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Gestão

Renegociação de dívidas rurais enfrenta entraves e ameaça crédito para a safra 2026/27 no Paraná

Sistema FAEP cobra medidas urgentes para viabilizar a MP 1.376/2026, enquanto produtores relatam demora nas análises, pedidos recusados e dificuldades para financiar a produção


Publicado em: 15/09/2026 às 11:25hs

Renegociação de dívidas rurais enfrenta entraves e ameaça crédito para a safra 2026/27 no Paraná
Foto: FAEP

Quase dois meses após a publicação da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, produtores rurais do Paraná ainda enfrentam obstáculos para renegociar dívidas e recuperar o acesso ao crédito. A demora nas análises e a reprovação de pedidos aumentam a preocupação com o financiamento da safra de verão 2026/27.

Diante do impasse, o Sistema FAEP cobra ações efetivas do governo federal, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério da Fazenda para destravar a aplicação da medida. A entidade alerta que a renegociação precisa avançar antes do encerramento da vigência da MP, previsto para 12 de novembro.

Dívidas rurais problemáticas chegam a R$ 207,4 bilhões

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, elaborado com dados do Banco Central, dimensiona a pressão financeira sobre o campo.

Em julho, os saldos problemáticos das operações de crédito rural somavam R$ 207,4 bilhões no Brasil. Desse total, R$ 13,9 bilhões estavam concentrados no Paraná.

O cenário combina crescimento do endividamento, restrição à contratação de novos financiamentos e sucessivas perdas provocadas por eventos climáticos extremos. Para a entidade, a demora na implementação da MP compromete a capacidade dos produtores de reorganizar o passivo e manter as atividades.

“A MP da renegociação de dívida precisa sair do papel e começar a funcionar efetivamente. Os nossos produtores rurais não têm mais tempo para esperar”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo ele, uma medida criada para oferecer alívio financeiro acabou se transformando em mais uma dificuldade para agricultores que precisam de recursos para iniciar a nova temporada.

Produtores relatam demora e reprovação de pedidos

Embora a regulamentação necessária para as novas operações tenha avançado em agosto, produtores de diferentes regiões paranaenses continuam relatando dificuldades nas instituições financeiras.

A Portaria nº 2.423, publicada pelo Ministério da Fazenda em 13 de agosto de 2026, autorizou o pagamento da equalização de taxas de juros em operações de crédito rural destinadas à composição de dívidas.

A publicação permitiu que os bancos começassem a operacionalizar as renegociações. Mesmo assim, segundo o Sistema FAEP, diversos pedidos continuam sem aprovação, prolongando a insegurança financeira no meio rural.

Entidades pedem regras mais simples e uniformes

Mais de 40 entidades representativas do agronegócio, entre elas o Sistema FAEP, encaminharam uma carta ao Congresso Nacional solicitando mudanças imediatas na legislação e maior empenho para tornar o programa efetivo.

Entre as principais reivindicações estão:

  • simplificação e padronização da comprovação das perdas;
  • flexibilização da entrada exigida dos produtores sem capacidade imediata de pagamento;
  • definição de critérios nacionais claros para enquadramento;
  • garantia de que a dívida renegociada não impeça a contratação de crédito novo.

As entidades avaliam que a reestruturação financeira somente será efetiva se permitir ao produtor continuar financiando o custeio e os investimentos necessários à atividade agropecuária.

Restrição de crédito preocupa antes da safra de verão

A proximidade do plantio aumenta a urgência por uma solução. Sem a renegociação concluída, parte dos produtores pode permanecer impedida de acessar recursos para comprar sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros insumos essenciais.

O Sistema FAEP alerta que o problema vai além da reorganização das dívidas acumuladas. A continuidade da produção depende da recuperação da capacidade de crédito, especialmente em um ciclo marcado por custos elevados e riscos climáticos.

Como a MP 1.376/2026 tem validade até 12 de novembro, o setor cobra agilidade na análise dos pedidos, uniformidade nos critérios bancários e ajustes que garantam a aplicação prática do programa antes do fim do prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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