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Safra de grãos do Brasil deve atingir recorde de 361,7 milhões de toneladas, estima Conab

Produção cresce 2,6% em 2025/26, impulsionada pelos recordes de soja, algodão, sorgo e milho, enquanto arroz, feijão e trigo registram retração


Publicado em: 15/09/2026 às 12:00hs

Safra de grãos do Brasil deve atingir recorde de 361,7 milhões de toneladas, estima Conab

A produção brasileira de grãos deve alcançar o recorde de 361,7 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 12º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta terça-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O volume representa crescimento de 2,6% em relação às 352,7 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. Na comparação com o levantamento publicado em agosto, a estimativa foi elevada em 0,3%, refletindo principalmente as produtividades do milho segunda safra, que ficaram acima das projeções iniciais.

Soja, algodão, sorgo e milho devem alcançar os maiores volumes já registrados pela Conab. Em sentido contrário, arroz, feijão e trigo apresentam redução na produção, com destaque para a queda de 27,1% estimada para o cereal de inverno.

Área cultivada cresce e chega a 83,5 milhões de hectares

A área destinada ao cultivo de grãos aumentou 1,7% em comparação com a safra 2024/25 e deve alcançar 83,5 milhões de hectares.

A soja respondeu pela maior expansão em números absolutos, com a incorporação de 1,3 milhão de hectares, crescimento de 2,7%. A área ocupada pelo milho avançou 762,5 mil hectares, alta de 3,5%.

O sorgo apresentou o maior crescimento proporcional entre as culturas acompanhadas. A área destinada ao cereal aumentou 32,9%, com a incorporação de aproximadamente 537 mil hectares.

O avanço da área plantada, combinado com ganhos de produtividade em culturas importantes, sustenta a estimativa de novo recorde para a produção nacional.

Soja deve alcançar recorde de 180,4 milhões de toneladas

A safra brasileira de soja está projetada em 180,4 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica da Conab. A estimativa representa crescimento de 5,2% em relação ao ciclo anterior.

O resultado é sustentado pela expansão de 2,7% da área plantada e pelo avanço de 2,5% na produtividade média das lavouras.

Além do recorde na produção, a oleaginosa deve alcançar o maior volume de exportação já registrado. A previsão é de que o Brasil embarque 116,2 milhões de toneladas ao longo do período comercial.

O desempenho reforça a posição da soja como principal cultura da agricultura brasileira e maior componente da produção nacional de grãos.

Milho atinge 144 milhões de toneladas

A produção total de milho deve chegar a 144 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 2% em comparação com a temporada passada e novo recorde para a cultura.

Na primeira safra, a produtividade média alcançou o maior nível já registrado, de 7.191 quilos por hectare. O rendimento avançou 8,8% em relação ao ciclo anterior.

A segunda safra está estimada em 112,1 milhões de toneladas, apenas 1% abaixo do recorde anterior. O desempenho acima do inicialmente previsto foi um dos principais fatores responsáveis pela revisão positiva da produção brasileira de grãos.

Já a terceira safra deve apresentar queda de 20,1%, com produção calculada em 2,39 milhões de toneladas.

Algodão alcança maior produção da série histórica

A produção brasileira de algodão em pluma está estimada em 4,14 milhões de toneladas, alta de 1,5% frente ao ciclo 2024/25. O volume também representa o maior resultado da série histórica da Conab.

Mesmo com a redução de 3,2% na área cultivada, calculada em 2,02 milhões de hectares, o crescimento da produtividade compensou a retração territorial.

O rendimento médio das lavouras aumentou 4,9% e alcançou o recorde de 2.053 quilos de pluma por hectare. Em relação à projeção divulgada em agosto, a estimativa para a produção foi elevada em 1,4%.

Arroz recua 13,2% com redução da área plantada

A produção brasileira de arroz deve somar 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2% em relação à temporada anterior.

A retração decorre principalmente da redução de 14% na área cultivada, estimada em 1,52 milhão de hectares. A produtividade média deve crescer 1%, alcançando 7.303 quilos por hectare, mas o avanço não será suficiente para compensar a menor extensão das lavouras.

Segundo a Conab, os preços menos atrativos para os produtores contribuíram para a redução do plantio. Parte das áreas anteriormente ocupadas pelo arroz foi direcionada para culturas como soja e milho.

Produção de feijão cai, mas abastecimento deve ser mantido

A colheita nacional de feijão está projetada em 2,95 milhões de toneladas, recuo de 3,6% na comparação com a safra passada.

A área cultivada diminuiu 5,7%, enquanto a produtividade média avançou 2,2%, chegando a 1.161 quilos por hectare.

A demanda doméstica é estimada em 2,7 milhões de toneladas, praticamente no mesmo nível da temporada anterior. Apesar da redução da produção, o volume previsto permanece suficiente para atender ao consumo interno projetado.

Trigo tem queda de 27,1% e importações devem aumentar

Entre as principais culturas acompanhadas pela Conab, o trigo apresenta a maior retração. A produção deve alcançar 5,74 milhões de toneladas, queda de 27,1% em relação ao ciclo anterior.

A área cultivada diminuiu 21,2%, enquanto a produtividade média foi estimada em 2.978 quilos por hectare, recuo de 7,5%.

Com a menor oferta nacional, as importações brasileiras de trigo devem alcançar 7,06 milhões de toneladas. A dependência externa tende a crescer para complementar o abastecimento dos moinhos e atender à demanda doméstica.

Chuvas e geadas afetam lavouras no Sul

As condições climáticas apresentaram diferenças acentuadas entre as regiões produtoras em agosto. Os volumes de chuva superaram 90 milímetros na Região Sul, no sul de São Paulo e no litoral do Nordeste.

Em diversas áreas do Centro-Oeste, do Norte e do interior nordestino, os acumulados ficaram abaixo de 40 milímetros. O tempo seco favoreceu a colheita no Centro-Oeste e no Sudeste, reduzindo interrupções nos trabalhos de campo.

No Sul, porém, o excesso de umidade provocou impactos pontuais sobre as lavouras de trigo. Também foram registrados episódios de geada, principalmente no Rio Grande do Sul.

As temperaturas máximas ultrapassaram 36 °C em cinco estados, ampliando os contrastes climáticos observados no país.

El Niño aumenta risco de excesso de chuva no Sul

As projeções climáticas para os próximos meses indicam chuvas abaixo da média em grande parte das regiões Norte e Nordeste. No Sul, a expectativa é de volumes acima da média, com risco de excesso hídrico em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

O cenário está associado à persistência do El Niño entre setembro e novembro. A distribuição irregular das precipitações pode afetar tanto as culturas que permanecem no campo quanto a implantação da próxima temporada.

A Conab continuará acompanhando o desenvolvimento das lavouras e poderá revisar as projeções das culturas ainda não totalmente colhidas nos próximos levantamentos.

12º Levantamento de Grãos da Conab

Fonte: Portal do Agronegócio

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