Açúcar cristal sobe quase 5% em setembro com oferta restrita e maior produção de etanol
Indicador Cepea alcança R$ 119,41 por saca em São Paulo, enquanto queda de 11,7% na produção brasileira de açúcar e valorização do petróleo sustentam o mercado
Publicado em: 15/09/2026 às 11:50hs
Os preços do açúcar cristal continuam em alta no estado de São Paulo, sustentados principalmente pela menor disponibilidade do produto no mercado spot. Na segunda-feira (14), o Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ fechou a R$ 119,41 por saca de 50 quilos, avanço diário de 0,19%.
Com o novo aumento, a referência paulista acumula valorização de 4,98% em setembro. Convertido para a moeda norte-americana, o indicador ficou em US$ 23,18 por saca.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), agentes consultados relatam oferta limitada de açúcar para negociação imediata. O cenário está relacionado, entre outros fatores, ao perfil mais alcooleiro da atual safra, com usinas destinando uma parcela maior da cana-de-açúcar à fabricação de etanol.
Produção brasileira de açúcar recua 11,7%
Mesmo com a moagem de cana superior à registrada no ciclo anterior, a produção de açúcar acumulava queda de 11,7% até 15 de agosto, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A retração reforça a menor disponibilidade do cristal no mercado doméstico. Com menos produto oferecido para pronta entrega, os compradores encontram maior dificuldade para recompor estoques, enquanto as usinas mantêm posições mais firmes nas negociações.
A destinação da matéria-prima entre açúcar e etanol tornou-se um dos principais fatores acompanhados pelo mercado. Quando o biocombustível oferece melhor remuneração, as unidades produtoras podem direcionar uma proporção maior da cana para a produção alcooleira, reduzindo o volume disponível de açúcar.
Esse movimento ajuda a explicar por que as cotações paulistas continuam avançando, apesar do desempenho moderado dos contratos futuros internacionais.
Açúcar bruto oscila em Nova York
Na Bolsa de Nova York, o açúcar bruto encerrou a segunda-feira com variações discretas entre os principais vencimentos.
O contrato outubro de 2026 avançou 0,01 ponto, para 18,16 centavos de dólar por libra-peso. Março de 2027 recuou 0,07 ponto, cotado a 19,06 centavos, enquanto maio de 2027 perdeu 0,09 ponto e terminou a 18,45 centavos por libra-peso.
O vencimento julho de 2027 caiu 0,05 ponto, para 18,13 centavos. Nos contratos mais longos, como maio e julho de 2028, foram registradas pequenas valorizações.
O comportamento misto mostra um mercado dividido entre as preocupações com a oferta global e a ausência de estímulos suficientes para uma alta mais intensa em todos os vencimentos.
Açúcar branco fecha em alta em Londres
Na Bolsa de Londres, os contratos do açúcar branco terminaram o pregão no campo positivo.
O vencimento outubro de 2026 avançou US$ 1,70 e fechou a US$ 524,80 por tonelada. Dezembro de 2026 subiu US$ 0,80, para US$ 529,50, enquanto março de 2027 ganhou US$ 0,90 e foi negociado a US$ 533,70 por tonelada.
O contrato maio de 2027 teve valorização de US$ 1,10, alcançando US$ 534,30 por tonelada. Agosto do mesmo ano avançou US$ 1,30 e encerrou a US$ 528,50. Os demais vencimentos também fecharam em alta.
Petróleo fortalece competitividade do etanol
A valorização do petróleo contribuiu para sustentar os preços do açúcar nas bolsas internacionais. Com o combustível fóssil mais caro, o etanol tende a ganhar competitividade, o que pode estimular as usinas a ampliar a destinação de cana para o biocombustível.
Essa relação interfere diretamente na oferta de açúcar. Quanto maior a atratividade do etanol, menor pode ser a parcela de matéria-prima destinada à fabricação do adoçante, dependendo das estratégias comerciais e industriais de cada usina.
O mercado também acompanha as perspectivas de produção em importantes países fornecedores. A possibilidade de uma safra menor na Tailândia aumenta as preocupações com a disponibilidade mundial e oferece suporte adicional às cotações.
Etanol acumula alta de 10,81% em setembro
No mercado paulista, o etanol hidratado também iniciou a semana valorizado. O Indicador Diário de Paulínia fechou a segunda-feira em R$ 2.737,50 por metro cúbico, alta de 0,09% na comparação com a referência anterior.
No acumulado de setembro, a valorização chega a 10,81%, percentual superior ao avanço observado no açúcar cristal durante o mesmo período.
O desempenho do biocombustível reforça a disputa pela cana-de-açúcar dentro das usinas e ajuda a manter o mix de produção mais direcionado ao etanol. Para o mercado de açúcar, essa configuração representa menor possibilidade de aumento imediato da oferta.
Oferta deve continuar no centro das negociações
A evolução dos preços do açúcar dependerá do volume disponibilizado pelas usinas, da necessidade de reposição dos compradores e da relação de rentabilidade entre açúcar e etanol.
No mercado interno, a oferta limitada continua sendo o principal fundamento de sustentação. No ambiente internacional, petróleo, perspectivas para a produção da Tailândia e disponibilidade global permanecem entre os fatores acompanhados pelos agentes.
Enquanto o perfil mais alcooleiro da safra limitar a produção brasileira de açúcar, as cotações do cristal em São Paulo poderão permanecer firmes. A intensidade de novas altas, contudo, dependerá da demanda efetiva e dos volumes negociados no mercado spot.
Fonte: Portal do Agronegócio
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