Publicado em: 29/05/2026 às 10:55hs
O mercado financeiro iniciou esta sexta-feira em clima de cautela, refletindo a combinação entre tensões geopolíticas no Oriente Médio, pressão sobre commodities e expectativa em torno de indicadores econômicos relevantes no Brasil e nos Estados Unidos. O Ibovespa abriu o pregão oscilando próximo dos 175 mil pontos, enquanto o dólar voltou a subir frente ao real.
A Bolsa brasileira acompanha o movimento internacional de aversão ao risco, influenciado principalmente pelos dados de inflação norte-americana e pela permanência das incertezas envolvendo o conflito entre EUA e Irã. Além disso, investidores monitoram os efeitos da desaceleração das commodities metálicas e energéticas sobre empresas de grande peso no índice brasileiro, como Petrobras e Vale.
Na abertura do pregão, o Ibovespa operava próximo dos 175.744 pontos, em movimento de correção após sessões recentes de volatilidade. O índice segue pressionado principalmente pela queda das ações ligadas ao setor de commodities, em especial Petrobras, acompanhando o recuo internacional do petróleo e o ambiente externo mais defensivo.
O dólar comercial abriu em alta, cotado ao redor de R$ 5,05, refletindo o fortalecimento global da moeda norte-americana diante da expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos por um período mais prolongado.
O mercado brasileiro também repercute os dados econômicos domésticos, especialmente as expectativas em torno do Produto Interno Bruto (PIB) e dos próximos indicadores de inflação, fatores considerados decisivos para o rumo da política monetária brasileira nos próximos meses.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram o pregão anterior em alta moderada, apesar do ambiente global ainda marcado por incertezas geopolíticas.
O Dow Jones avançou 0,05%, enquanto o S&P 500 subiu 0,58%. Já o Nasdaq, fortemente concentrado em empresas de tecnologia e inteligência artificial, registrou valorização de 0,91%.
O movimento ocorreu após a divulgação do índice PCE, principal indicador de inflação monitorado pelo Federal Reserve (Fed). O dado mostrou aceleração da inflação em abril, registrando o maior avanço em três anos, impulsionado principalmente pelos preços da energia.
Com isso, aumentaram as apostas de que o banco central norte-americano deverá manter os juros elevados até 2027, cenário que segue limitando o apetite global por ativos de risco.
Além da inflação, investidores acompanham atentamente os desdobramentos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, em meio à continuidade dos conflitos no Oriente Médio.
Na Europa, o movimento foi predominantemente negativo. O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou o pregão em queda de 0,5%, aos 625,11 pontos.
Entre os principais mercados da região, Londres registrou retração de 0,75%, enquanto Frankfurt caiu 0,34%. Milão destoou do restante do continente e avançou 0,50%.
Analistas apontam que o mercado europeu segue sensível às perspectivas de desaceleração econômica global, além dos impactos das tensões geopolíticas sobre os custos de energia e a inflação do bloco.
As bolsas asiáticas encerraram o dia sem direção única, em meio à realização de lucros no setor de tecnologia e semicondutores e à repercussão dos novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã.
Na China, o índice de Xangai caiu 0,73%, enquanto o CSI300 recuou 0,45%. O setor de semicondutores foi um dos mais pressionados do pregão, acumulando perdas superiores a 5%.
Por outro lado, os setores imobiliário e de bebidas apresentaram recuperação, refletindo um movimento de rotação de capital em busca de ativos considerados mais descontados.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,70%, impulsionado principalmente pelas ações da Lenovo, que dispararam mais de 20% após resultados positivos no segmento global de inteligência artificial e tecnologia.
O desempenho positivo também acompanhou o forte avanço das ações da Dell nos Estados Unidos, beneficiadas pela crescente demanda por infraestrutura voltada à IA.
No Japão, o índice Nikkei registrou forte alta de 2,53%, fechando aos 66.329 pontos, enquanto a Coreia do Sul avançou 3,55%, puxada pelo setor tecnológico.
Taiwan também teve forte valorização, com o índice Taiex subindo 2,51%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 avançou 1,62%.
Para o agronegócio, o cenário internacional continua sendo acompanhado de perto. A volatilidade das commodities, a oscilação do dólar e os custos financeiros globais seguem impactando diretamente os preços agrícolas, os custos de produção e o fluxo de exportações brasileiras.
A manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar globalmente, influenciando os preços internacionais das commodities agrícolas e energéticas, além de alterar o comportamento dos investidores estrangeiros em mercados emergentes como o Brasil.
Enquanto isso, as tensões no Oriente Médio permanecem no centro das atenções, especialmente pelos possíveis impactos sobre petróleo, fertilizantes, logística global e inflação mundial.
Fonte: Portal do Agronegócio
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