos de queda, os preços industriais acumulam avanço de 3,09% entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, o IPP havia registrado retração de 3,43%.
Os maiores aumentos acumulados no ano ocorreram em equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com alta de 17,56%; borracha e plástico, com 14,35%; outros produtos químicos, com 11,51%; e impressão, com 6,68%.
Na composição do resultado acumulado, as principais influências positivas vieram de outros produtos químicos, com 0,89 ponto percentual; borracha e plástico, com 0,57 ponto; equipamentos eletrônicos e ópticos, com 0,40 ponto; e metalurgia, com 0,23 ponto percentual.
O cenário indica que, embora o IPP tenha recuado recentemente, determinados insumos industriais ainda acumulam aumentos relevantes no ano. Essa pressão pode atingir embalagens, máquinas, equipamentos e outros produtos utilizados pelas cadeias agroindustriais.
Inflação industrial desacelera em 12 meses
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPP avançou 1,94%, abaixo dos 2,47% observados até junho. A desaceleração reforça a perda de intensidade da inflação na indústria.
Os maiores aumentos nessa comparação foram verificados em equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com 21,10%; impressão, com 15,04%; borracha e plástico, com 14,63%; e móveis, com 8,11%.
O setor de alimentos exerceu a maior influência negativa sobre o resultado anual, retirando 0,78 ponto percentual do índice. Em sentido contrário, borracha e plástico acrescentaram 0,57 ponto; equipamentos eletrônicos, 0,47 ponto; e metalurgia, 0,44 ponto percentual.
A contribuição negativa dos alimentos sugere menor pressão dos preços industriais desse grupo, embora o comportamento nas fábricas não seja automaticamente transferido ao varejo. Custos de frete, energia, câmbio, armazenamento e margens comerciais também interferem no valor pago pelo consumidor.
Bens intermediários lideram redução dos preços
Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários apresentaram queda de 1,83% em julho. Como representam 54,10% da composição do IPP, responderam por uma influência negativa de 1 ponto percentual sobre o resultado geral.
Os bens intermediários incluem matérias-primas e componentes empregados na fabricação de outros produtos. A redução nessa categoria pode contribuir para aliviar custos industriais nos próximos meses, inclusive em segmentos ligados ao agronegócio.
Os bens de consumo recuaram 0,10%, com redução de 0,37% nos duráveis e de 0,05% nos semiduráveis e não duráveis.
Os bens de capital, que abrangem máquinas e equipamentos utilizados na produção, seguiram o sentido contrário e avançaram 2,75%. A categoria exerceu influência positiva de 0,21 ponto percentual no IPP, indicando pressão sobre investimentos destinados à ampliação ou modernização da capacidade produtiva.
Dólar opera próximo de R$ 5,16 no Brasil
No mercado financeiro, o dólar comercial abriu esta sexta-feira, 28 de agosto, perto da estabilidade, cotado a aproximadamente R$ 5,16. Os investidores acompanham a demanda interna pela moeda americana, o fluxo de capital e as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Folha de S.Paulo
A cotação do dólar é determinante para a leitura do IPP. Uma valorização da moeda americana tende a encarecer matérias-primas, máquinas, componentes e insumos importados. Para o agronegócio, o câmbio também interfere nos preços de fertilizantes, defensivos, combustíveis e equipamentos, ao mesmo tempo que pode favorecer as receitas das exportações.
O Banco Central realizou uma operação simultânea de venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e compra de contratos de swap cambial reverso, buscando reforçar a liquidez diante do aumento da demanda por dólares. O fluxo cambial acumulava saldo negativo de aproximadamente US$ 2,55 bilhões em agosto até o dia 21. Folha de S.Paulo
Ibovespa busca ampliar sequência de altas
O Ibovespa abriu o pregão desta sexta-feira praticamente estável, ao redor dos 175,1 mil pontos, após acumular sete sessões consecutivas de valorização. O mercado brasileiro acompanha os dados de inflação, emprego, atividade econômica e as sinalizações dos bancos centrais. InfoMoney
No exterior, as bolsas asiáticas encerraram o dia com desempenho misto. O Nikkei, do Japão, avançou 0,41%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 1,79%. Na Europa, os principais índices operavam em alta pela manhã, com valorização de 0,97% em Paris e de 0,61% em Frankfurt. UOL Economia
Os mercados aguardavam novas indicações do Federal Reserve sobre a trajetória dos juros americanos. Mudanças nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos afetam o dólar, os fluxos de capital para países emergentes e os preços internacionais das commodities.
Queda do IPP sinaliza menor pressão na indústria
O recuo de 0,83% do IPP em julho reforça a percepção de alívio dos preços na indústria, especialmente entre os bens intermediários, combustíveis, biocombustíveis, produtos químicos e itens das atividades extrativas.
O efeito positivo, contudo, ainda convive com altas acumuladas em setores estratégicos, como borracha e plástico, equipamentos eletrônicos e bens de capital. O comportamento do dólar e das commodities também continuará influenciando os custos das empresas brasileiras.
Para o agronegócio, a combinação entre inflação industrial menor, estabilidade cambial e redução dos custos de energia e insumos seria favorável à recuperação das margens. A continuidade desse movimento dependerá do mercado internacional, da trajetória dos juros e das condições de oferta nas principais cadeias produtivas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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