IGP-M registra deflação de 0,22% em agosto, mas preços agropecuários avançam 2,73%
Índice calculado pela FGV permanece negativo pelo segundo mês consecutivo, acumula alta de 1,85% em 2026 e revela pressão dos produtos do agronegócio no atacado
Publicado em: 31/08/2026 às 10:35hs
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,22% em agosto, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar de permanecer no campo negativo pelo segundo mês consecutivo, a queda perdeu intensidade em relação a julho, quando o indicador havia recuado 1,16%.
Com o novo resultado, o IGP-M acumula inflação de 1,85% entre janeiro e agosto de 2026. No período de 12 meses, a alta chega a 2,16%.
Em agosto de 2025, o índice havia avançado 0,36% no mês e acumulava valorização de 3,03% em 12 meses. A comparação mostra uma desaceleração de 0,87 ponto percentual na taxa acumulada anual.
Produtos agropecuários avançam e limitam queda do IGP-M
O resultado de agosto foi marcado por comportamentos distintos entre os componentes do índice. No atacado, a redução dos preços dos produtos industriais foi parcialmente compensada pelo encarecimento dos produtos agropecuários.
A variação dos itens ligados à agropecuária passou de uma queda de 0,20% em julho para uma alta de 2,73% em agosto. A mudança de direção ajudou a reduzir a intensidade da deflação do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente com maior peso no cálculo do IGP-M.
Segundo o economista André Braz, do FGV IBRE, o avanço dos produtos agropecuários contrastou com a continuidade da pressão baixista observada entre os bens industriais.
O movimento reforça a importância das commodities agrícolas e dos alimentos na formação dos preços no atacado, especialmente em períodos de variação na oferta, sazonalidade das safras e mudanças nas condições climáticas.
Energia, combustíveis e alimentos pressionam inflação ao consumidor para baixo
No varejo, diferentes produtos e serviços contribuíram para ampliar a queda do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).
Entre os principais destaques de baixa estiveram:
- Energia elétrica residencial;
- Tomate;
- Batata-inglesa;
- Passagens aéreas;
- Gasolina.
A redução desses preços ajudou a aprofundar a deflação percebida pelos consumidores. Combustíveis e energia possuem influência relevante sobre o orçamento das famílias e também afetam os custos de transporte, produção e distribuição de mercadorias.
No caso dos alimentos, as quedas do tomate e da batata-inglesa estão relacionadas às condições de oferta e ao comportamento sazonal das colheitas.
Custo da construção avança com pressão da mão de obra
Enquanto os preços no atacado e ao consumidor contribuíram para a deflação do IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) seguiu em direção contrária.
O componente apresentou avanço em agosto, impulsionado principalmente pela elevação dos custos com mão de obra. O movimento limitou uma queda mais acentuada do indicador geral.
O INCC acompanha a evolução dos preços de materiais, serviços e salários utilizados na construção civil. Por isso, seu comportamento influencia contratos imobiliários, obras de infraestrutura e investimentos em instalações produtivas.
O que a deflação do IGP-M representa para o agronegócio
Conhecido como “inflação do aluguel”, o IGP-M é utilizado no reajuste de diversos contratos, incluindo locações, serviços, energia e operações empresariais. No agronegócio, o índice pode servir de referência para arrendamentos, armazenagem, prestação de serviços e contratos comerciais.
A deflação mensal pode aliviar reajustes vinculados ao indicador, mas a alta de 2,73% dos produtos agropecuários mostra que as pressões dentro do setor não são uniformes.
Para produtores rurais, a valorização das commodities pode representar melhora na receita, mas também elevar os custos das cadeias que utilizam grãos e outros produtos agrícolas como matérias-primas.
O resultado de agosto, portanto, combina uma menor pressão inflacionária geral com a recuperação dos preços agropecuários no atacado. A evolução do IGP-M nos próximos meses dependerá do comportamento das safras, das cotações internacionais, do dólar, dos combustíveis e dos custos industriais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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