PIB do Brasil cresce 0,5% no segundo trimestre, puxado pela agropecuária
Economia brasileira movimenta R$ 3,4 trilhões no período, enquanto soja, café e pecuária impulsionam alta de 6,8% do setor agropecuário na comparação anual
Publicado em: 01/09/2026 às 18:40hs
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, considerando a série com ajuste sazonal. O principal impulso veio da agropecuária, que avançou 2,8% no período, enquanto serviços e indústria registraram altas mais moderadas, de 0,2% e 0,1%, respectivamente.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2%. Novamente, o setor agropecuário apresentou o melhor desempenho, com expansão de 6,8%. A indústria e os serviços cresceram 1,5% cada.
Em valores correntes, o PIB brasileiro totalizou R$ 3,4 trilhões entre abril e junho. Desse montante, R$ 2,9 trilhões corresponderam ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 487,9 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
Agropecuária lidera crescimento do PIB no trimestre
A expansão de 2,8% da agropecuária na passagem do primeiro para o segundo trimestre colocou o setor na liderança do crescimento econômico brasileiro. O resultado reforça o peso da produção rural para a atividade nacional, especialmente em um período marcado pela colheita de culturas relevantes.
Na comparação anual, o avanço de 6,8% foi sustentado pelo desempenho da pecuária e pelo aumento da produção e da produtividade de importantes lavouras.
Conforme estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a produção de soja cresceu 5,3%, enquanto a safra de café apresentou avanço de 15,1%. Esses resultados compensaram as quedas previstas para arroz, de 11,3%, e algodão, de 6,7%. A produção de milho permaneceu estável na comparação anual.
O desempenho confirma a contribuição decisiva do agronegócio para o PIB brasileiro, tanto pela produção primária quanto pelos impactos sobre transporte, armazenagem, indústria de alimentos, exportações e demais atividades relacionadas.
Indústria cresce 0,1%, apoiada pela atividade extrativa
A indústria avançou 0,1% em relação ao primeiro trimestre. O resultado positivo foi sustentado pelas indústrias extrativas, que cresceram 3,4%.
Outros segmentos industriais, entretanto, apresentaram retração. A indústria de transformação e a construção recuaram 0,4% cada, enquanto eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos tiveram queda de 1,1%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a indústria cresceu 1,5%. As atividades extrativas avançaram expressivos 12%, impulsionadas principalmente pelo aumento da extração de petróleo e gás.
A construção registrou crescimento anual de 1%, mas a indústria de transformação caiu 0,9%. O segmento de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos apresentou retração de 0,5%.
Serviços registram avanço moderado
O setor de serviços, responsável pela maior parcela da economia brasileira, cresceu 0,2% na comparação com o primeiro trimestre.
Informação e comunicação lideraram as altas, com expansão de 2,1%. Transporte, armazenagem e correio avançaram 1,1%, enquanto as atividades imobiliárias cresceram 0,2%.
O comércio e as demais atividades de serviços permaneceram estáveis. Em sentido contrário, administração pública, defesa, saúde, educação e seguridade social recuaram 0,4%. As atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados caíram 0,3%.
Em relação ao segundo trimestre de 2025, os serviços cresceram 1,5%, com resultados positivos em todos os segmentos. Informação e comunicação tiveram o maior avanço, de 8,4%, seguidas por atividades imobiliárias, com alta de 2,2%.
Também cresceram transporte, armazenagem e correio, com 1,2%; outras atividades de serviços, com 1,1%; atividades financeiras e de seguros, com 1%; comércio, com 0,9%; e administração pública, saúde e educação, também com 0,9%.
Consumo das famílias recua 0,4%
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2026. O resultado sinaliza perda de força do consumo doméstico, em meio aos efeitos dos juros elevados e das condições mais restritivas de crédito.
O consumo do governo, por sua vez, aumentou 0,4%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador relacionado aos investimentos em máquinas, equipamentos, construção e inovação, cresceu 1,2%.
Na comparação anual, o consumo das famílias avançou 0,5%, ao passo que o consumo do governo cresceu 3,1%. Os investimentos aumentaram 1,4%, favorecidos pela importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de softwares.
Importações crescem e exportações recuam no trimestre
No setor externo, as exportações de bens e serviços diminuíram 0,8% em relação ao primeiro trimestre. As importações seguiram trajetória oposta e avançaram 1,8%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, os dois fluxos cresceram. As exportações aumentaram 3,8%, impulsionadas principalmente pela indústria extrativa, pela agropecuária e pelos produtos alimentícios.
As importações avançaram 5,5%, com destaque para veículos automotores, artigos de vestuário e materiais elétricos.
O crescimento mais acelerado das importações em relação às exportações limitou a contribuição do setor externo para o desempenho trimestral do PIB.
Taxa de investimento recua para 16,1% do PIB
A taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 16,6% registrados no mesmo período de 2025.
Já a taxa de poupança chegou a 16,6%, ligeiramente acima dos 16,5% observados um ano antes.
Embora a Formação Bruta de Capital Fixo tenha crescido na comparação trimestral e anual, a redução da taxa de investimento mostra que a ampliação da capacidade produtiva ainda ocorre em ritmo limitado diante do tamanho da economia.
PIB acumula crescimento de 1,9% em quatro trimestres
O PIB acumulado nos quatro trimestres encerrados em junho cresceu 1,9% em relação aos quatro períodos imediatamente anteriores.
Nessa comparação, a agropecuária novamente apresentou o melhor resultado, com expansão de 6,2%. Os serviços cresceram 1,7%, enquanto a indústria avançou 1,4%.
Entre as atividades industriais, a extração mineral aumentou 12,2% e a construção cresceu 0,3%. A indústria de transformação recuou 1,1%, e o segmento de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos caiu 0,6%.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 0,9% e o consumo do governo cresceu 2,8%. Os investimentos recuaram 0,2%, interrompendo uma sequência de resultados positivos.
As exportações aumentaram 8% no acumulado de quatro trimestres, superando o crescimento de 2,1% das importações.
Economia brasileira avança 1,9% no primeiro semestre
No primeiro semestre de 2026, o PIB cresceu 1,9% em relação ao mesmo período de 2025. A agropecuária avançou 3,6%, a indústria aumentou 1,6% e os serviços cresceram 1,8%.
Na indústria, as atividades extrativas lideraram o crescimento, com alta de 12,5%, enquanto a construção avançou 1,1%. Em contrapartida, a indústria de transformação caiu 0,9%, e o segmento de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuou 1,1%.
O consumo das famílias cresceu 1,1% no semestre, enquanto o consumo do governo aumentou 2,9%. Os investimentos permaneceram estáveis.
As exportações avançaram 5,5%, ante crescimento de 3,4% das importações.
Agro sustenta economia, mas consumo e investimento exigem atenção
O crescimento de 0,5% no segundo trimestre mostra que a economia brasileira manteve trajetória positiva, superando o avanço de 0,3% projetado anteriormente por parte do mercado. A composição do resultado, entretanto, revela ritmos diferentes entre os setores.
A agropecuária voltou a exercer papel central no crescimento, beneficiada pela pecuária e pelos resultados favoráveis das safras de soja e café. A indústria apresentou expansão limitada, com forte dependência das atividades extrativas, enquanto o consumo das famílias perdeu força na margem.
Para os próximos meses, o desempenho econômico deverá depender da evolução dos juros, do crédito, do mercado de trabalho, dos investimentos e das condições climáticas para a safra 2026/27. No campo, preços das commodities, custos dos insumos e produtividade continuarão determinantes para a contribuição do agronegócio ao PIB brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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