Dólar opera perto da estabilidade a R$ 5,18 com PIB do Brasil e tensão no Oriente Médio no radar
Moeda norte-americana oscila em leve alta nesta terça-feira, enquanto avanço do petróleo e dos juros dos Treasuries amplia a cautela; economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre
Publicado em: 01/09/2026 às 11:10hs
O dólar iniciou setembro com pouca variação diante do real nesta terça-feira (1º), em uma sessão marcada pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Por volta das 9h53, o dólar à vista avançava 0,09%, cotado a R$ 5,1863 para venda. Na B3, o contrato futuro de dólar para outubro, o mais negociado no mercado brasileiro, subia 0,02%, a R$ 5,2205.
A moeda norte-americana chegou a registrar ganhos mais firmes na abertura, acompanhando o fortalecimento do dólar no exterior, mas perdeu força e voltou a operar perto da estabilidade.
Dólar sente pressão do exterior e alta do petróleo
O mercado internacional mantém postura defensiva após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã. Embora Teerã tenha pedido que Washington cumpra o acordo provisório de paz, o ambiente permanece instável diante da ameaça de novas ofensivas norte-americanas.
O aumento da tensão no Golfo Pérsico reacende preocupações com a oferta global de energia e seus possíveis impactos sobre a inflação. Nesse cenário, investidores reduziram posições em títulos públicos, provocando alta nos rendimentos dos Treasuries e fortalecendo o dólar diante de diversas moedas.
O índice DXY, que acompanha o desempenho da divisa dos Estados Unidos frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,20%, aos 99,612 pontos.
O petróleo Brent também ganhou destaque ao superar US$ 92 por barril. A referência internacional chegou a operar perto de US$ 92,68, com valorização superior a 2%, pressionada pelos riscos geopolíticos e por temores relacionados ao abastecimento mundial. Trading Economics
PIB do Brasil cresce 0,5%, acima das expectativas
No mercado doméstico, os investidores repercutem o crescimento de 0,5% do PIB brasileiro no segundo trimestre de 2026, em comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado superou a expectativa de alta de 0,4% apontada por economistas consultados pela Reuters.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia avançou 2%. Apesar do desempenho acima do esperado, houve desaceleração em relação ao primeiro trimestre de 2026, quando o PIB havia crescido 1,1%.
A agropecuária voltou a contribuir positivamente para a atividade econômica, com crescimento de 2,8% no trimestre, sustentado principalmente pelo desempenho das safras de soja e café. Os serviços avançaram 0,2%, enquanto a indústria cresceu 0,1%.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias recuou 0,4%, refletindo os efeitos dos juros elevados e do endividamento sobre o orçamento dos brasileiros. Em contrapartida, os investimentos produtivos aumentaram 1,2%. A economia acumula expansão de 1,9% nos quatro trimestres encerrados em junho. Dados do PIB
Ibovespa começa setembro com petróleo e commodities no radar
O Ibovespa iniciou o primeiro pregão de setembro sob influência positiva das ações de empresas ligadas às commodities, especialmente Petrobras e Vale. Na sessão anterior, o principal índice da Bolsa brasileira subiu 1%, aos 177.419 pontos.
Apesar da recuperação no último pregão de agosto, o Ibovespa encerrou o mês com queda de 0,33%. No acumulado de 2026, porém, a Bolsa mantém valorização de 10,11%.
O mercado acionário também acompanha a alta do petróleo, o desempenho das bolsas internacionais e a trajetória dos juros nos Estados Unidos. A valorização do Brent tende a favorecer as ações da Petrobras, mas também eleva as preocupações com inflação e pode reduzir o espaço para cortes de juros nas principais economias.
Dólar acumula alta no mês, mas ainda cai em 2026
Na segunda-feira (31), o dólar à vista terminou o pregão em torno de R$ 5,18, com queda próxima de 0,3%. Apesar do recuo na última sessão, a moeda acumulou valorização de aproximadamente 2,17% em agosto.
No acumulado de 2026, o dólar ainda registra queda de 5,63% frente ao real. Nesta terça-feira, a cotação permanece dividida entre a surpresa positiva do PIB brasileiro, que pode favorecer ativos domésticos, e a busca internacional por proteção provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
A tendência para o restante do pregão dependerá principalmente do comportamento do petróleo, dos rendimentos dos títulos norte-americanos e de eventuais notícias sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. O mercado também acompanha a agenda econômica do governo brasileiro e seus possíveis reflexos sobre as contas públicas e a trajetória dos juros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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