Ibovespa sobe com Petrobras e PIB acima do esperado, enquanto petróleo derruba bolsas globais
Escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã leva o Brent acima de US$ 92, aumenta o temor de inflação e pressiona ações e títulos públicos no exterior; no Brasil, avanço da agropecuária sustenta o PIB e ajuda a Bolsa a superar os 178 mil pontos
Publicado em: 01/09/2026 às 10:56hs
O mercado financeiro iniciou setembro com movimentos divergentes no Brasil e no exterior. Enquanto o Ibovespa avançava nesta terça-feira (1º), impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, dos grandes bancos e pelo resultado do Produto Interno Bruto (PIB), as bolsas internacionais operavam pressionadas pelo aumento do petróleo e dos juros globais.
A retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã elevou a percepção de risco nos mercados e levou o petróleo Brent, referência internacional, a superar US$ 92 por barril. A alta da energia reforçou os temores de inflação e aumentou as apostas de que os principais bancos centrais poderão manter os juros elevados por mais tempo ou promover novas altas.
No Brasil, o movimento beneficiou as empresas ligadas ao petróleo e ajudou o Ibovespa a contrariar o ambiente negativo observado no exterior. O mercado também repercutiu o crescimento de 0,5% da economia brasileira no segundo trimestre de 2026, acima da expectativa mediana de 0,4%.
Ibovespa supera os 178 mil pontos
Por volta do meio da manhã desta terça-feira, o Ibovespa operava na faixa dos 178 mil pontos, ampliando os ganhos registrados no encerramento de agosto. Na abertura, o principal índice da B3 chegou a avançar cerca de 0,40%, aos 178.124 pontos.
Na segunda-feira (31), o Ibovespa havia encerrado o pregão com valorização de 0,99%, aos 177.418 pontos, sustentado principalmente pelo desempenho das petroleiras. As ações preferenciais da Petrobras subiram 3,37%, enquanto Prio e PetroReconcavo avançaram 3,53% e 2,44%, respectivamente.
Nesta terça-feira, a Petrobras voltou a figurar entre as principais contribuições positivas do índice, acompanhando a escalada das cotações internacionais do petróleo. Ações de grandes bancos também avançavam, enquanto os papéis da Vale operavam em queda e as empresas do varejo apresentavam desempenho misto.
O mercado brasileiro ainda acompanha as projeções para o Orçamento de 2027, as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e à trajetória das contas públicas.
Dólar oscila perto de R$ 5,18
O dólar comercial iniciou o pregão em alta, acompanhando o fortalecimento internacional da moeda norte-americana. Por volta das 9h40, a divisa avançava 0,13%, negociada a aproximadamente R$ 5,19, enquanto o índice DXY subia 0,20%.
Ao longo da manhã, o dólar passou a oscilar próximo de R$ 5,18. A valorização do petróleo, a busca por ativos considerados seguros e a alta dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos sustentavam a moeda dos Estados Unidos.
Na segunda-feira, o dólar encerrou o dia em queda de 0,28%, cotado a R$ 5,181. Apesar desse recuo, a moeda acumulou valorização de 2,22% em agosto. No acumulado de 2026, porém, ainda registra desvalorização de 5,32% frente ao real.
PIB brasileiro cresce 0,5% com impulso da agropecuária
O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, superando a projeção de alta de 0,4% do mercado. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marcou o 21º trimestre consecutivo de expansão da economia.
Apesar do avanço, houve desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB cresceu 1,1%. Na comparação com o mesmo período de 2025, a economia brasileira avançou 2%. Nos quatro trimestres encerrados em junho, o crescimento acumulado chegou a 1,9%.
A agropecuária foi o principal destaque e apresentou expansão de 2,8% frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, o setor cresceu 6,8%, favorecido pelo desempenho das lavouras de soja e café.
Segundo os dados divulgados, a produtividade da soja aumentou 5,3%, enquanto a do café avançou 15,1%. Esses resultados compensaram as quedas verificadas no arroz, de 11,3%, e no algodão, de 6,7%, além da estabilidade da produção de milho. Dados do PIB do segundo trimestre
A indústria cresceu apenas 0,1%, apoiada pela alta de 3,4% das atividades extrativas. Os serviços avançaram 0,2%, com destaque para informação e comunicação, transportes, armazenagem e correios.
O consumo das famílias recuou 0,4%, refletindo os efeitos dos juros elevados e do endividamento. Já os investimentos produtivos cresceram 1,2%, enquanto as exportações diminuíram 0,8% e as importações aumentaram 1,8%.
Petróleo ultrapassa US$ 92 e amplia pressão inflacionária
O petróleo Brent avançava cerca de 2%, cotado a US$ 92,10 por barril, após a retomada dos confrontos diretos entre Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou realizar novos ataques, enquanto o mercado reduziu as expectativas de uma normalização rápida do fluxo de cargas pelo Estreito de Hormuz.
A valorização do petróleo favorece as receitas das empresas produtoras, como Petrobras, Prio e PetroReconcavo, mas também aumenta os riscos para a inflação mundial. O encarecimento da energia pode elevar os custos de transporte, combustíveis, fertilizantes e diferentes etapas da produção agropecuária.
Para o agronegócio brasileiro, o impacto é ambíguo. A alta do dólar pode melhorar a competitividade das exportações e a conversão das receitas obtidas no exterior, mas também encarece insumos importados. Ao mesmo tempo, o petróleo mais caro pressiona o diesel, o frete rodoviário e os custos logísticos das cadeias de grãos, proteínas animais e alimentos.
Bolsas europeias recuam com alta dos juros
As principais bolsas europeias operavam em queda nesta terça-feira. O índice STOXX 600 recuava aproximadamente 0,5%, pressionado pelo aumento do custo da energia e pela disparada dos rendimentos dos títulos públicos.
O mercado repercutiu ainda a inflação da zona do euro, que voltou a superar 3% em agosto. A aceleração, provocada principalmente pelos preços da energia, reforçou as expectativas de uma nova elevação dos juros pelo Banco Central Europeu.
Na sessão anterior, o STOXX 600 havia recuado 0,61%. O DAX, de Frankfurt, caiu 1,17%, e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,79%. O FTSE 100, de Londres, destoou e fechou em alta de 0,29%.
Os juros dos títulos britânicos de dez anos superaram 5,25%, maior patamar desde 2008. Na Alemanha, o rendimento dos papéis equivalentes atingiu 3,36%, o nível mais elevado em 15 anos.
Futuros de Wall Street apontam nova queda
Em Nova York, os contratos futuros dos principais índices acionários operavam no campo negativo antes da abertura. Os futuros do S&P 500 recuavam aproximadamente 0,6%, enquanto Dow Jones e Nasdaq também indicavam uma sessão de maior cautela.
Na segunda-feira, o Dow Jones caiu 0,70%, o S&P 500 recuou 0,34% e o Nasdaq perdeu 0,12%. O movimento refletiu o aumento do petróleo e as declarações mais duras do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sobre a inflação e a política monetária.
O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano com vencimento em dez anos alcançou 4,8%, maior patamar desde o início de 2025. Com isso, os investidores passaram a atribuir uma probabilidade de aproximadamente 65% a uma alta dos juros pelo Fed em setembro. Panorama dos mercados globais
As empresas de tecnologia aparecem entre as mais vulneráveis à alta dos juros, especialmente aquelas que dependem da emissão de dívidas para financiar investimentos em inteligência artificial e expansão de infraestrutura.
Mercados asiáticos terminam sem direção única
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão com desempenho misto, mas com aumento da cautela. O índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu cerca de 1%, pressionado pelo ambiente externo e pela estreia abaixo das expectativas das ações da Shein Global.
No Japão, o mercado também sentiu o avanço dos juros. O rendimento dos títulos públicos japoneses de dez anos chegou a 3%, maior nível desde 1996. O movimento veio acompanhado de nova desvalorização do iene, que se aproximou de 160 unidades por dólar, reacendendo a possibilidade de intervenção cambial coordenada entre Japão e Estados Unidos.
As bolsas chinesas apresentaram variações mais moderadas, divididas entre o desempenho das empresas de tecnologia, os indicadores econômicos mais fracos e as preocupações persistentes com o setor imobiliário.
Petróleo e juros devem continuar no centro das atenções
A trajetória das bolsas deverá permanecer condicionada ao conflito entre Estados Unidos e Irã, ao comportamento do petróleo e às decisões dos bancos centrais. Uma escalada militar ou novas restrições ao transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz poderão ampliar a pressão sobre os combustíveis, a inflação e os juros internacionais.
No Brasil, a exposição do Ibovespa às empresas de commodities oferece sustentação ao índice em momentos de alta do petróleo. Entretanto, a valorização da energia, o fortalecimento do dólar e a elevação dos juros globais também aumentam os custos financeiros e operacionais da economia.
Para o agronegócio, os próximos movimentos exigem atenção especial. O dólar pode favorecer as exportações, mas petróleo, diesel, fretes e fertilizantes mais caros representam riscos para as margens da safra 2026/27. O desempenho positivo da agropecuária no PIB confirma a força do setor, mas o cenário internacional adiciona volatilidade aos custos, ao crédito e à comercialização das commodities.
Fonte: Portal do Agronegócio
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