Ibovespa sobe aos 186 mil pontos, mas bolsas globais caem com petróleo e juros em foco
Bolsa brasileira avança apoiada por ações ligadas ao petróleo, enquanto mercados da Ásia, Europa e futuros de Wall Street recuam antes das decisões do Copom e do Federal Reserve
Publicado em: 15/09/2026 às 10:55hs
O Ibovespa iniciou esta terça-feira (15/09) em alta, contrariando o movimento predominantemente negativo das bolsas internacionais. Às 10h07, o principal índice da B3 avançava 0,42%, aos 186.202 pontos, após encerrar a sessão anterior em queda de 0,91%, aos 185.500 pontos.
O mercado brasileiro encontra algum suporte na valorização do petróleo e nos papéis de empresas ligadas à commodity, enquanto investidores acompanham as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. O desempenho do índice também é influenciado pelo cenário político e pelas oscilações das ações da Vale.
No câmbio, o dólar abriu em alta, próximo de R$ 5,16, mas perdeu força e era negociado a R$ 5,137 por volta das 10h10, com variação de 0,19%. O Banco Central realizou leilões simultâneos de moeda à vista e swap cambial, ambos no valor de US$ 1 bilhão. UOL – mercado brasileiro
Ibovespa acumula alta no mês e no ano
Apesar da queda registrada no início da semana, o Ibovespa mantém desempenho positivo nas comparações mais longas.
O índice acumula valorização de 4,56% em setembro e avanço de 15,13% em 2026. Na semana, porém, o saldo permanecia negativo em 0,91%, considerando o fechamento de segunda-feira.
Entre as ações de maior peso, a Petrobras segue favorecida pelo petróleo acima de US$ 100 por barril. Os papéis ordinários e preferenciais da companhia representam aproximadamente 12% do Ibovespa e acumulam ganhos próximos de 30% desde 7 de julho.
A Vale permanece pressionada pelo recuo do minério de ferro e por notícias relacionadas às suas operações em Minas Gerais. Na segunda-feira, a ação da mineradora caiu 3,5%, aumentando a pressão sobre o índice brasileiro.
Os bancos também continuam no radar, principalmente diante das expectativas para juros, atividade econômica, concessão de crédito e inadimplência.
Petróleo acima de US$ 106 aumenta temor de inflação
O petróleo voltou a subir diante das tensões no Oriente Médio e dos riscos de interrupção no fornecimento global.
Por volta das 8h32, no horário da costa leste dos Estados Unidos, o Brent avançava 0,6%, cotado a US$ 106,31 por barril. O petróleo norte-americano WTI subia 1,2%, a US$ 102,59.
A manutenção dos preços acima de US$ 100 amplia as preocupações com a inflação mundial. Energia mais cara tende a pressionar combustíveis, fretes, fertilizantes, custos industriais e cadeias de abastecimento.
Para o agronegócio brasileiro, o avanço do petróleo pode elevar as despesas com diesel e transporte da produção. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar aumenta a receita em reais das exportações, mas encarece insumos importados.
Mercado espera decisões do Fed e do Copom
A política monetária concentra as atenções dos investidores. Nos Estados Unidos, o mercado atribui probabilidade de 92,5% a uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve nesta quarta-feira (16).
Caso a expectativa se confirme, a taxa norte-americana passará para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de dez anos superou 5%, alcançando o maior nível desde 2007. Juros elevados nos títulos considerados de menor risco reduzem a atratividade relativa das bolsas e aumentam a pressão sobre mercados emergentes. Reuters – Wall Street e juros dos EUA
No Brasil, a expectativa predominante é de que o Comitê de Política Monetária reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A alta do petróleo e a possibilidade de juros maiores nos Estados Unidos, entretanto, podem limitar o espaço para novos cortes.
Bolsas europeias caem com bancos e juros
Na Europa, os mercados acionários aprofundaram as perdas durante a manhã. Às 8h40 no horário de Greenwich, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,8%, aos 630,99 pontos, menor nível em aproximadamente três meses.
Os bancos lideravam as quedas. O segmento bancário do Stoxx 600 perdia 1,3%, enquanto o setor de serviços financeiros recuava 2,7%.
As ações do UBS caíam 4,2%, o Deutsche Bank perdia 1,2%, o UniCredit recuava 2,3% e o Standard Chartered registrava baixa de 2,1%.
Além das preocupações com os resultados das instituições financeiras, a elevação dos rendimentos dos títulos públicos e o petróleo mais caro reduzem o apetite por risco.
Os principais índices europeus também operavam em queda. O DAX, da Alemanha, recuava cerca de 0,5%; o CAC 40, da França, perdia aproximadamente 0,6%; e o FTSE 100, do Reino Unido, caía ao redor de 0,6%. Reuters – bolsas europeias
Futuros de Wall Street indicam abertura negativa
Nos Estados Unidos, os índices futuros apontavam para uma nova sessão de perdas antes da abertura.
Às 8h32 no horário de Nova York, os futuros do Dow Jones recuavam 0,27%, enquanto os contratos do S&P 500 caíam 0,16% e os do Nasdaq 100 registravam baixa de 0,13%.
O movimento refletia a combinação entre petróleo elevado, alta dos rendimentos dos Treasuries, incertezas sobre os juros e preocupação com o desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.
Alphabet e Microsoft recuavam aproximadamente 1% no pré-mercado. A Nvidia, por outro lado, avançava 0,7%, após as fortes perdas registradas pelo setor de semicondutores na sessão anterior.
Na segunda-feira, o Nasdaq caiu 0,56%, o S&P 500 perdeu 0,56% e o Dow Jones recuou 0,29%.
Bolsas da China caem com demanda interna fraca
Na Ásia, os mercados fecharam predominantemente no campo negativo. As bolsas da China e de Hong Kong foram pressionadas por indicadores mistos da economia chinesa.
A produção industrial acelerou em agosto, mas o consumo permaneceu enfraquecido. A queda mais intensa dos investimentos e a nova redução nos preços dos imóveis aumentaram as dúvidas sobre a recuperação da demanda doméstica.
O índice de Xangai perdeu 0,54%, aos 3.864 pontos. O CSI 300, que reúne as principais empresas negociadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,67%, aos 4.450 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1%, aos 24.667 pontos. As grandes empresas de tecnologia listadas no mercado perderam 0,6%, embora a Tencent tenha avançado quase 2%.
Os índices financeiro e imobiliário do CSI 300 recuaram aproximadamente 1%, enquanto as ações de bens de consumo básico perderam 0,6%.
A Guangdong Tianyu Semiconductor destoou do cenário negativo e subiu mais de 7%, impulsionada pelo anúncio de um plano de recompra de ações.
Demais bolsas asiáticas também encerram em baixa
No Japão, o Nikkei terminou praticamente estável, com queda de 0,01%, aos 63.484 pontos.
O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,85%, aos 6.627 pontos. Em Taiwan, o Taiex caiu 0,77%, aos 45.511 pontos.
O Straits Times, de Cingapura, registrou perda de 1,45%, aos 5.634 pontos, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,88%, aos 8.672 pontos. UOL – bolsas mundiais
Juros e petróleo devem manter volatilidade nos mercados
O ambiente financeiro global permanece marcado pela busca por proteção. O petróleo elevado aumenta os riscos inflacionários, enquanto a perspectiva de juros maiores nos Estados Unidos pressiona ações, moedas emergentes e títulos públicos.
No Brasil, o Ibovespa poderá continuar encontrando apoio nas ações da Petrobras, mas o avanço dependerá também do comportamento da Vale, dos bancos, do dólar e dos juros futuros.
Para o agronegócio, os movimentos têm efeitos diretos sobre o custo do crédito rural, a importação de fertilizantes e defensivos, os preços dos combustíveis, os fretes e a conversão das receitas de exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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