Soja sobe em Chicago com clima e demanda no radar; preços no Brasil têm diferença de até R$ 17 por saca
Mercado internacional encontra suporte na alta do óleo de soja, nas exportações dos Estados Unidos e nas tensões no Mar Negro, enquanto negociações brasileiras mostram forte diferença entre balcão, lotes e portos
Publicado em: 28/08/2026 às 11:40hs
Os preços da soja avançaram na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (28), sustentados pelas preocupações climáticas nos Estados Unidos, pelo desempenho das exportações norte-americanas e pela valorização do óleo de soja. No Brasil, entretanto, a comercialização continuou marcada por diferenças expressivas entre os valores pagos no balcão, no mercado de lotes e nos portos.
Levantamento da TF Agroeconômica referente à quinta-feira (27) mostrou variações de até R$ 17 por saca de 60 quilos entre modalidades de negociação no Rio Grande do Sul. As diferenças também foram observadas em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, refletindo fatores como localização, volume comercializado, condições de entrega e ritmo de originação.
Soja avança na Bolsa de Chicago
Por volta das 7h40, no horário de Brasília, os contratos futuros da soja subiam entre 6,75 e 9,50 pontos na Bolsa de Chicago. O vencimento novembro era negociado a US$ 12,75 por bushel, enquanto março alcançava US$ 12,95 por bushel.
O movimento positivo também atingia o milho e o trigo. Dentro do complexo da soja, o principal destaque era o óleo, com valorização superior a 2%. O farelo apresentava estabilidade, após uma semana de intensa volatilidade.
A recuperação da oleaginosa ocorre após oscilações acentuadas nos últimos pregões. O mercado busca avaliar se os atuais fundamentos de demanda e as incertezas relacionadas à oferta serão suficientes para sustentar as cotações nas próximas sessões.
Clima nos Estados Unidos preocupa mercado da soja
As previsões de temperaturas elevadas em novas áreas do cinturão agrícola dos Estados Unidos mantêm os operadores em alerta. O risco climático ocorre em uma fase importante para a definição do potencial produtivo da safra norte-americana 2026/27.
Condições desfavoráveis durante períodos decisivos do desenvolvimento das lavouras podem reduzir as expectativas de produtividade. Esse cenário aumenta a cautela em relação às estimativas de produção e adiciona um prêmio climático aos contratos futuros da soja.
Além do clima, a demanda internacional oferece sustentação às cotações. As vendas semanais de soja dos Estados Unidos superaram 2 milhões de toneladas, reforçando a percepção de procura ativa pelo produto norte-americano.
Alta do petróleo impulsiona óleo de soja
A valorização do petróleo também favorece o complexo da soja. O avanço da commodity energética aumenta a competitividade dos biocombustíveis e tende a oferecer suporte aos preços dos óleos vegetais utilizados na produção de biodiesel.
Com isso, o óleo de soja registrou ganhos superiores aos observados nos contratos do grão. A valorização do derivado ajuda a ampliar a sustentação das cotações da oleaginosa em Chicago.
Guerra entre Rússia e Ucrânia aumenta volatilidade dos grãos
O mercado internacional também acompanha o agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia. Ataques contra infraestruturas e rotas de escoamento na região do Mar Negro elevaram as preocupações com a oferta global de grãos.
Os efeitos são mais diretos sobre o trigo, que renovou máximas de vários anos, mas também repercutem sobre milho, soja e outros mercados agrícolas. A insegurança logística e comercial na região amplia a busca por proteção e favorece movimentos mais intensos nas bolsas internacionais.
Soja tem diferença de até R$ 17 por saca no Rio Grande do Sul
No mercado brasileiro, os preços da soja apresentaram forte dispersão entre as principais praças. A maior diferença foi observada no Rio Grande do Sul, onde Passo Fundo registrou distância de R$ 17 por saca entre a cotação de balcão e o mercado comercial. A variação equivale a aproximadamente 12,8%.
Em Não-Me-Toque e Nonoai, a soja foi cotada a R$ 133 por saca. No interior gaúcho, Santa Rosa alcançou R$ 149,50, enquanto a referência no porto de Rio Grande chegou a R$ 157,50.
A amplitude entre os valores mostra como modalidade de negociação, escala, prazo, logística e destino da mercadoria influenciam a formação dos preços recebidos pelo produtor.
Santa Catarina registra soja a R$ 156,50 no porto
Em Santa Catarina, os preços de balcão apresentaram avanço moderado. Palma Sola foi cotada a R$ 135,50 por saca, enquanto Rio do Sul permaneceu em R$ 133.
Em Balneário Camboriú, a referência comercial disponível indicava último negócio a R$ 138. No porto de São Francisco do Sul, a cotação chegou a R$ 156,50 por saca, revelando uma diferença superior a R$ 20 em relação aos menores valores de balcão no estado.
Vendedores restringem lotes de soja no Paraná
No Paraná, vendedores mantiveram uma oferta mais limitada de lotes, à espera de preços melhores. Em Cascavel, a cotação de balcão indicada pelo Departamento de Economia Rural (Deral) ficou em R$ 132 por saca.
No mercado de lotes, o valor alcançou R$ 149,21, diferença de R$ 17,21 em relação ao balcão. Em Paranaguá, a referência chegou a R$ 155,05 por saca, refletindo o prêmio associado ao mercado portuário e à demanda para exportação.
Paralelamente, o Deral estima que o Paraná poderá colher o recorde de 22,64 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, aumento de 4% na comparação com a temporada anterior.
Localização influencia preços da soja no Centro-Oeste
Em Mato Grosso do Sul, as cotações permaneceram fragmentadas. Dourados registrou R$ 143 por saca, enquanto Campo Grande alcançou R$ 143,50.
Em Mato Grosso, os preços do mercado comercial ficaram acima das referências do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Rondonópolis atingiu R$ 144 por saca, Alto Garças marcou R$ 143 e Primavera do Leste foi cotada a R$ 142.
As diferenças regionais confirmam o peso da logística, da disponibilidade de compradores e da proximidade das rotas de exportação e das indústrias esmagadoras na composição dos preços.
Mercado de soja acompanha clima, exportações e geopolítica
O mercado encerra a semana concentrado em três fatores: o clima no cinturão produtor dos Estados Unidos, o ritmo das exportações norte-americanas e os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
No Brasil, o comportamento de Chicago pode oferecer suporte às cotações, mas a conversão dos ganhos para o mercado interno continuará condicionada ao câmbio, aos prêmios de exportação, à disponibilidade regional e ao interesse dos compradores.
Para o produtor, a diferença entre balcão, lotes comerciais e portos reforça a importância de comparar modalidades, custos de transporte e condições de entrega antes de fechar a venda. Em algumas praças, a escolha do canal de comercialização pode representar uma diferença relevante na receita obtida por saca.
Fonte: Portal do Agronegócio
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