Publicidade
Café

Café arábica sobe 1,7% em Nova York e mercado brasileiro ganha suporte para novos negócios

Contrato de dezembro fechou a 290,50 centavos de dólar por libra-peso após forte volatilidade; avanço do dólar também favoreceu as referências no mercado físico nacional


Publicado em: 15/09/2026 às 11:24hs

Café arábica sobe 1,7% em Nova York e mercado brasileiro ganha suporte para novos negócios

O mercado de café iniciou a semana com valorização do arábica na Bolsa de Nova York e avanço do dólar frente ao real, combinação que pode estimular novos negócios no Brasil. Após operar em queda durante parte da segunda-feira (14) e atingir o menor nível em dez semanas, o contrato de dezembro de 2026 reagiu e encerrou o pregão com alta de 1,7%.

Na ICE Futures US, o principal vencimento terminou cotado a 290,50 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 4,80 centavos. O contrato para março de 2027 subiu 4,10 centavos, ou 1,5%, e fechou a 281,30 centavos por libra-peso.

A recuperação foi atribuída principalmente a ajustes técnicos e à cobertura de posições vendidas por fundos e especuladores. Na semana anterior, o contrato de dezembro havia acumulado perda de 3,3%, deixando o mercado sujeito a uma correção.

Café em Nova York reverte queda durante o pregão

A sessão foi marcada por elevada volatilidade. Antes de fechar em alta, o arábica chegou a operar no campo negativo e tocou as menores cotações em dez semanas.

Na sexta-feira (11), o contrato de dezembro havia encerrado a 285,70 centavos de dólar por libra-peso, com recuo diário de 2,45 centavos, equivalente a 0,8%.

Na abertura de segunda-feira, o vencimento chegou a apresentar alta de 0,29%, cotado a 286,55 centavos. O movimento ganhou força ao longo do pregão, levando o contrato ao fechamento de 290,50 centavos.

A reação técnica interrompeu momentaneamente a sequência de perdas, mas o mercado continua atento aos fundamentos de oferta e às condições climáticas nas principais regiões produtoras.

Exportações brasileiras limitam avanço das cotações

O forte desempenho recente das exportações brasileiras exerce pressão sobre os preços internacionais ao reforçar a percepção de maior disponibilidade de café no mercado.

Com a colheita praticamente concluída no Brasil e a possibilidade de confirmação de uma safra recorde, os embarques podem permanecer elevados nos próximos meses. Esse cenário amplia a oferta no comércio internacional e limita movimentos mais consistentes de valorização.

Por outro lado, as quedas acumuladas nas últimas sessões deixaram o mercado tecnicamente sobrevendido, abrindo espaço para a recuperação observada no início da semana.

Os agentes também acompanham o clima nas regiões cafeeiras brasileiras, especialmente as condições de chuva e temperatura durante as floradas que determinarão o potencial produtivo da safra de 2027.

Dólar fortalece referência para o café brasileiro

O câmbio também contribuiu para melhorar o ambiente de comercialização no mercado interno. Durante a segunda-feira, o dólar comercial avançava 0,73%, cotado a R$ 5,1614, enquanto o Dollar Index subia 0,42%, aos 99,559 pontos.

A valorização da moeda norte-americana aumenta a conversão das cotações internacionais para reais e pode favorecer os preços recebidos pelos produtores brasileiros. Com a alta simultânea do arábica em Nova York, vendedores tendem a avaliar oportunidades para ampliar a negociação de lotes.

O movimento ocorre após uma sexta-feira de baixa liquidez no mercado físico, quando os preços do arábica permaneceram estáveis e as cotações do conilon recuaram.

Arábica permanece estável nas regiões de Minas Gerais

No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, da safra nova e com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.620 e R$ 1.625 por saca.

No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também da safra nova e com 15% de catação, permaneceu cotado entre R$ 1.630 e R$ 1.635 por saca.

Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica rio tipo 7, da safra 2026 e com 20% de catação, manteve preços entre R$ 1.240 e R$ 1.245 por saca.

A estabilidade refletiu a cautela dos participantes diante das oscilações da Bolsa de Nova York e da limitada disposição para negócios na sexta-feira.

Preço do café conilon recua no Espírito Santo

Em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7 da safra 2026 foi cotado entre R$ 980 e R$ 985 por saca. Na sessão anterior, os valores estavam entre R$ 990 e R$ 995.

O conilon 7/8 caiu para a faixa de R$ 970 a R$ 975 por saca, ante R$ 980 a R$ 985 no levantamento anterior.

A retração acompanhou as oscilações do robusta na Bolsa de Londres e ocorreu em um dia de pouca movimentação comercial.

Fundos reduzem posição comprada em café arábica

O relatório de compromissos dos traders da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), com dados até 8 de setembro, mostrou que grandes fundos e especuladores reduziram sua posição líquida comprada em café arábica.

O grupo mantinha saldo positivo de 18.001 contratos, abaixo dos 23.979 contratos registrados na semana anterior.

As empresas comerciais, categoria que reúne indústrias, corretoras e comerciantes, apresentavam posição líquida vendida de 19.640 contratos. Os participantes não reportáveis, formados principalmente por pequenos especuladores e negociadores locais, tinham saldo comprado de 1.639 contratos.

O mercado futuro de café arábica contabilizava 152.136 contratos em aberto, redução de 3.139 lotes na comparação semanal. A diminuição das posições compradas ajuda a explicar a pressão recente sobre as cotações e o movimento de cobertura que sustentou a recuperação em Nova York.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias